Caio Nunez lança álbum “Nada Fica Fora do Lugar” e reúne ancestralidade, diáspora e memória afetiva em trabalho autoral

O cantor, compositor e guitarrista Caio Nunez lançou o álbum “Nada Fica Fora do Lugar”, primeiro disco completo de sua carreira e primeiro trabalho inédito após quatro anos. O projeto reúne referências ligadas à ancestralidade, memória afetiva, música brasileira e diáspora africana em um repertório construído a partir de experiências pessoais e influências culturais do artista.

Natural de Irajá, no subúrbio do Rio de Janeiro, Caio desenvolveu o álbum com base em lembranças familiares, convivência com músicos dentro de casa e encontros estéticos que passaram a influenciar sua produção nos últimos anos.

O disco apresenta uma combinação de ritmos afro-latinos, afrobeat, referências brasileiras e elementos contemporâneos ligados à cultura afrodiaspórica, organizados em faixas que exploram temas como identidade, pertencimento, espiritualidade e relações afetivas.

Produção reúne diferentes colaboradores e referências musicais

A produção do álbum foi dividida entre G.a.B.o, Léo Israel, Medeirin, Marcel Sousa e Bon Beats, responsáveis por construir as bases sonoras do projeto.

Segundo Caio Nunez, o processo coletivo permitiu criar unidade estética mesmo com diferentes linguagens musicais presentes nas faixas do disco.

Entre as influências citadas pelo artista estão nomes como Otto, Nação Zumbi, Carlinhos Brown, Sara Tavares, Mayra Andrade, Dino D’Santiago e Santana.

Faixas abordam espiritualidade, memória e diáspora africana

A abertura do álbum ocorre com a música “Dia de Oxalá”, parceria com Luellem de Castro, que aborda ancestralidade, espiritualidade e permanência.

Na sequência, a faixa “Ginga”, com participação de G.a.B.o, conduz o repertório por sonoridades ligadas ao afrobeat e à desaceleração da rotina cotidiana.

Outras canções exploram diferentes aspectos das experiências pessoais e culturais do artista. Em “Lótus”, Caio aproxima desejo e intimidade em uma narrativa baseada em ritmos afro-latinos, enquanto “Reticências”, parceria com Rashid, amplia o repertório com referências cotidianas e imagens simbólicas.

“Cavalo de Aço” conecta história familiar e cultura popular

A faixa “Cavalo de Aço” foi escrita em parceria com o pai do artista e incorpora elementos ligados ao jongo, griô e manifestações culturais populares.

Segundo o cantor, a música aproxima memórias familiares da construção artística do álbum e reforça a presença das referências herdadas durante a infância em Irajá.

Já a canção “Moçambique” aborda conexões entre o Brasil e países africanos de língua portuguesa, discutindo pertencimento, autoimagem e experiências da diáspora africana.

Álbum encerra percurso com debate sobre identidade e legado

Na parte final do disco, a faixa “Mil Motivos” aborda impactos da rotina sobre a sensibilidade cotidiana, enquanto “Valongo”, parceria com Luana Karoo, encerra o projeto discutindo identidade, legado e ancestralidade.

Foi a partir dessa última faixa que surgiu o título do álbum. Segundo Caio Nunez, o nome sintetiza a ideia de revisitar o passado sem permanecer preso a ele, compreendendo os elementos que continuam influenciando o presente.

O artista afirmou ainda que considera “Nada Fica Fora do Lugar” o trabalho mais pessoal e autoral de sua trajetória.

Trajetória de Caio Nunez inclui música, teatro e audiovisual

Caio Nunez iniciou sua trajetória na cena independente brasileira com o lançamento do EP “Akinauê”, em 2016, trabalho citado entre os discos nacionais de destaque daquele ano.

Nos anos seguintes, o artista atuou em produções ligadas à música, teatro e trilhas sonoras, incluindo trabalhos para o espetáculo “O Encontro: Malcolm X e Martin Luther King”.

Além da carreira solo, Caio também passou a atuar como compositor para artistas como Liniker, Rashid, Tássia Reis, Gabz, Yoún e Lucas e Orelha.


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