Os estoques globais de petróleo estão em trajetória de queda e podem atingir níveis críticos antes do verão no Hemisfério Norte, segundo alerta da Agência Internacional de Energia (AIE). A redução das reservas ocorre em meio aos impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou a oferta internacional e restringiu o fluxo de energia pelo estreito de Ormuz.
A agência avalia que, mesmo com um possível acordo para encerrar o conflito, a normalização do abastecimento pode levar meses. O estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do setor, permanece como um dos fatores centrais de preocupação por concentrar aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente.
O cenário também passou a afetar a China, que inicialmente manteve grandes reservas acumuladas, mas começou a registrar redução nos estoques devido à queda das importações.
AIE prevê pressão sobre reservas durante o período de maior consumo
De acordo com informações divulgadas pelo South China Morning Post, especialistas avaliam que a redução dos estoques deve continuar durante o verão, período marcado pelo aumento da demanda energética no Hemisfério Norte.
Toril Bosoni, chefe da divisão de indústria e mercados de petróleo da AIE, afirmou que existe a possibilidade de os estoques alcançarem níveis críticos ou mínimos históricos antes do pico de consumo.
A representante da agência destacou que a situação depende da duração do conflito e da capacidade de retomada das rotas de transporte de petróleo.
Mesmo com uma eventual reabertura do estreito de Ormuz, a AIE estima que o processo de normalização poderá levar entre seis e oito meses, devido à complexidade operacional da região.
Guerra reduz oferta e acelera consumo das reservas internacionais
O conflito no Oriente Médio já dura quatro meses e provocou impactos sobre a produção e distribuição global de petróleo.
Segundo a AIE, os estoques mundiais tiveram redução de aproximadamente 250 milhões de barris nos meses de março e abril, resultado da combinação entre queda na oferta e aumento do uso das reservas.
A produção nos países do Golfo afetados pela crise caiu cerca de 14,4 milhões de barris por dia em relação ao período anterior à guerra, ampliando o desequilíbrio entre oferta e demanda.
A agência avalia que parte do ajuste no mercado poderá ocorrer por meio da redução do consumo, devido à dimensão das perdas registradas no fornecimento internacional.
China reduz importações e reservas começam a diminuir
A China foi inicialmente uma exceção ao movimento global de queda dos estoques. O país chegou a acumular cerca de 1,25 bilhão de barris, favorecido por menor atividade das refinarias.
No entanto, os volumes armazenados começaram a diminuir após a queda das importações marítimas registrada em abril e maio.
Segundo a análise da AIE, a redução no processamento das refinarias chinesas não deve compensar completamente a queda nas compras externas de petróleo bruto nos próximos meses.
As importações chinesas apresentaram queda de 23% em abril, alcançando o menor nível em quase quatro anos.
Mercado energético acompanha riscos de longo prazo
A crise no abastecimento ocorre em um momento de preocupação internacional sobre segurança energética e estabilidade dos preços.
O estreito de Ormuz tem papel estratégico no transporte global de petróleo, conectando produtores do Golfo Pérsico aos mercados consumidores da Ásia, Europa e outras regiões.
A continuidade das restrições pode aumentar a pressão sobre países dependentes de importações e acelerar mudanças nas estratégias de armazenamento e fornecimento.
A evolução do conflito no Oriente Médio será determinante para o comportamento dos estoques globais e para o equilíbrio do mercado nos próximos meses.
*Com informações da Sputnik News.








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