O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, viaja nesta terça-feira (30/06/2026) a Caracas para discutir a ampliação da cooperação entre Brasil e Venezuela diante da emergência causada pelos terremotos que atingiram o país na última semana. A agenda inclui reuniões com autoridades venezuelanas para tratar do fortalecimento das ações de assistência humanitária e reconstrução das áreas afetadas pelos abalos sísmicos.
Durante a visita oficial, José Múcio se reunirá com o ministro da Defesa da Venezuela, Gustavo González López, para avaliar medidas conjuntas de apoio às populações atingidas. Segundo o Ministério da Defesa, o objetivo é ampliar a cooperação bilateral em resposta à crise humanitária provocada pelos terremotos.
Em nota oficial, a pasta informou que o Brasil deverá apoiar os esforços venezuelanos no atendimento aos desabrigados e na reconstrução das regiões atingidas, reforçando a atuação iniciada logo após os desastres naturais.
FAB envia quinto voo da missão humanitária
Paralelamente à agenda diplomática, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizará o quinto voo da missão humanitária destinada à Venezuela. A aeronave partirá da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, transportando equipamentos voltados à ampliação do hospital de campanha brasileiro instalado em La Guaira.
A operação também contempla o envio de aproximadamente 5,5 toneladas de medicamentos, testes rápidos e outros insumos médicos, fornecidos pelo Ministério da Saúde conforme solicitação do governo venezuelano.
De acordo com o Ministério da Defesa, as doações foram realizadas sem comprometer os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). A missão integra o conjunto de ações brasileiras voltadas ao atendimento emergencial das vítimas, incluindo equipes especializadas, estrutura hospitalar e suprimentos destinados aos serviços de saúde.
Terremotos provocaram destruição em sete estados
Os terremotos ocorreram na última semana, quando dois abalos sísmicos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em curto intervalo de tempo. Segundo autoridades locais e organismos internacionais, os tremores provocaram danos em diversas regiões, destruindo edifícios residenciais, comprometendo hospitais, serviços públicos e parte da infraestrutura urbana.
O coordenador residente da Organização das Nações Unidas (ONU) na Venezuela, Gianluca Rampolla Del Tindaro, informou que mais de 500 réplicas foram registradas desde os terremotos iniciais. Conforme o representante da ONU, as equipes de resgate continuam atuando em condições consideradas de alto risco.
Ainda segundo a ONU, sete estados foram afetados, sendo La Guaira e o Distrito Capital de Caracas as regiões com maiores impactos estruturais e humanitários.
Número de vítimas continua aumentando
De acordo com informações divulgadas pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, o número oficial de mortes chegou a 1.719, enquanto 5.034 pessoas ficaram feridas e 15.866 permanecem desalojadas.
As Nações Unidas alertam que o número de vítimas poderá aumentar à medida que os trabalhos de busca avancem. O organismo também informou que iniciou, em conjunto com o governo venezuelano, a aquisição de 10 mil sacos para cadáveres, diante da necessidade de gestão das vítimas fatais.
Estimativas preliminares da ONU indicam que mais de 55 mil pessoas podem ter morrido em decorrência do desastre, embora as operações de busca e identificação ainda estejam em andamento.
Operações de resgate enfrentam desafios
As equipes de resgate seguem mobilizadas em diversas regiões da Venezuela na tentativa de localizar sobreviventes entre os escombros. Segundo autoridades locais, milhares de pessoas continuam desaparecidas após os terremotos.
Dados do governo venezuelano apontam que 774 edifícios sofreram danos, dos quais 189 desabaram completamente. As operações enfrentam dificuldades relacionadas à instabilidade das estruturas, às réplicas sísmicas e às condições climáticas.
Profissionais da assistência social e da saúde também atuam no atendimento às vítimas, incluindo o suporte psicológico para crianças e famílias afetadas. Paralelamente, autoridades enfrentam desafios relacionados à identificação e ao manejo dos corpos, diante do elevado número de vítimas e da limitação de recursos disponíveis.
Ajuda internacional é ampliada
A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que as operações de busca continuam e declarou que as equipes mantêm esforços para localizar sobreviventes. Em razão da situação de emergência, o fechamento das escolas foi prorrogado por mais uma semana.
Segundo o governo venezuelano, 24 países enviaram mais de 520 toneladas de ajuda humanitária, além de aproximadamente 2.700 socorristas e 86 equipes com cães farejadores para apoiar as operações de resgate.
A ONU estima que os danos econômicos provocados pelos terremotos alcancem cerca de US$ 7 bilhões, valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. Enquanto isso, continuam as buscas por desaparecidos e a chegada de ajuda internacional para ampliar a capacidade de resposta à emergência humanitária.
*Com informações da Sputnik News e RFI.









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