O Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART) está com vagas abertas para cursos de capacitação em cirurgia robótica em Salvador. Inaugurado em março de 2026 dentro do Instituto de Treinamento em Cadáveres (ICT), o espaço utiliza a tecnologia de cadáveres frescos congelados para treinamento prático de médicos e equipes multiprofissionais. A previsão da instituição é formar cerca de 200 cirurgiões até dezembro de 2026.
Entre os cursos disponíveis estão Imersão em cirurgia robótica colorretal, Cirurgia robótica geral, Cirurgia robótica urológica, Imersão avançada em cirurgia robótica cardiológica e Preenchimento peniano com ácido hialurônico. Os treinamentos são voltados para médicos experientes, residentes, estudantes, enfermeiros, técnicos e instrumentadores cirúrgicos.
O crescimento da demanda por cirurgia robótica impulsiona iniciativas de capacitação no setor. Segundo representantes do mercado citados pela instituição, aproximadamente 1 milhão de cirurgias robóticas são realizadas anualmente no mundo, com projeção de ultrapassar 2 milhões de procedimentos em 2026. O Brasil já contabiliza cerca de 100 mil pacientes operados com auxílio robótico.
Treinamento utiliza cadáveres frescos congelados
De acordo com o IART, um dos diferenciais do treinamento está no uso do sistema fresh frozen, método que preserva cadáveres frescos congelados e permite maior fidelidade anatômica durante os procedimentos simulados. A tecnologia busca reproduzir textura, resistência e aparência dos tecidos humanos de forma semelhante às condições encontradas em cirurgias reais.
O coordenador científico do instituto, Leonardo Calazans, explicou que o método oferece vantagens em relação aos modelos conservados em formol. Segundo ele, a preservação convencional altera características dos tecidos, comprometendo parte da experiência prática durante os treinamentos médicos.
A cirurgia robótica utiliza sistemas operados à distância por cirurgiões, com visão tridimensional ampliada e movimentos de alta precisão. O modelo vem sendo incorporado por hospitais e centros cirúrgicos em diferentes especialidades médicas, ampliando a necessidade de formação técnica especializada.
Instituto reúne especialistas e parceria com empresa de tecnologia médica
O IART foi criado com coordenação científica do cirurgião argentino Francisco Castillo e direção médica de Nilo Jorge Leão, apontado pela instituição como um dos profissionais com maior experiência em cirurgia robótica na América Latina.
O instituto também mantém parceria com a Hospcom, empresa que atua no fornecimento de tecnologias para a área da saúde e representa o robô cirúrgico chinês Toumai no Brasil.
Segundo Nilo Jorge Leão, a meta do IART é lançar entre 12 e 15 cursos no primeiro ano de operação. A instituição pretende atender profissionais da saúde e também hospitais e empresas interessadas em qualificar equipes clínicas. A expectativa de faturamento do instituto no primeiro ano é de R$ 3 milhões.
Formação busca ampliar acesso à cirurgia robótica
Além da formação prática, o projeto pretende ampliar o acesso ao treinamento em cirurgia robótica em diferentes níveis da área da saúde. A proposta inclui capacitação de profissionais que atuam diretamente nos centros cirúrgicos e na assistência aos procedimentos.
A expansão da cirurgia robótica acompanha o avanço de tecnologias médicas voltadas à precisão cirúrgica, redução de invasividade e ampliação do controle dos movimentos durante operações complexas. O modelo vem sendo adotado em especialidades como urologia, cardiologia, cirurgia geral e procedimentos colorretais.
Com a abertura das vagas, o IART passa a integrar o conjunto de instituições brasileiras voltadas à formação em cirurgia robótica, setor que registra crescimento no número de procedimentos e investimentos em tecnologia médica no país.









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