A Europa enfrenta, nesta quinta-feira (25/06/2026), o auge de uma onda de calor histórica que afeta grande parte do continente. De acordo com análise da Agência France-Presse (AFP) baseada em dados do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções populacionais do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, mais de 380 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas superiores a 30°C, enquanto 101 milhões estão expostos a máximas acima de 35°C.
A situação levou diversos países a decretarem níveis elevados de alerta, reforçarem os sistemas de saúde, cancelarem eventos ao ar livre e adotarem medidas para reduzir os impactos das temperaturas extremas sobre a população e os serviços públicos.
Especialistas associam a intensidade e a frequência desses episódios ao avanço das mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa decorrentes da queima de combustíveis fósseis.
França, Alemanha e Reino Unido registram temperaturas excepcionais
Na França, o pico da onda de calor é esperado para esta quinta-feira (25/06/2026). Em Paris, os termômetros ultrapassaram 40°C pela quarta vez em aproximadamente 150 anos de registros meteorológicos.
O governo francês anunciou a mobilização máxima do sistema de saúde diante da continuidade do calor extremo. No país, três reatores nucleares foram desligados em razão das altas temperaturas.
Na Alemanha, algumas regiões podem superar 40°C, com possibilidade de novos recordes históricos. A Meia Maratona de Hamburgo foi cancelada, enquanto a empresa ferroviária Deutsche Bahn orientou passageiros a evitarem deslocamentos e informou que reembolsará bilhetes adquiridos até 30 de junho, diante do risco de interrupções provocadas pelo calor, incêndios, chuvas intensas e tempestades.
Espanha, Reino Unido e outros países ampliam medidas de emergência
Na Espanha, autoridades registraram 212 mortes entre domingo e quarta-feira, consideradas possivelmente relacionadas à onda de calor.
No Reino Unido, o Met Office prorrogou o raro alerta vermelho para calor extremo em Londres e em partes do sudeste da Inglaterra. Um dia antes, o país havia registrado o recorde de temperatura para o mês de junho, com 36,1°C na costa sul inglesa. As previsões indicam máximas que podem chegar a 38°C em algumas localidades.
Na Croácia, toda a região litorânea ao redor de Split permanece sob alerta vermelho, enquanto a Dinamarca emitiu alerta laranja para sexta-feira. Já a Áustria decretou o nível máximo de alerta para onda de calor em Viena, no leste do país e em diversas cidades da região sul.
Calor extremo reforça debate sobre proteção aos trabalhadores
Segundo climatologistas, a atual onda de calor resulta de uma extensa massa de ar quente proveniente da África, retida sobre a Europa Ocidental por sistemas de alta pressão atmosférica.
Diante do aumento dos impactos sobre a saúde e a economia, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) solicitou à Comissão Europeia a adoção de pausas obrigatórias para resfriamento destinadas a trabalhadores expostos ao calor extremo, sem redução salarial.
A entidade, que representa aproximadamente 45 milhões de trabalhadores, afirma que o risco de acidentes laborais aumenta em cerca de 7% quando as temperaturas superam 30°C e pode atingir 15% quando os termômetros alcançam 38°C. A proposta toma como referência os intervalos para hidratação adotados durante partidas da Copa do Mundo de 2026.
*Com informações da RFI.









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