O Governo Federal intensificou as medidas de prevenção e resposta aos possíveis impactos de um novo episódio do fenômeno El Niño, cuja probabilidade de ocorrência em intensidade elevada chega a 80%, segundo projeções acompanhadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, realizada na quinta-feira (11/06/2026), o ministro João Paulo Capobianco afirmou que o país já opera com um plano de preparação antecipada para enfrentar riscos de incêndios florestais, secas prolongadas, enchentes e deslizamentos.
De acordo com o ministro, uma sala de situação permanente coordenada pela Casa Civil foi instalada para acompanhar a evolução dos cenários climáticos. A estrutura reúne 13 ministérios e órgãos públicos, responsáveis por elaborar estratégias preventivas e mobilizar recursos extraordinários diante de possíveis emergências.
A iniciativa envolve a atuação integrada das Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, ICMBio, governos estaduais e prefeituras, com foco na prevenção e no enfrentamento dos efeitos associados ao fenômeno climático.
Governo antecipa planejamento diante de projeções climáticas
Segundo João Paulo Capobianco, o governo decidiu agir antes da confirmação definitiva do fenômeno. O ministro destacou que a atual projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso exige planejamento antecipado para reduzir danos ambientais, sociais e econômicos.
“O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou.
O ministro explicou que o El Niño é um fenômeno natural recorrente, mas que seus efeitos vêm sendo potencializados pelas mudanças climáticas globais. Segundo ele, essa combinação amplia a intensidade dos impactos sobre diferentes regiões do país.
Os estudos analisados pelo governo indicam que o fenômeno pode provocar redução das chuvas e secas severas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, aumentando o risco de incêndios florestais. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste podem registrar aumento significativo das precipitações, favorecendo enchentes e deslizamentos.
Nova legislação fortalece combate aos incêndios florestais
Entre as principais medidas adotadas pelo governo está a implementação da Lei do Manejo Integrado do Fogo, considerada uma das bases da estratégia nacional de prevenção aos incêndios.
A legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, distribuindo deveres entre União, estados, municípios e proprietários rurais. Pela nova norma, governos estaduais e municipais devem elaborar planos específicos de manejo do fogo, enquanto produtores rurais passam a ter participação formal nas ações preventivas.
Capobianco ressaltou que o planejamento já contempla reforço estrutural para enfrentar a temporada de seca e queimadas prevista para os próximos meses.
Além da ampliação dos sistemas de monitoramento ambiental, o governo aumentou o número de aeronaves, equipamentos e recursos operacionais destinados ao combate ao fogo. Segundo o ministro, também foram destinados mais de R$ 500 milhões aos Corpos de Bombeiros dos estados com maior risco de incêndios florestais.
Governo pede apoio da população e reforça combate a incêndios criminosos
Durante a entrevista, o ministro destacou que grande parte das queimadas registradas no país tem origem em ações humanas, sejam elas acidentais ou deliberadas.
Ele alertou que práticas comuns, como queima de lixo, limpeza de terrenos ou manejo inadequado de áreas rurais, podem provocar incêndios de grandes proporções em períodos de baixa umidade e temperaturas elevadas.
“Não use fogo a partir de julho agora, porque a situação climática vai tornar isso uma situação muito perigosa”, afirmou.
Capobianco também informou que a Polícia Federal ampliou os mecanismos de monitoramento e investigação de incêndios criminosos, permitindo identificar com maior precisão os responsáveis pela origem de focos de queimadas.
Segundo o ministro, os avanços tecnológicos e os novos protocolos de rastreamento têm possibilitado a abertura de processos de investigação e responsabilização criminal dos autores de incêndios provocados intencionalmente.
A estratégia integra o conjunto de ações preventivas do Governo Federal para reduzir impactos ambientais e proteger áreas sensíveis como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, regiões que historicamente enfrentam aumento dos focos de calor durante períodos de estiagem.
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