Projeto Vozes da Feira transforma Centro de Abastecimento de Feira de Santana em palco de poesia, cordel e batalhas de rima

O Centro de Abastecimento de Feira de Santana recebeu, no sábado (09/05/2026), a primeira intervenção cultural do projeto “Vozes da Feira – Festival de Literatura Oral”. A iniciativa levou apresentações de poesia, música, contação de histórias, cordel e batalhas de rima ao espaço comercial da cidade.

As atividades ocorreram em frente ao Galpão de Cereais e reuniram artistas locais, comerciantes, trabalhadores e frequentadores que circulavam entre o Centro de Abastecimento e o Shopping Cidade das Compras.

O projeto busca ampliar o acesso à cultura por meio da ocupação de espaços populares e de grande circulação, promovendo manifestações ligadas à literatura oral, cultura popular e convivência comunitária em diferentes regiões de Feira de Santana.

Festival promove literatura oral em espaços populares

Segundo a organização, a proposta do festival é aproximar manifestações artísticas do cotidiano da população, utilizando ambientes tradicionalmente ligados ao comércio popular como palco para apresentações culturais.

Durante a programação, o público acompanhou atividades voltadas à oralidade e interagiu com os artistas participantes ao longo das apresentações realizadas na feira livre.

A narradora Daniela Landin apresentou o espetáculo “Vozes da Natureza”, inspirado em contos indígenas e em temas relacionados ao meio ambiente e à ancestralidade.

“Não é comum trazer a palavra falada para os espaços da feira livre a partir de atividades artísticas. Acho que isso desperta interesse tanto dos comerciantes quanto dos frequentadores”, afirmou a artista.

Cordel, repente e cultura nordestina marcaram apresentações

O cordelista Domingos Santeiro levou ao público apresentações de poesia, repente, contos e canções ligadas à cultura nordestina e ao universo rural.

Segundo o artista, o ambiente da feira livre mantém relação histórica com expressões populares representadas pelo cordel e pela literatura oral.

As apresentações reuniram diferentes linguagens da oralidade e valorizaram manifestações culturais ligadas às tradições populares do Nordeste brasileiro.

O coletivo Pipas Literarts apresentou o espetáculo “João Giló no Sertão”, adaptado para dialogar com o público presente no Centro de Abastecimento.

Espetáculos abordaram identidade regional e interação com o público

Para o artista Léo Sátiro, a realização de atividades culturais em espaços populares amplia as possibilidades de interação entre artistas e diferentes públicos.

“É um público diferente. Não é necessariamente quem senta para assistir do começo ao fim. É gente que passa, para um pouco, leva um pedaço da história consigo”, declarou.

A programação também contou com apresentações da poeta, atriz e influenciadora baiana Luma Luz, que levou poemas relacionados à ancestralidade, enfrentamento ao racismo e combate à violência contra mulheres e crianças.

A atividade teve participação da escritora e palestrante Caroline Vilarinho, ampliando o debate sobre identidade cultural e questões sociais abordadas durante o festival.

Movimento hip-hop integrou programação cultural

Representando o movimento hip-hop, o coletivo Batalha do Portal promoveu batalhas de rima adaptadas ao contexto do festival.

Segundo o artista Avelix, a ocupação de novos espaços culturais fortalece a circulação de manifestações urbanas em Feira de Santana.

“A intenção é ocupar os espaços de Feira. Hoje conseguimos visualizar possibilidades de novas intervenções aqui também”, afirmou.

As atividades também tiveram participação ativa do público que frequenta diariamente o Centro de Abastecimento, incluindo comerciantes, trabalhadores e consumidores da feira.

Festival contou com acessibilidade em Libras

A programação do “Vozes da Feira – Festival de Literatura Oral” contou com intérpretes de Libras durante todas as apresentações realizadas no Centro de Abastecimento.

O humorista surdo Waton Filho destacou a importância da acessibilidade para ampliar a participação do público surdo nas atividades culturais.

“A presença do intérprete possibilita inclusão e interação de todo o público. Quando a tradução é feita com qualidade, a gente consegue até sentir a música”, afirmou.

A mediação em Libras foi conduzida pela intérprete Jamile Costa, responsável pelo acompanhamento das apresentações do festival.

Próximas ações acontecerão em outras feiras de Feira de Santana

Segundo a organização, o projeto continuará promovendo ações culturais em outros espaços populares da cidade ao longo do mês de maio.

A próxima edição acontecerá no sábado (17/05/2026), na Feira da Estação Nova. Já no sábado (24/05/2026), as apresentações serão realizadas na Feira do Tomba.

O festival seguirá levando literatura oral, música, poesia, cordel e manifestações culturais para diferentes regiões de Feira de Santana, ampliando o acesso da população às atividades culturais em espaços públicos e comerciais.


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