A indústria brasileira de defesa participa da Eurosatory 2026, realizada em Villepinte, na região da Grande Paris, em um momento de crescimento dos investimentos militares em diversas partes do mundo. O evento, considerado uma das principais vitrines globais do setor, reúne mais de 2 mil expositores de 65 países e ocorre em paralelo a discussões internacionais sobre segurança e defesa.
Em meio ao aumento das tensões geopolíticas, conflitos armados e reestruturação das estratégias de segurança de diversos governos, empresas brasileiras buscam ampliar sua presença internacional e conquistar novos mercados para produtos e serviços do setor de defesa.
Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) apontam que os gastos militares globais alcançaram US$ 2,7 trilhões em 2024, o maior valor já registrado pela instituição, representando um crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior.
Brasil aposta em expansão das exportações de defesa
O secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues, afirmou que o crescimento dos orçamentos militares em diversos países cria oportunidades para a indústria brasileira.
Segundo ele, o Brasil participa da feira com 24 empresas do setor de defesa, que apresentam soluções voltadas para armamentos, sistemas tecnológicos, equipamentos militares e serviços especializados.
O representante do Ministério da Defesa destacou ainda que o setor brasileiro já possui relevância internacional, registrando aproximadamente US$ 4 bilhões em exportações anuais, e trabalha para ampliar esse volume nos próximos anos.
Eurosatory reúne empresas, governos e delegações internacionais
A Eurosatory acontece entre segunda e sexta-feira (15 e 19/06/2026) e reúne fabricantes, autoridades governamentais, militares e representantes da indústria de defesa de diferentes regiões do mundo.
O evento ocorre simultaneamente à realização da cúpula do G7 na França, encontro que reúne líderes internacionais para discutir temas relacionados à segurança global e aos principais conflitos em andamento.
Além da exposição comercial, a feira inclui demonstrações tecnológicas, conferências e rodadas de negócios voltadas à ampliação de parcerias estratégicas e comerciais.
Empresas brasileiras buscam ampliar presença internacional
Entre as empresas participantes está a Cinadra, fabricante brasileira de componentes para bombas e munições, com operações nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
O CEO da companhia, Marcello de Brito Meira, destacou que a participação na feira tem como objetivo ampliar a visibilidade internacional da empresa e fortalecer relações comerciais com clientes e parceiros estrangeiros.
Segundo o executivo, a estratégia da empresa está baseada na fabricação de componentes destinados a diferentes sistemas de armamentos, permitindo atuação em diversos mercados sem competir diretamente com fabricantes de equipamentos finais.
Setor vê oportunidades em novos mercados
O diretor de promoção comercial da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), coronel Antônio Ribeiro, afirmou que as empresas presentes na feira buscam contratos comerciais, fornecedores, representantes internacionais e oportunidades de cooperação tecnológica.
De acordo com ele, a localização da França favorece o contato com delegações provenientes da África, Ásia, Oriente Médio e América do Sul, ampliando o alcance das negociações realizadas durante o evento.
Ribeiro também observou que questões relacionadas aos conflitos internacionais, à segurança regional e aos desafios migratórios têm impulsionado debates sobre investimentos em defesa e segurança em diferentes países.
Espaço Brasil reúne empresas de tecnologia, logística e defesa
A participação nacional está concentrada no chamado Espaço Brasil, iniciativa que reúne empresas ligadas às áreas de comunicação, comando e controle de drones, cibersegurança, engenharia de sistemas, logística e equipamentos militares.
O projeto conta com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que atua na promoção internacional das empresas brasileiras.
Segundo o especialista em negócios internacionais da entidade, Daniel Pirola, a Eurosatory é considerada uma plataforma estratégica para alcançar mercados europeus, asiáticos e do Oriente Médio, além de ampliar a visibilidade internacional da indústria nacional.
Crescimento do mercado global impulsiona demanda por equipamentos
A expansão dos investimentos militares em diversos países tem ampliado a procura por soluções voltadas à defesa, segurança, tecnologia e monitoramento.
Segundo representantes do setor, o Brasil possui capacidade para fornecer desde softwares especializados até equipamentos de proteção individual, sistemas de logística e armamentos.
O aumento da demanda ocorre em um contexto marcado por conflitos como a guerra na Ucrânia e pela instabilidade em diferentes regiões do Oriente Médio, fatores que influenciam as políticas de defesa adotadas por governos ao redor do mundo.
Especialistas apontam capital humano como diferencial brasileiro
O general de brigada Diógenes de Souza Gomes afirmou que um dos principais ativos da indústria nacional de defesa é a qualificação dos profissionais envolvidos no desenvolvimento de tecnologias e equipamentos.
Segundo ele, embora existam limitações relacionadas aos investimentos e aos orçamentos destinados ao setor, o Brasil possui capacidade técnica para desenvolver soluções competitivas internacionalmente.
O militar citou como exemplo o desenvolvimento nacional de tecnologias voltadas a sistemas de mísseis anticarro produzidos integralmente no país, destacando a evolução tecnológica alcançada por empresas e instituições brasileiras ligadas à área de defesa.
Evento reforça posição da Eurosatory como vitrine global do setor
Realizada a cada dois anos, a Eurosatory reúne profissionais credenciados, representantes governamentais, militares e executivos da indústria de defesa de diferentes países.
O encontro é considerado um dos principais espaços internacionais para apresentação de novas tecnologias, realização de negócios e discussão de temas relacionados à segurança e defesa.
Com a expansão dos gastos militares globais e o aumento da procura por equipamentos e serviços especializados, a participação brasileira na edição de 2026 busca fortalecer a presença nacional em um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente.
*Com informações da RFI.








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