Surto de ebola na RD Congo chega a 3.605 casos e 1.587 mortes; OMS reforça resposta e alerta para risco de propagação internacional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) intensificou as ações para conter o maior surto de ebola já registrado na República Democrática do Congo (RD Congo). Até 30 de julho 2026, o país contabilizava 3.605 casos confirmados e 1.587 mortes, com taxa de letalidade de 44%. O avanço da doença levou ao reforço da infraestrutura de atendimento, ao envio de missões internacionais e à ampliação das medidas de vigilância epidemiológica.

Segundo a OMS, o surto apresenta uma expansão geográfica acelerada, impulsionada pela circulação de pessoas, deslocamentos populacionais, insegurança e movimentos transfronteiriços. As autoridades sanitárias alertam que a resposta precisa ser ampliada para reduzir o risco de disseminação do vírus para outros países da região.

O foco das operações concentra-se na cidade de Nizi, próxima a Mongbwalu, onde vivem mais de 80 mil pessoas deslocadas distribuídas em 22 acampamentos. A intensa movimentação populacional, associada à atividade mineradora, é apontada como um dos fatores que favorecem a transmissão da doença.

Centro de tratamento amplia capacidade e OMS reforça resposta ao vírus bundibugyo

Como parte das medidas emergenciais, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo recebeu 30 novas camas e 38 colchões, ampliando para 80 leitos a capacidade do Centro de Tratamento de Ebola instalado na região prioritária.

O atual surto é provocado pelo vírus bundibugyo, uma das variantes do vírus ebola. A OMS informou que a ampliação da estrutura hospitalar busca responder ao aumento do número de pacientes e fortalecer o atendimento nas áreas mais afetadas.

Os dados mais recentes mostram uma aceleração da transmissão. Em apenas uma semana, foram registrados 567 novos casos e 296 mortes, o maior número semanal desde o início da atual emergência sanitária.

Casos alcançam cinco províncias e 49 zonas de saúde

O surto começou na zona de saúde de Mongbwalu, localizada na província de Ituri, mas atualmente já atinge 49 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo.

De acordo com a OMS, fatores como conflitos armados, deslocamentos populacionais, alta mobilidade, atividade mineradora e movimentos transfronteiriços dificultam as operações de vigilância, rastreamento de contatos e atendimento médico, aumentando o risco de propagação internacional.

A organização ressalta que a resposta depende da integração entre assistência médica, vigilância epidemiológica, mobilização comunitária e cooperação entre os países da região.

Missão internacional busca fortalecer segurança sanitária na África

Além das ações no terreno, a resposta ao surto mobiliza organismos internacionais e autoridades de saúde pública africanas. O Escritório da OMS em Uganda recebeu o diretor regional da organização para a África, Mohamed Janabi, em uma missão de alto nível voltada ao fortalecimento da cooperação regional.

A agenda também conta com a participação do diretor-geral do Africa CDC (Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças), Jean Kaseya. A iniciativa busca ampliar o engajamento de governos e parceiros internacionais para fortalecer a segurança sanitária e a preparação para futuras emergências de saúde pública.

Após visita ao escritório da OMS em Kampala, capital de Uganda, Mohamed Janabi reuniu-se com equipes técnicas para discutir estratégias de ampliação da promoção da saúde e do fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde, com foco na construção de respostas mais resilientes em todo o continente africano.

*Com informações da ONU News.


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