O filme brasileiro “A Versão da Lei”, que aborda violência doméstica, feminicídio e direitos das mulheres, será apresentado na próxima segunda-feira (18/05/2026) no VDF Showcase do Brasil, dentro do Marché du Film, em Cannes, na França. A produção dirigida por Nina Fachinello integra a programação do principal mercado internacional do cinema e leva ao exterior uma narrativa baseada em relatos reais de violência enfrentados por mulheres brasileiras.
Produzido pela ColetivA DELAS, o longa acompanha a trajetória da advogada Sol, personagem interpretada por Tati Villela, que atua na Vara da Família defendendo mulheres em situação de violência. O roteiro foi escrito por Nina Fachinello em parceria com Mariana Queiroz e utiliza casos inspirados em episódios reais registrados no país.
Segundo a diretora, o projeto busca ampliar o debate público sobre violência de gênero e informar mulheres sobre seus direitos. Durante entrevista à Agência Brasil, Nina afirmou que diferentes histórias retratadas na obra foram construídas a partir de notícias e experiências semelhantes às enfrentadas diariamente por vítimas de violência doméstica.
Violência doméstica e feminicídio entram no centro da narrativa
A apresentação do longa em Cannes acontece em meio ao aumento dos índices de feminicídio no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde o início da série histórica, iniciada em 2015. O volume representa crescimento de 4,7% em relação a 2024.
No filme, a narrativa opta por abordar inicialmente o impacto da violência na vida de quem presta assistência às vítimas, em vez de focar exclusivamente no ato criminoso. A personagem Sol enfrenta desafios profissionais e pessoais enquanto acompanha casos de mulheres submetidas a abusos psicológicos, físicos e patrimoniais.
A diretora relatou que parte do roteiro também foi construída a partir de experiências pessoais e de relatos compartilhados por mulheres integrantes de grupos de apoio a mães solo. Segundo Nina Fachinello, a intenção foi aproximar a ficção da realidade enfrentada por milhares de brasileiras dentro do sistema judicial e das relações familiares.
Produção contou com consultoria jurídica e especialistas em gênero
Para garantir proximidade com situações reais, a produção contou com consultoria da juíza de Direito Camila Rocha Guerin, especialista em gênero e direito. A equipe também teve acompanhamento jurídico para elaboração das cenas relacionadas à atuação das personagens dentro do sistema judicial brasileiro.
A diretora destacou que a proposta do filme é apresentar informações acessíveis ao público feminino sobre medidas protetivas, violência psicológica e direitos garantidos por lei. Segundo ela, o cinema pode funcionar como instrumento de conscientização social e incentivo à denúncia.
O longa está em fase de finalização e será apresentado em Cannes em uma versão ainda sujeita a ajustes. A expectativa da produção é concluir o processo técnico nos próximos meses antes do lançamento oficial.
Cannes, distribuição internacional e elenco do filme
Após a exibição no Marché du Film, a produção pretende participar do Festival de Cinema de Veneza, previsto para setembro de 2026. O lançamento comercial está programado para 2027, segundo informou a direção do projeto.
Além de Tati Villela, o elenco reúne Karen Julia, que interpreta uma vítima de feminicídio, além das atrizes Vitória Rodrigues e Aliny Ulbricht. O filme também conta com participações de Mariana Xavier, indicada ao Emmy Internacional 2025, Cacau Protásio, Digão Ribeiro e do ator português Pedro Carvalho.
O financiamento da produção foi realizado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A presença do longa em Cannes amplia a circulação internacional de produções brasileiras voltadas a temas sociais e direitos humanos.
*Com informações da Agência Brasil.











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