Empresários defendem equilíbrio fiscal e sete propostas para reduzir Custo Brasil no debate eleitoral de 2026

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) e entidades empresariais do setor produtivo lançaram, nesta terça-feira, 16/06/2026, a agenda “Compromissos para um Brasil Competitivo”, documento voltado ao debate econômico das eleições presidenciais de outubro, com sete propostas organizadas em torno de três metas centrais: elevar a taxa de investimento para 20% do Produto Interno Bruto (PIB), reduzir em 25% o Custo Brasil e colocar o país entre as 30 economias mais competitivas do mundo até 2030.

Agenda empresarial mira produtividade, eficiência e crescimento sustentável

O documento parte do diagnóstico de que o Brasil convive com entraves estruturais que limitam a produtividade, encarecem a produção, reduzem a previsibilidade dos investimentos e comprometem a inserção competitiva do país no cenário internacional. A agenda foi apresentada como contribuição do setor produtivo ao debate eleitoral, com foco em medidas de médio e longo prazo.

Segundo os dados apresentados pelas entidades, a taxa de investimento brasileira está abaixo do patamar considerado necessário para sustentar um ciclo mais robusto de crescimento. O documento toma como referência o índice de 16,8% do PIB, enquanto a meta defendida é alcançar 20% do PIB, nível considerado mais compatível com a modernização da infraestrutura, expansão produtiva e inovação tecnológica.

Outro eixo central é a redução do chamado Custo Brasil, conjunto de obstáculos administrativos, tributários, regulatórios, logísticos, energéticos, trabalhistas e jurídicos que aumentam o custo de produzir, investir e empreender no país. Conforme a agenda empresarial, esse peso corresponde a 19,5% do PIB, e a proposta é reduzi-lo em 25%.

Três metas estruturam propostas para competitividade

A primeira meta da agenda é elevar a taxa de investimento para 20% do PIB, o que dependeria, segundo o setor produtivo, de maior estabilidade macroeconômica, previsibilidade regulatória, segurança jurídica, infraestrutura eficiente e ampliação do acesso a tecnologias.

A segunda meta é reduzir em 25% o Custo Brasil, com medidas voltadas à diminuição da burocracia, melhoria da regulação, redução de ineficiências logísticas, modernização do sistema energético e enfrentamento de mercados ilegais que afetam a atividade produtiva formal.

A terceira meta busca posicionar o Brasil entre as 30 economias mais competitivas do mundo até 2030, conforme o Ranking Global de Competitividade do IMD. O país aparece atualmente na 58ª colocação entre 69 economias avaliadas, indicador que reforça, na avaliação das entidades, a distância entre o potencial econômico brasileiro e o desempenho efetivo no ambiente global de negócios.

Equilíbrio fiscal aparece como primeira proposta da coalizão

A primeira proposta do documento é promover o equilíbrio fiscal de longo prazo. O ponto é apresentado como condição para ampliar a confiança de investidores, reduzir incertezas macroeconômicas e permitir a queda estrutural do custo do capital no país.

Entre as medidas sugeridas estão a moderação do crescimento das despesas obrigatórias, a revisão de mecanismos de indexação de gastos públicos ao salário mínimo, inclusive benefícios previdenciários, e o combate aos chamados supersalários no setor público.

A defesa do equilíbrio fiscal não aparece isolada na agenda. Ela é articulada à ideia de que a estabilidade das contas públicas deve ser acompanhada de melhoria da qualidade do gasto, fortalecimento da governança estatal e preservação da capacidade de investimento público e privado.

Governança regulatória e segurança jurídica são tratadas como prioridades

A segunda proposta é fortalecer a governança regulatória. O objetivo é reduzir a burocracia, ampliar a previsibilidade e elevar a segurança jurídica em setores regulados, como infraestrutura, petróleo e gás, mineração, energia e logística.

Para o setor produtivo, regras instáveis, lentidão administrativa e excesso de exigências criam custos adicionais, atrasam projetos e reduzem o interesse de investidores em áreas estratégicas. A agenda sugere que a qualidade regulatória deve ser tratada como instrumento de competitividade nacional.

O documento também indica a necessidade de decisões públicas baseadas em evidências, maior coordenação entre órgãos reguladores e aperfeiçoamento de mecanismos de avaliação de impacto regulatório.

Mercado de trabalho, educação técnica e novos modelos laborais

A terceira proposta trata do fortalecimento do mercado de trabalho. O documento associa produtividade à melhoria da educação, ampliação da formação técnica e adequação das competências profissionais às transformações tecnológicas.

As entidades defendem avanços na modernização das relações trabalhistas, com equilíbrio entre a flexibilidade exigida por novos modelos laborais e a preservação da proteção social dos trabalhadores.

O tema é sensível porque envolve mudanças que impactam empresas, empregados, sindicatos, Justiça do Trabalho e políticas públicas de qualificação. Por isso, qualquer reforma nessa área tende a exigir amplo debate institucional, transparência e avaliação cuidadosa de seus efeitos sociais.

Logística e energia são apontadas como entraves centrais

A quarta proposta busca diversificar, integrar e elevar a qualidade da matriz logística nacional. O documento aponta a infraestrutura como elemento decisivo para reduzir custos, ampliar produtividade e melhorar a circulação de mercadorias no país.

A agenda sugere que o Brasil precisa avançar em soluções integradas envolvendo rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e sistemas de armazenagem. A deficiência logística é historicamente um dos fatores que encarecem a produção nacional e reduzem a competitividade de exportadores e empresas voltadas ao mercado interno.

A quinta proposta é assegurar energia competitiva e acessível, por meio de um sistema elétrico mais eficiente, seguro, justo e sustentável. O setor produtivo considera o custo da energia um componente estratégico para a indústria, o agronegócio, os serviços e a economia digital.

Combate à ilegalidade e transformação digital completam a agenda

A sexta proposta é fortalecer o combate à ilegalidade nas atividades produtivas e mitigar os impactos da insegurança pública na economia. O documento estima que mercados ilegais representem perdas de aproximadamente R$ 468 bilhões ao país, equivalentes a 4,3% do PIB.

A agenda empresarial relaciona ilegalidade, contrabando, informalidade predatória e insegurança pública à perda de arrecadação, concorrência desleal, enfraquecimento de empresas formais e deterioração do ambiente de negócios.

A sétima proposta é promover a transformação digital, considerada fator central para produtividade, inovação e competitividade. O documento cita tecnologias como inteligência artificial, automação e computação em nuvem como ferramentas capazes de ampliar eficiência, modernizar serviços e criar novas oportunidades econômicas.

Sete propostas apresentadas pelo Movimento Brasil Competitivo

As propostas listadas na agenda são:

  1. Promover o equilíbrio fiscal de longo prazo;
  2. Fortalecer a governança regulatória;
  3. Fortalecer o mercado de trabalho;
  4. Melhorar a matriz logística nacional;
  5. Assegurar energia competitiva e acessível;
  6. Combater a ilegalidade nas atividades produtivas;
  7. Promover a transformação digital.

Agenda mira debate eleitoral sem substituir programas de governo

O lançamento da agenda ocorre em um ambiente político marcado pela antecipação do debate sobre os programas econômicos dos candidatos à Presidência da República. As propostas empresariais buscam influenciar a formulação de compromissos públicos relacionados a investimento, produtividade, regulação, infraestrutura, energia, segurança e inovação.

Embora o documento tenha origem no setor produtivo, os temas abordados ultrapassam o interesse empresarial estrito. A baixa competitividade afeta emprego, renda, arrecadação, qualidade dos serviços públicos, capacidade de investimento e crescimento econômico.

A agenda também evidencia que o país enfrenta desafios persistentes, muitos deles conhecidos há décadas. A dificuldade brasileira não está apenas em formular diagnósticos, mas em converter consensos mínimos em políticas públicas estáveis, mensuráveis e sustentadas ao longo do tempo.


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