O deputado federal Afonso Florence (PT-BA) afirmou, nesta quinta-feira (04/06/2026), que a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Bahia reforça a avaliação de que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) mantém aproximação política com o bolsonarismo, em meio às articulações para a sucessão presidencial de 2026, à disputa pelo apoio do PL no estado e às críticas envolvendo alianças eleitorais, tempo de televisão, fundo partidário e o impacto político do caso Banco Master no debate público.
Florence associa visita de Flávio Bolsonaro à estratégia eleitoral da oposição baiana
Segundo Afonso Florence, a vinda de Flávio Bolsonaro ao estado ocorre em um contexto de reorganização da direita na Bahia e de pressão do PL por uma definição mais clara sobre o posicionamento de ACM Neto na eleição presidencial de 2026. Para o parlamentar petista, o movimento indica uma tentativa de consolidar a presença bolsonarista no estado e de ampliar a participação da sigla na construção do palanque oposicionista.
Florence sustenta que ACM Neto buscaria o apoio eleitoral do PL, o tempo de televisão da legenda e a estrutura política associada ao grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal. O deputado, porém, afirma que o ex-prefeito evita assumir publicamente essa aproximação por considerar que o bolsonarismo enfrenta resistência significativa entre parte do eleitorado baiano.
“ACM Neto tem o apoio do bolsonarismo, usa o tempo de TV do PL e recebe dinheiro de Vorcaro, mas tenta esconder isso do povo baiano. O presidente do seu partido é investigado pela PF, mas finge que o assunto não é com ele”, afirmou Florence, em crítica direta ao ex-prefeito de Salvador e ao comando nacional do União Brasil.
Caso Banco Master entra no centro da disputa política
Na avaliação do deputado federal, a controvérsia envolvendo o Banco Master passou a integrar o embate político entre governo e oposição na Bahia. Florence associa o episódio a relações políticas e empresariais que, segundo ele, exigiriam explicações públicas de lideranças partidárias ligadas ao União Brasil.
O parlamentar citou o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e mencionou supostas conexões com o empresário Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master. As declarações de Florence inserem a disputa baiana em um quadro nacional mais amplo, no qual a crise financeira e judicial do banco passou a ter repercussões políticas.
As afirmações, por envolverem pessoas, partidos e investigações em curso, devem ser compreendidas como manifestações políticas atribuídas ao deputado. Até o momento, o conteúdo apresentado por Florence é parte de uma disputa pública de narrativas em torno da sucessão estadual e presidencial, sem substituir a apuração formal conduzida pelos órgãos competentes.
Apoio do PL, fundo partidário e tempo de TV são pontos sensíveis na eleição de 2026
A movimentação do PL na Bahia tem importância estratégica para a oposição porque envolve recursos partidários, estrutura de campanha e tempo de propaganda eleitoral. Esses elementos costumam ter peso decisivo na formação de alianças, sobretudo em disputas majoritárias, nas quais a televisão, o rádio e a capilaridade partidária ainda exercem influência relevante.
Florence afirma que ACM Neto tenta se beneficiar dessa estrutura sem assumir integralmente o custo político de se alinhar ao bolsonarismo. Para o deputado, a estratégia consistiria em manter uma imagem pública de moderação, ao mesmo tempo em que se preservariam canais de interlocução com o PL e com lideranças ligadas à família Bolsonaro.
Nos últimos dias, ACM Neto evitou aprofundar o debate nacional ao afirmar que “o debate é sobre a Bahia”, após ser questionado sobre polêmicas envolvendo Flávio Bolsonaro. Para Florence, a declaração indicaria uma tentativa de deslocar o foco da discussão e reduzir o desgaste político provocado pela aproximação com o campo bolsonarista.
Câmara de Salvador aprovou homenagem a Flávio Bolsonaro
Afonso Florence também citou a aprovação, pela Câmara Municipal de Salvador, do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro. A homenagem foi interpretada por parlamentares da oposição como um gesto político de aproximação entre setores ligados à base municipal e o senador do PL.
Para Florence, a concessão da honraria antecipou a aliança que agora se tornaria mais visível com a presença de Flávio Bolsonaro na Bahia. O deputado argumenta que a movimentação institucional no Legislativo municipal, somada à agenda do senador no estado, enfraqueceria o discurso de distanciamento entre ACM Neto e o bolsonarismo.
“A base de Neto deu título a Flávio Bolsonaro. Agora Flávio vem à Bahia para reforçar essa costura. O que mais falta para Neto assumir que está no mesmo palanque da família Bolsonaro?”, questionou o parlamentar.
Deputado acusa ACM Neto de tentar manter “falsa moderação”
Na interpretação de Florence, ACM Neto busca repetir uma estratégia eleitoral baseada na apresentação pública de um perfil moderado, enquanto mantém relações políticas com setores mais à direita. O deputado afirma que essa postura teria como objetivo ampliar a base eleitoral sem comprometer a imagem do ex-prefeito diante de segmentos do eleitorado que rejeitam o bolsonarismo.
“Essa indefinição é uma forma de enganar o eleitor. Neto quer os votos da extrema direita, quer o tempo de TV, quer a máquina partidária do PL, mas não quer pagar o preço político de aparecer ao lado dela. Só que a política tem lado, tem escolha e tem consequência”, declarou Florence.
O parlamentar também afirmou que a Bahia não aceitaria uma estratégia de “esconde-esconde” eleitoral. Na sua avaliação, o eleitorado baiano distinguiria, de um lado, o campo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Jerônimo Rodrigues e, de outro, a aproximação entre ACM Neto, PL e bolsonarismo.
Reação petista busca vincular oposição baiana ao bolsonarismo
A fala de Afonso Florence integra uma estratégia mais ampla do PT baiano para enquadrar a oposição estadual como parte do projeto bolsonarista. Ao citar a visita de Flávio Bolsonaro, a homenagem aprovada em Salvador e o caso Banco Master, o deputado procura estabelecer uma conexão entre articulação eleitoral, interesses partidários e questionamentos éticos.
Esse tipo de disputa discursiva tende a se intensificar à medida que se aproxima o calendário eleitoral. Para o governo estadual e seus aliados, associar ACM Neto ao bolsonarismo pode ter efeito mobilizador entre eleitores lulistas. Para a oposição, por outro lado, o desafio será equilibrar o apoio de setores conservadores com a tentativa de dialogar com segmentos moderados do eleitorado.
A disputa, portanto, não se limita à agenda de Flávio Bolsonaro no estado. Ela envolve a definição dos campos políticos que disputarão a Bahia em 2026 e a forma como cada liderança pretende se posicionar diante da polarização nacional.
Disputa baiana reflete polarização nacional
A controvérsia expõe o peso da eleição presidencial de 2026 na política estadual baiana. Embora ACM Neto busque concentrar o discurso em temas locais, adversários petistas tentam nacionalizar o debate e associar o ex-prefeito à família Bolsonaro, ao PL e às pautas da direita nacional.
Essa disputa tem relevância porque a Bahia é um dos principais colégios eleitorais do país e historicamente ocupa posição estratégica nas campanhas presidenciais. O estado foi decisivo para o desempenho nacional do campo lulista nas últimas eleições e permanece como território prioritário para as articulações do PT, do PL e do União Brasil.
Nesse cenário, a presença de Flávio Bolsonaro na Bahia funciona como elemento simbólico e prático. Simbólico, porque reforça a tentativa do bolsonarismo de ampliar presença no Nordeste; prático, porque interfere diretamente nas negociações sobre palanque, alianças, tempo de propaganda e composição das chapas para 2026.








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