O Irã anunciou nesta quarta-feira (10/06/2026) ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, em resposta a operações norte-americanas contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz, ampliando a tensão no Oriente Médio. A ofensiva ocorre após a queda de um helicóptero Apache americano, atribuída por Washington a forças iranianas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado na terça-feira (09/06/2026) que as negociações com Teerã estavam próximas de um possível acordo e indicou um prazo de dois a três dias para a conclusão das tratativas. A expectativa diplomática foi afetada pela nova escalada militar.
O Irã informou ter realizado ataques contra bases americanas no Bahrein e na Jordânia. No Kuwait, autoridades militares relataram a identificação de “alvos aéreos hostis”, sem informar a origem dos objetos.
Guarda Revolucionária anuncia ataques e países do Golfo elevam alerta
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os países do Golfo possuem responsabilidade de impedir o uso de seus territórios por forças dos Estados Unidos e de Israel para ações contra Teerã.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter atingido quatro alvos considerados estratégicos na Jordânia, incluindo uma base aérea e instalações militares americanas em Azraq. O Exército jordaniano informou ter interceptado cinco mísseis iranianos.
No Bahrein, autoridades iranianas disseram ter realizado um ataque com drones contra a Quinta Frota dos Estados Unidos. Após o anúncio, sirenes de alerta aéreo foram acionadas no país.
Disputa no Estreito de Ormuz amplia preocupação sobre energia e comércio internacional
A Guarda Revolucionária justificou os ataques citando operações realizadas pelos Estados Unidos durante a noite em áreas como Jask, Sirik e a ilha de Qeshm, no sul do Irã. Segundo autoridades iranianas, as ações causaram danos a uma torre de telecomunicações e destruíram estruturas de armazenamento de água.
O Estreito de Ormuz, corredor marítimo utilizado no transporte internacional de petróleo e gás, voltou ao centro das tensões após relatos de explosões na região.
O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou que suas forças atacaram instalações de defesa aérea, postos de controle e sistemas de vigilância iranianos. Segundo o comando, as ações foram apresentadas como resposta de defesa após a queda do helicóptero americano.
Mercado reage com alta do petróleo diante da instabilidade regional
As novas operações militares provocaram movimentação nos mercados internacionais. O petróleo bruto WTI, referência dos Estados Unidos, registrou alta de 0,53%, chegando a US$ 88,67 por barril.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que forças estrangeiras próximas ao território iraniano estariam expostas a riscos e defendeu a retirada dessas forças.
O cenário ocorre após uma tentativa de trégua entre Irã e Israel, iniciada em 8 de abril, ter sido interrompida por novos confrontos. Segundo informações divulgadas pela televisão estatal iraniana, ataques recentes deixaram mortos e feridos no país.
Conflito no Líbano mantém frente regional ativa
A crise também envolve o Líbano, onde Israel e o grupo Hezbollah continuam em confronto. O Irã afirma que qualquer acordo com Washington deve incluir o encerramento das ofensivas no território libanês.
Na terça-feira (09/06/2026), bombardeios no Líbano deixaram ao menos 11 mortos, segundo autoridades locais. O Exército de Israel determinou a evacuação de moradores da cidade de Tiro, incluindo áreas residenciais cristãs.
O Hezbollah informou ter realizado ataques contra forças israelenses no sul do Líbano. O Exército israelense afirmou que as ações não causaram vítimas entre seus militares.
China e Rússia pedem redução das tensões no Oriente Médio
A escalada militar provocou manifestações de governos internacionais. A China declarou preocupação com os ataques realizados pelos Estados Unidos e pelo Irã e pediu que as partes envolvidas interrompam a ampliação do conflito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, defendeu medidas para reduzir a tensão e alcançar um cessar-fogo duradouro.
A Rússia também afirmou estar preocupada com o agravamento da crise e pediu moderação nas ações dos países envolvidos.
Negociações entre Washington e Teerã seguem sob pressão
Apesar dos ataques, Donald Trump afirmou que as conversas com o Irã estavam em fase avançada e poderiam resultar em um acordo. As negociações ocorrem em meio a uma disputa envolvendo ações militares dos Estados Unidos, Israel e grupos aliados ao Irã.
O conflito iniciado em 28 de fevereiro envolve operações militares contra o território iraniano e confrontos indiretos em áreas estratégicas do Oriente Médio.
O cenário inclui ainda a participação dos houthis do Iêmen, aliados de Teerã, e impactos sobre rotas marítimas internacionais, especialmente no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz.
*Com informações da RFI.









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