Movimento Água é Vida completa 29 anos em Feira de Santana e destaca atuação contra privatização da água e criação de conselhos ambientais

O Movimento Água é Vida (MAV) completará 29 anos de atuação nesta quinta-feira (21/05/2026) e apresentou, durante sessão da Câmara Municipal de Feira de Santana realizada na quarta-feira (20/05/2026), um balanço das ações desenvolvidas ao longo de quase três décadas. Entre os principais pontos destacados pela entidade estão a atuação contra a privatização do serviço público de água na Bahia, a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a implantação de conselhos municipais voltados à saúde e ao meio ambiente.

O pronunciamento foi feito na Tribuna Livre da Câmara por José Carlos dos Passos Souza, fundador do movimento. Segundo ele, o MAV ampliou sua atuação ao longo dos anos, incorporando pautas relacionadas à educação ambiental, saúde pública e preservação dos recursos hídricos.

Durante a fala, o dirigente também relembrou a origem do movimento, surgido após mobilizações populares motivadas por problemas no atendimento de saúde pública em Feira de Santana no ano de 1997.

Movimento surgiu após mobilização popular em Feira de Santana

De acordo com José Carlos Souza, o MAV teve origem após a morte de uma jovem moradora do bairro George Américo, em abril de 1997, em um contexto de dificuldades no atendimento médico no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).

Segundo ele, a situação levou moradores e lideranças religiosas a organizarem uma celebração ecumênica em frente à unidade hospitalar, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades para problemas relacionados à saúde pública no município.

“Aí, criamos um movimento popular em defesa da saúde pública em Feira”, afirmou o fundador da entidade durante o pronunciamento realizado na Câmara Municipal.

Atuação contra privatização do serviço de água na Bahia

O dirigente relembrou que o surgimento do movimento coincidiu com o envio, pelo então governador César Borges, de um decreto à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) relacionado à privatização do serviço de água no estado.

Segundo José Carlos Souza, o MAV promoveu debates e organizou um projeto de iniciativa popular protocolado na Câmara Municipal de Feira de Santana em 2002, acompanhado de 24.896 assinaturas, número superior ao mínimo exigido, que seria de 13 mil.

Ainda conforme o fundador do movimento, após declarações públicas do então senador Antônio Carlos Magalhães negando a privatização do serviço de água, municípios que haviam aprovado legislações relacionadas ao tema revogaram as medidas. Em 2003, a entidade passou a utilizar oficialmente o nome Movimento Água é Vida, ampliando sua atuação em todo o território baiano.

Criação de órgãos ambientais e conselhos municipais

José Carlos Souza afirmou que o movimento também participou de ações voltadas à preservação ambiental e à criação de estruturas públicas ligadas ao meio ambiente em Feira de Santana.

Segundo ele, o MAV realizou seminários, caminhadas e debates voltados à proteção de lagoas e nascentes. Em 2006, promoveu uma conferência de meio ambiente no município. O dirigente destacou que, naquele período, Feira de Santana ainda não possuía Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

“E não existia Secretaria de Meio Ambiente. Mas, a partir de uma interferência nossa foi criada”, declarou. Conforme o relato, outra conferência realizada em 2008 contribuiu para a criação do Conselho Municipal de Meio Ambiente.

O fundador também citou a implantação de conselhos locais de saúde, alinhados à Resolução nº 333 do Sistema Único de Saúde (SUS), como parte dos legados do movimento.

Educação ambiental e propostas apresentadas ao Governo da Bahia

Durante o pronunciamento, José Carlos Souza afirmou que o MAV passou a atuar também na área de educação ambiental integral, desenvolvendo projetos e participando de licitações em diferentes localidades.

Ele destacou ainda iniciativas relacionadas à coleta de óleo de fritura e alertou para projeções de redução da disponibilidade de água para consumo humano nas próximas décadas.

O dirigente criticou a ausência de resposta a uma proposta encaminhada em 2023 ao governador Jerônimo Rodrigues. O documento sugeria que órgãos estaduais atuassem como pontos de coleta de óleo doméstico usado e que a conta de água da Embasa pudesse ser utilizada para arrecadação de doações destinadas a entidades sociais.


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