O avanço do surto de ebola da estirpe Bundibugyo na República Democrática do Congo (RD Congo) e em Uganda levou a uma mobilização internacional liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC). Nesta sexta-feira (05/06/2026), os diretores-gerais das duas instituições apresentaram, em Genebra, um plano continental de resposta avaliado em US$ 518 milhões, destinado a fortalecer as ações de contenção da doença entre junho e novembro deste ano.
A iniciativa foi anunciada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e pelo diretor-geral do África CDC, Jean Kaseya, diante da ampliação dos registros da doença em dois países vizinhos da África Central. O plano busca coordenar esforços nacionais e internacionais para interromper cadeias de transmissão e ampliar a capacidade de resposta dos sistemas de saúde afetados.
Os dados mais recentes apontam um total acumulado de 906 casos suspeitos e 223 mortes associadas ao surto desde maio. Segundo as autoridades sanitárias, as notificações chegaram a 134 casos registrados, incluindo nove em Uganda, enquanto 18 óbitos foram oficialmente validados. O alerta internacional ganhou força após a confirmação de 49 novos casos em curto intervalo de tempo.
Plano prevê resposta integrada e atuação até novembro
Durante o lançamento da estratégia, Tedros explicou que o plano foi estruturado com base em quatro princípios centrais. O primeiro deles é a atuação conjunta entre governos, organismos internacionais e parceiros humanitários, sob a liderança dos países afetados.
De acordo com o dirigente da OMS, a proposta segue o conceito de “um plano, um orçamento e uma equipe”, permitindo que diferentes instituições atuem de forma coordenada na resposta à emergência sanitária.
O segundo princípio envolve a adoção de medidas práticas e imediatas voltadas para o controle do surto atual e para a redução do risco de propagação da doença além das fronteiras dos países afetados.
Investimento busca fortalecer contenção e vigilância epidemiológica
O terceiro eixo da estratégia estabelece uma janela de atuação intensiva de seis meses, abrangendo o período entre junho e novembro. Já o quarto elemento corresponde ao financiamento total estimado em US$ 518 milhões, valor que será destinado às operações de contenção e prevenção da doença.
Segundo a OMS, os recursos serão empregados em atividades relacionadas à vigilância epidemiológica, diagnóstico laboratorial, atendimento clínico, prevenção e controle de infecções, logística e coordenação de emergências.
Tedros destacou ainda a participação de organizações parceiras, entre elas o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), a Cruz Vermelha Internacional e a aliança global de diagnósticos Findx. O objetivo é ampliar a capacidade operacional e garantir apoio contínuo aos países atingidos.
Lições de epidemias anteriores orientam estratégia
Ao apresentar a iniciativa, o diretor-geral da OMS ressaltou que a comunidade internacional possui experiência acumulada em respostas anteriores ao ebola e a outras emergências sanitárias.
Segundo Tedros, as operações serão guiadas por três fatores considerados essenciais: rapidez, coordenação e consistência. A proposta é assegurar que as decisões sejam tomadas com base em protocolos comuns e em mecanismos compartilhados de monitoramento e avaliação.
Além das ações emergenciais, a estratégia pretende fortalecer os sistemas locais de saúde para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta diante de futuras crises epidemiológicas.
Comunidades locais e combate à desinformação são prioridades
Entre os componentes considerados fundamentais para o sucesso da operação está o envolvimento direto das comunidades afetadas. Para a OMS, a participação da população é determinante para o rastreamento de contatos, o isolamento de casos suspeitos e a adoção de medidas preventivas.
A estratégia também prevê campanhas de comunicação pública voltadas para o enfrentamento da desinformação. As autoridades sanitárias alertam que informações incorretas podem comprometer o controle do surto e dificultar a adesão às medidas de proteção.
Segundo a organização, o processo de contenção depende de uma sequência integrada de ações: vigilância epidemiológica, testagem rápida, isolamento de casos confirmados, tratamento adequado e proteção de profissionais de saúde e pacientes.
Monitoramento financeiro e proteção regional integram próximos passos
A OMS e o África CDC anunciaram a criação de um mecanismo de monitoramento financeiro para acompanhar, em tempo real, a aplicação dos recursos, os compromissos assumidos pelos parceiros internacionais e as necessidades adicionais de financiamento.
Embora o foco principal esteja na RD Congo e em Uganda, o plano também contempla medidas preventivas para países vizinhos. O intenso fluxo de pessoas nas regiões de fronteira é apontado pelas autoridades como um fator de risco para a disseminação da doença.
Os responsáveis pela iniciativa afirmam que os resultados dependerão da continuidade do apoio político, da disponibilidade de recursos financeiros e da cooperação internacional para garantir a execução das ações previstas até novembro.
*Com informações da ONU News.









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