O Irã advertiu os Estados Unidos sobre o risco de um impasse militar prolongado no Estreito de Ormuz, após novos confrontos registrados na segunda-feira (28/04/2026). Autoridades iranianas afirmaram que o conflito ainda não atingiu seu ápice, enquanto mantêm aberta a possibilidade de negociação diplomática.
A escalada ocorre após operações militares simultâneas no Golfo Pérsico, com Washington tentando garantir a navegação na região e Teerã reagindo ao que classificou como bloqueio marítimo. O estreito é considerado estratégico por concentrar parte relevante do fluxo global de petróleo.
O aumento das tensões ameaça uma trégua mediada pelo Paquistão, anunciada anteriormente, mas sem avanços concretos após negociações realizadas em abril.
Confrontos e bloqueio no Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos anunciaram ações para reassumir o controle da navegação no Estreito de Ormuz, incluindo escolta de navios comerciais por meio do chamado “Projeto Liberdade”. A iniciativa prevê o uso de forças militares para garantir a passagem de embarcações retidas.
Em resposta, o Irã lançou ataques com drones e mísseis contra alvos nos Emirados Árabes Unidos, incluindo instalações petrolíferas em Fujairah. Autoridades locais confirmaram incêndios e feridos após os ataques.
O estreito foi, na prática, fechado por Teerã desde o início da campanha militar em (28/02/2026), afetando diretamente o abastecimento energético global.
Declarações e endurecimento do discurso
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na terça-feira (29/04/2026) que o país ainda “nem começou” o confronto com os Estados Unidos.
Segundo ele, a continuidade da crise seria insustentável para Washington e seus aliados, além de representar risco à segurança energética global.
O governo iraniano também criticou a presença militar estrangeira no Oriente Médio, classificando-a como fator de instabilidade regional.
Impactos econômicos e mercado de petróleo
A crise no Estreito de Ormuz provocou oscilações no mercado internacional de petróleo, com alta inicial seguida de estabilização. O barril do tipo Brent chegou a ultrapassar US$ 126 antes de recuar para cerca de US$ 108.
As principais bolsas europeias reagiram negativamente ao aumento das tensões, refletindo a incerteza sobre uma possível escalada do conflito.
Dados indicam que cerca de um quinto do petróleo mundial transita pela região, o que amplia o impacto global de qualquer interrupção na rota.
Situação militar e envolvimento regional
As forças armadas dos Estados Unidos afirmaram ter destruído embarcações iranianas e interceptado drones e mísseis, enquanto Teerã negou perdas significativas.
Israel também declarou estado de alerta máximo, acompanhando os desdobramentos do conflito e mantendo operações militares em outras frentes, incluindo o sul do Líbano.
Relatos indicam continuidade de confrontos em diferentes áreas do Oriente Médio, mesmo após anúncios de cessar-fogo parcial.
Ataques nos Emirados e segurança regional
Os Emirados Árabes Unidos confirmaram ataques com drones e mísseis de cruzeiro, com interceptações realizadas por sistemas de defesa. Autoridades classificaram os episódios como escalada do conflito.
Além disso, incidentes foram registrados em Omã, com danos a áreas residenciais e feridos, ampliando o alcance regional da crise.
O aumento dos ataques reforça preocupações com a segurança de rotas marítimas e infraestrutura energética.
Negociações e possibilidade diplomática
Apesar do cenário de confronto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que crises políticas não possuem solução militar e defendeu a continuidade das negociações.
Segundo ele, o diálogo mediado pelo Paquistão segue em andamento, ainda que sem resultados concretos até o momento.
O Irã condiciona avanços à retirada de forças estrangeiras da região, ao fim de sanções e à normalização da navegação no Estreito de Ormuz.
*Com informações da RFI.








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