Operação contra a Cosa Nostra confisca mais de € 200 milhões ligados a Matteo Messina Denaro em vários países

As autoridades da Itália anunciaram na quinta-feira (28/05/2026) o confisco de mais de € 200 milhões em ativos ligados ao ex-líder da máfia siciliana Matteo Messina Denaro, morto em 2023 após décadas como um dos homens mais procurados do país. A operação foi conduzida pela Guarda de Finanças italiana e envolveu investigações patrimoniais em diversos países da Europa e do Oriente Médio.

Segundo comunicado oficial das autoridades italianas, os bens apreendidos teriam origem principalmente no tráfico internacional de drogas, com recursos reinvestidos ao longo de mais de quatro décadas em empresas, imóveis, instituições financeiras e instrumentos de investimento.

A investigação foi coordenada pela polícia econômica e financeira de Palermo, na Sicília, e teve como foco a reconstrução do patrimônio acumulado pela Cosa Nostra, organização mafiosa historicamente ligada ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro.

Investigação identificou empresas offshore, hotéis de luxo e reservas em ouro

De acordo com os investigadores, os recursos ilícitos foram incorporados gradualmente à economia formal por meio de holdings, contas bancárias, participações acionárias e empresas registradas em diferentes jurisdições internacionais.

As autoridades identificaram operações financeiras e patrimoniais na Espanha, Luxemburgo, Mônaco, ilhas Cayman, Líbano, Gibraltar, além de movimentações sob investigação em Andorra e na Suíça.

Entre os ativos confiscados estão 22 imóveis, incluindo hotéis e empreendimentos localizados em regiões da Costa del Sol, na Espanha, como Marbella, Benahavís e Puerto Banús. Também foram apreendidos investimentos financeiros avaliados em cerca de € 12,5 milhões, além de participações em um banco libanês e mais de 12 quilos de ouro.

Autoridades utilizaram drones e scanners térmicos na operação

A operação mobilizou equipes especializadas em rastreamento patrimonial e tecnologia financeira. Segundo a Guarda de Finanças, os investigadores utilizaram drones, meios aéreos e scanners térmicos para localizar compartimentos secretos e estruturas ocultas utilizadas para esconder bens e documentos.

Especialistas em análise computacional também participaram das diligências para rastrear carteiras digitais e possíveis ativos em criptomoedas associados ao esquema financeiro investigado.

A investigação resultou ainda na prisão preventiva de três pessoas. O caso teve início após informações encaminhadas pelas autoridades de Andorra envolvendo uma mulher nascida em Campobello di Mazara, cidade da Sicília apontada como área de influência de Matteo Messina Denaro.

Matteo Messina Denaro foi preso após 30 anos foragido

Matteo Messina Denaro foi capturado em janeiro de 2023, em Palermo, após permanecer cerca de 30 anos foragido da Justiça italiana. No momento da prisão, ele realizava tratamento contra um câncer. O mafioso morreu meses depois, aos 61 anos.

Considerado um dos principais líderes da Cosa Nostra, Denaro acumulava seis condenações à prisão perpétua por crimes relacionados à máfia siciliana. Entre os processos estavam condenações pela participação nos assassinatos dos juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992.

Ele também foi responsabilizado por atentados ocorridos em Roma, Florença e Milão em 1993. As investigações italianas ainda relacionaram o mafioso ao sequestro e assassinato do filho de uma testemunha ligada ao caso Falcone.

Ministério Público antimáfia aponta impacto estratégico da apreensão

O procurador nacional antimáfia da Itália, Giovanni Melillo, classificou a operação como estratégica para enfraquecer financeiramente a Cosa Nostra após a morte de Matteo Messina Denaro.

Segundo ele, além da apreensão patrimonial, a ação busca impedir a reorganização econômica da organização mafiosa e interromper fluxos financeiros associados ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro.

As autoridades italianas informaram que as investigações seguem em andamento e podem resultar em novas apreensões patrimoniais em outros países ligados às movimentações financeiras atribuídas ao grupo mafioso.

*Com informações da RFI.


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