Secretário Marco Rubio reafirma apoio ao direito de defesa de Israel e diz que EUA avançam em acordo com o Irã sobre Estreito de Ormuz

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (25/05/2026) que Israel manterá o direito de reagir militarmente em defesa própria, mesmo diante de um eventual acordo diplomático entre Washington e Teerã. A declaração ocorreu durante visita oficial à Índia, em meio às negociações envolvendo os governos americano e iraniano.

Segundo Rubio, “todos os países do mundo” possuem o direito de defesa, incluindo Israel diante de possíveis ataques do Hezbollah. A fala reforça posicionamentos recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

No domingo (24/05/2026), Netanyahu informou que Trump reiterou, durante conversa telefônica, o direito de Israel manter operações militares no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O conflito regional segue mobilizando discussões diplomáticas entre aliados ocidentais e governos do Oriente Médio.

Negociações entre Estados Unidos e Irã avançam

Marco Rubio declarou que os Estados Unidos estão próximos de um acordo considerado “sólido” com o Irã, envolvendo principalmente a situação do Estreito de Ormuz e futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo o secretário de Estado, o entendimento poderá abrir caminho para a retomada gradual da circulação marítima na região. Rubio afirmou que havia expectativa de avanço nas negociações ainda nesta segunda-feira (25/05/2026), mas evitou antecipar detalhes sobre a conclusão das tratativas.

Donald Trump também comentou o tema por meio da plataforma Truth Social. O presidente afirmou ter orientado representantes americanos a não acelerarem a assinatura de um acordo, destacando que os Estados Unidos manterão o bloqueio aos portos iranianos até que um entendimento definitivo seja concluído e formalizado.

Bloqueio do Estreito de Ormuz afeta economia global

O Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos estratégicos do comércio internacional de energia. Antes do conflito atual, cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo transitava pela região.

O bloqueio marítimo imposto pelo Irã há quase três meses continua provocando impactos sobre mercados globais, cadeias logísticas e abastecimento energético. Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, o acordo em negociação permitiria a retomada da navegação comercial no estreito.

As conversas diplomáticas também incluem medidas relacionadas ao descongelamento de ativos iranianos mantidos em bancos internacionais, segundo informações divulgadas pela CBS News. No entanto, agências iranianas afirmam que ainda existem divergências sobre cláusulas relacionadas à liberação desses recursos financeiros.

Suspensão de sanções ao setor energético está em debate

De acordo com a agência iraniana Fars, as negociações também envolvem a possibilidade de suspensão de sanções contra os setores de petróleo, gás e petroquímicos do Irã, permitindo a retomada das exportações desses produtos durante a continuidade das conversas diplomáticas.

Apesar do avanço nas negociações, Marco Rubio destacou que o acordo atual não inclui diretamente o programa nuclear iraniano. Segundo ele, as discussões sobre enriquecimento de urânio e controle nuclear exigirão uma etapa técnica posterior.

Em entrevista ao The New York Times, Rubio afirmou que, após a reabertura do Estreito de Ormuz, Estados Unidos e Irã deverão iniciar negociações específicas sobre urânio enriquecido, fiscalização internacional e compromisso de não desenvolvimento de armas nucleares. O secretário mencionou um prazo estimado de 60 dias para essa nova fase.

Israel, Hezbollah e Paquistão acompanham negociações

Benjamin Netanyahu afirmou no domingo (24/05/2026) que qualquer acordo definitivo com o Irã deverá “eliminar completamente a ameaça nuclear” representada por Teerã. A declaração foi divulgada após conversa telefônica com Donald Trump.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apontado como mediador das negociações, declarou esperar uma nova rodada de reuniões em breve. O primeiro encontro ocorreu em Islamabad em 11 de abril de 2026, sem conclusão definitiva.

O líder do Hezbollah, Naïm Qassem, afirmou esperar que um eventual acordo entre Washington e Teerã contemple interesses do Líbano. Ele também voltou a rejeitar negociações diretas entre o governo libanês e Israel e criticou propostas relacionadas ao desarmamento do grupo.

*Com informações da RFI.


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