O senador Flávio Bolsonaro confirmou na terça-feira (19/05/2026) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro após a primeira prisão do empresário no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao conglomerado financeiro ligado ao Banco Master.
Segundo Flávio, o encontro ocorreu depois de Vorcaro permanecer dez dias preso por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O senador afirmou que a reunião teve como objetivo encerrar a participação do banqueiro no financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração foi dada após reportagens publicadas pelo portal The Intercept Brasil revelarem mensagens de áudio enviadas por Flávio a Vorcaro solicitando recursos para custear a produção da cinebiografia de Bolsonaro. De acordo com as informações divulgadas, o banqueiro teria concordado em investir R$ 134 milhões no projeto, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados.
Senador mudou versão sobre relação com banqueiro após divulgação de áudios
Até a divulgação dos áudios, Flávio Bolsonaro afirmava não possuir relação com Daniel Vorcaro. Após a publicação do material, o senador passou a admitir contato com o banqueiro, alegando que a aproximação ocorreu em 2024, após o fim do governo Bolsonaro e antes do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Judiciário.
Durante conversa com jornalistas, Flávio declarou que procurou Vorcaro para “colocar um ponto final” na relação envolvendo o financiamento do filme. O senador afirmou ainda que desconhecia a gravidade das suspeitas envolvendo o Banco Master até a prisão do empresário.
Segundo Flávio, Daniel Vorcaro era visto, à época, como uma pessoa presente em círculos empresariais e políticos em Brasília. O senador declarou que considerava o banqueiro “acima de qualquer suspeita” quando aceitou o aporte financeiro para a produção cinematográfica.
Thiago Miranda intermediou aproximação entre Flávio e Vorcaro
De acordo com o deputado federal Mário Frias, produtor executivo e roteirista do filme, a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocorreu por intermédio do publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência MiThi.
Miranda é investigado por suposta participação em campanhas digitais relacionadas ao Banco Master e já confirmou a veículos de imprensa que intermediou o investimento milionário destinado à produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A versão foi corroborada pelo senador durante entrevista concedida nesta terça-feira.
Segundo Flávio, Vorcaro manteve os pagamentos acordados até maio de 2025, quando os repasses passaram a apresentar atrasos. O senador afirmou que integrantes da produção tentavam obter respostas do banqueiro sobre a continuidade do financiamento.
Flávio afirma que prisão de Vorcaro alterou percepção sobre caso
Flávio Bolsonaro declarou que, após a prisão de Vorcaro, passou a compreender que a situação envolvendo o banqueiro era mais grave do que imaginava inicialmente. O senador citou o áudio divulgado pelo The Intercept Brasil, no qual solicita uma definição sobre os pagamentos do filme, alegando que a produção corria risco de ser interrompida.
Segundo o parlamentar, a reunião realizada após a prisão ocorreu enquanto Vorcaro utilizava tornozeleira eletrônica e estava impedido judicialmente de deixar a cidade de São Paulo. Flávio reiterou que todos os encontros com o banqueiro trataram exclusivamente da produção cinematográfica.
Por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Vorcaro foi libertado dez dias após a primeira prisão preventiva na Operação Compliance Zero. O banqueiro voltou a ser preso em 04/03/2026 durante a terceira fase da investigação.
Senador solicita transparência sobre orçamento da produção
Ao final da entrevista, Flávio Bolsonaro informou que solicitou à produtora responsável pelo filme uma prestação de contas detalhada sobre o orçamento da obra. Segundo o senador, também foi pedido que eventuais lucros futuros da produção sejam colocados à disposição da Justiça.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas relacionadas ao Sistema Financeiro Nacional e possíveis prejuízos bilionários decorrentes de operações envolvendo o conglomerado Master. O caso segue sob análise das autoridades federais e do Poder Judiciário.
O episódio ampliou o debate político e jurídico sobre o financiamento da produção audiovisual ligada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, além da relação entre investidores privados e projetos de natureza política.
*Com informações da Agência Brasil.









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