A chegada do navio de cruzeiro MV Hondius às Ilhas Canárias provocou mobilização das autoridades sanitárias da Espanha e ampliou tensões políticas e sociais no país após a confirmação de mortes relacionadas ao hantavírus. A Organização Mundial da Saúde afirmou nesta sexta-feira (08/05/2026) que existe possibilidade de surgirem novos casos da doença, embora o risco de surto permaneça limitado.
Segundo a OMS, uma comissária de bordo da KLM, hospitalizada em Amsterdã após apresentar sintomas leves compatíveis com hantavírus, testou negativo para a doença. Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da cepa andina do vírus.
O governo espanhol acompanha a situação devido à previsão de chegada do navio no domingo (10/05/2026), quando será realizada uma operação de desembarque controlado, transferência sanitária e repatriação de passageiros. As medidas incluem protocolos especiais para impedir contato entre os viajantes e a população local.
Espanha impede atracação do navio em Tenerife
Uma das principais decisões anunciadas pelas autoridades espanholas foi impedir que o navio atraque diretamente no porto de Tenerife. O barco permanecerá ancorado próximo à costa, enquanto o desembarque ocorrerá por meio de embarcações de apoio sob controle sanitário.
O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, afirmou que a medida busca reduzir riscos de contágio durante a operação de retirada dos passageiros. Segundo o governo regional, o transporte até o aeroporto será realizado sob monitoramento específico das autoridades de saúde.
O Ministério da Saúde da Espanha informou que os passageiros serão avaliados ainda a bordo e somente poderão deixar o navio quando toda a logística de repatriação estiver concluída. A estratégia prevê um desembarque rápido e controlado, sem circulação dos viajantes pela ilha.
Governo espanhol organiza repatriação direta dos passageiros
Após o desembarque, os passageiros deverão ser encaminhados diretamente do porto para o aeroporto, sem contato com moradores locais. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, declarou que passageiros estrangeiros serão repatriados imediatamente, desde que não haja contraindicação médica.
A operação sanitária ganhou repercussão nas Ilhas Canárias, especialmente em Tenerife, onde moradores e trabalhadores passaram a demonstrar preocupação com a presença do navio próximo à costa. Em entrevistas à AFP, residentes afirmaram que o tema domina os debates locais nos últimos dias.
Apesar do clima de preocupação, parte da população também defende a necessidade de assistência humanitária aos passageiros e tripulantes que permanecem a bordo do cruzeiro.
Trabalhadores portuários criticam falta de informações
Além das reações da população local, trabalhadores portuários também demonstraram insatisfação com a condução da operação. Integrantes da organização “Trabalhadores pelos Portos de Tenerife”, que reúne funcionários dos portos de Santa Cruz de Tenerife e Granadilla, ameaçaram bloquear atividades portuárias.
Os representantes da categoria alegam falta de clareza sobre os protocolos de segurança e afirmam que as autoridades não detalharam adequadamente os procedimentos sanitários que serão adotados durante a aproximação do navio.
Alguns trabalhadores relataram receio de participar diretamente das operações marítimas ligadas ao desembarque. Uma manifestação foi convocada para o meio-dia desta sexta-feira (08/05/2026), em Santa Cruz de Tenerife.
Sindicato do setor marítimo apoia estratégia sanitária
A posição dos trabalhadores, porém, não é unânime. O sindicato Coordinadora Estatal de Trabajadores del Mar informou que não apoia paralisações ou protestos relacionados à operação.
Segundo a entidade, a decisão de manter o navio ancorado próximo à costa representa a alternativa considerada mais adequada do ponto de vista sanitário e operacional. O sindicato afirmou ainda que acompanha as orientações das autoridades de saúde pública.
A divergência entre diferentes grupos do setor portuário ampliou o debate sobre segurança sanitária, transparência governamental e responsabilidade operacional durante a chegada do cruzeiro às Ilhas Canárias.
Caso provoca desgaste entre governo espanhol e Ilhas Canárias
A condução da operação também gerou desgaste político entre o governo central da Espanha e a administração regional das Ilhas Canárias. Fernando Clavijo criticou inicialmente a falta de informações e afirmou que decisões haviam sido tomadas sem consulta prévia às autoridades locais.
O governo espanhol negou as acusações. Mónica García declarou que houve contato permanente entre Madri e a administração regional durante toda a preparação da operação envolvendo o navio.
Após dias de tensão política, o primeiro-ministro Pedro Sánchez telefonou para Fernando Clavijo em tentativa de reduzir o desgaste institucional. Além disso, autoridades nacionais e regionais participaram de reunião realizada na quinta-feira (07/05/2026) para discutir detalhes do desembarque e dos protocolos sanitários.
Divergências sobre quarentena ampliam debate político
Lideranças da oposição passaram a cobrar mais transparência sobre os protocolos de saúde e os critérios utilizados para levar o navio até Tenerife. O debate também atingiu integrantes do próprio governo espanhol.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que eventual quarentena para passageiros espanhóis seria voluntária. Já Mónica García declarou que o Estado possui instrumentos legais para impor isolamento sanitário, se necessário.
Apesar das divergências internas, a ministra da Saúde afirmou que acredita no cumprimento espontâneo das orientações pelas pessoas que estão a bordo do cruzeiro. Enquanto isso, a OMS segue monitorando a situação e avaliando possíveis desdobramentos relacionados ao hantavírus.
*Com informações da RFI.











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