A Prefeitura de Feira de Santana deu um passo decisivo na sexta-feira (15/05/2026) para viabilizar a construção, operação e manutenção do novo Hospital Municipal de Feira de Santana, durante sessão pública realizada na B3, em São Paulo. O certame da Parceria Público-Privada (PPP) foi vencido pelo Consórcio Saúde Feira de Santana, representado pela corretora Necton Investimentos, com proposta de R$ 6.287.200,00 e contrato previsto para 20 anos. O projeto é apresentado pelo município como uma das maiores iniciativas de infraestrutura em saúde pública já estruturadas por uma cidade do interior do Nordeste.
A licitação foi realizada no modelo de concessão administrativa, formato em que o parceiro privado assume responsabilidades relacionadas à implantação, operação e manutenção da estrutura, conforme as regras previstas no contrato. Com a definição do vencedor, o projeto entra agora na fase de cumprimento das etapas formais necessárias à assinatura contratual e à organização do cronograma executivo.
Segundo as informações apresentadas, a expectativa é que, após a conclusão das exigências legais e a assinatura do contrato, sejam iniciadas as fases de mobilização, implantação e execução das obras. A entrada em operação da unidade ocorrerá após a conclusão da construção e da etapa de comissionamento, procedimento necessário para testar instalações, equipamentos, fluxos e sistemas antes do início pleno dos atendimentos.
A sessão na B3 contou com a presença de representantes da Prefeitura de Feira de Santana, entre eles o prefeito José Ronaldo, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, o secretário de Planejamento, Carlos Brito, a secretária de Administração, Sandra Carvalho, o secretário de Obras, João Silva, e o procurador-geral do Município, Antônio Leal. Também participaram Mônica Salles, gerente de relacionamento e governança em licitações da B3, técnicos responsáveis pela estruturação do projeto e representantes dos consórcios participantes.
Hospital terá 110 leitos, UTI, centro cirúrgico e parque de bioimagem
O novo Hospital Municipal de Feira de Santana foi estruturado para funcionar como unidade de alta complexidade, com aproximadamente 14 mil metros quadrados de área construída. O projeto prevê 110 leitos de internação, 10 leitos de UTI, centro cirúrgico moderno e parque de bioimagem equipado com ressonância magnética, tomografia e ultrassonografia.
A unidade deverá realizar atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a capacidade assistencial do município. A proposta é reduzir gargalos da rede pública, fortalecer o atendimento hospitalar e ampliar a oferta de serviços especializados para Feira de Santana e municípios do entorno.
Pela posição geográfica e pelo peso regional de Feira de Santana, a futura unidade também deverá atender a uma demanda que ultrapassa os limites administrativos da cidade. O município exerce função estratégica na rede de serviços da Bahia, especialmente por sua localização como entroncamento rodoviário e polo urbano de referência para diversas cidades do interior.
Projeto busca consolidar Feira de Santana como polo regional de saúde
A implantação do novo hospital municipal tem potencial para ampliar o papel de Feira de Santana como polo regional de saúde. O município já recebe pacientes de diferentes localidades, o que pressiona a rede pública e exige planejamento de longo prazo para absorver demandas crescentes por internação, cirurgia, diagnóstico por imagem e cuidados intensivos.
Com a nova unidade, a gestão municipal pretende modernizar a infraestrutura hospitalar e ampliar a capacidade de resposta do sistema público. A presença de UTI, centro cirúrgico e equipamentos de bioimagem indica que o projeto busca atender não apenas demandas básicas, mas também procedimentos de maior complexidade.
O modelo de PPP também aponta para uma tentativa de garantir previsibilidade contratual, manutenção contínua da estrutura e operação planejada ao longo de duas décadas. Em projetos desse porte, a definição clara de responsabilidades, indicadores de desempenho e fiscalização pública será decisiva para assegurar a qualidade dos serviços prestados à população.
Impacto econômico prevê empregos e movimentação de cadeias produtivas
Além do impacto assistencial, o projeto deverá produzir efeitos econômicos durante a fase de implantação e ao longo da operação. A expectativa é de geração de centenas de empregos durante as obras e de mais de 500 postos de trabalho diretos durante o funcionamento da unidade hospitalar.
A construção do hospital também deverá movimentar cadeias ligadas à construção civil, tecnologia hospitalar, manutenção predial, equipamentos médicos, segurança, limpeza, alimentação, serviços especializados e logística. Esse conjunto de atividades tende a ampliar a circulação econômica no município, sobretudo em setores vinculados à prestação de serviços.
A operação por 20 anos cria uma agenda de longo prazo para o setor público e para o parceiro privado. Nesse contexto, a capacidade de fiscalização contratual da Prefeitura será elemento central para garantir que os resultados prometidos sejam convertidos em atendimento efetivo, manutenção adequada e eficiência operacional.
Interesse do mercado reforça avanço das PPPs municipais
O interesse do mercado no certame evidencia o crescimento das Parcerias Público-Privadas municipais no Brasil, especialmente em áreas de infraestrutura social. Nos últimos anos, projetos em saúde, saneamento, iluminação pública e mobilidade passaram a atrair maior atenção de fundos, operadores especializados e grupos voltados a concessões de longo prazo.
No caso de Feira de Santana, o projeto reuniu características que tendem a despertar interesse de operadores privados: demanda pública consolidada, escala regional, contrato de longa duração e necessidade de modernização da rede hospitalar. Esses fatores ajudam a explicar a relevância do certame para o município e para o mercado de infraestrutura.
A modelagem foi conduzida pela Prefeitura de Feira de Santana, por meio das secretarias municipais de Planejamento e Saúde, com apoio técnico da B3, responsável pela sessão pública da licitação. A participação da bolsa em processos desse tipo tem se tornado recorrente em projetos de concessão e PPP, por conferir ambiente formal, padronizado e transparente à disputa pública.
José Ronaldo afirma que projeto representa investimento histórico
Durante a sessão, o prefeito José Ronaldo afirmou que o novo hospital representa um investimento de grande alcance para Feira de Santana e para a região. Segundo ele, a iniciativa deverá ampliar a rede pública, gerar empregos e reposicionar o município no cenário de infraestrutura em saúde.
“Estamos falando de um investimento histórico, capaz de transformar a infraestrutura de saúde de Feira de Santana e de toda a região. É um projeto que amplia a capacidade de atendimento da rede pública, gera empregos, movimenta a economia e posiciona a cidade em um novo patamar dentro do cenário nacional de infraestrutura e desenvolvimento regional”, afirmou o prefeito.
A declaração sintetiza o principal argumento político e administrativo da gestão municipal: o hospital é tratado não apenas como obra física, mas como equipamento estruturante para a saúde pública e para o desenvolvimento regional. A efetividade dessa expectativa, contudo, dependerá da execução contratual, do cumprimento dos prazos e da capacidade de integração da nova unidade à rede pública existente.

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