A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta sexta-feira (05/06/2026) um novo apelo humanitário no valor de US$ 331,5 milhões para ampliar a assistência a 1,4 milhão de pessoas afetadas pela crise no Líbano. A iniciativa foi anunciada em meio à continuidade dos confrontos no país, que já ultrapassam três meses e resultaram em milhares de mortes, feridos, deslocamentos em massa e danos à infraestrutura civil. O coordenador humanitário da ONU no Líbano, Imran Riza, afirmou que as necessidades da população continuam crescendo e exigem reforço imediato da resposta internacional.
Segundo as Nações Unidas, a situação humanitária se agravou com a destruição de instalações de saúde, escolas, sistemas de abastecimento de água e áreas agrícolas. A ampliação do financiamento busca garantir assistência emergencial às famílias afetadas, incluindo abrigo, alimentação, saúde, proteção social e acesso à água potável.
O novo apelo ocorre em um contexto de instabilidade, apesar do anúncio de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. De acordo com informações divulgadas por agências internacionais, ataques continuam sendo registrados em diferentes regiões do país.
Conflitos persistem apesar de tentativa de cessar-fogo
Segundo relatos apresentados pelas Nações Unidas, forças israelenses e combatentes do Hezbollah continuam realizando operações militares, mesmo após a divulgação de uma nova iniciativa diplomática para interromper os confrontos.
Falando de Beirute, Imran Riza relatou preocupação com os efeitos da violência sobre a população civil. O representante afirmou ter testemunhado os impactos causados por ataques aéreos, operações com drones e bombardeios em áreas urbanas e rurais.
Entre os danos registrados estão hospitais e clínicas atingidos, prédios governamentais destruídos, estações de tratamento de água demolidas e terras agrícolas queimadas. Além disso, diversas escolas foram convertidas em abrigos temporários para acolher famílias deslocadas.
Mais de 3,5 mil mortos e cerca de 10 mil feridos
Os dados divulgados pela ONU apontam que mais de 3,5 mil pessoas morreram nos últimos três meses em decorrência da escalada da violência. O número de feridos já alcança aproximadamente 10 mil pessoas.
A crise também provocou deslocamentos em larga escala. Segundo as Nações Unidas, quase um milhão de pessoas permanecem desabrigadas, dependendo de assistência humanitária para suprir necessidades básicas.
Imran Riza destacou que o deslocamento recorrente tem provocado consequências duradouras para as famílias. Segundo ele, muitas pessoas enfrentam incertezas sobre a possibilidade de retornar para suas residências, enquanto convivem com dificuldades relacionadas à moradia, segurança e acesso a serviços essenciais.
Crianças estão entre os grupos mais afetados
A situação das crianças também preocupa as agências humanitárias. Entre os casos citados pela ONU está o de Ali, de cinco anos, que ficou ferido durante os ataques ocorridos em 8 de abril, em Beirute.
De acordo com informações divulgadas pelo Unicef, o menino sofreu trauma facial e outros ferimentos após ser encontrado sob os escombros de uma estrutura atingida pelos bombardeios. No ataque, ele perdeu a mãe e a avó.
Atualmente, Ali recebe assistência médica em uma unidade hospitalar apoiada pelo Unicef. O caso ilustra os impactos diretos da violência sobre a população infantil e os desafios enfrentados pelas famílias afetadas pelo conflito.
Mulheres e meninas enfrentam aumento do risco de violência
O diretor executivo adjunto do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Andrew Saberton, alertou para o aumento dos riscos enfrentados por mulheres e meninas em consequência do deslocamento populacional.
Segundo o representante, mais de 600 mil mulheres e meninas estão sob risco de sofrer violência de gênero. Ele destacou que muitos abrigos operam acima da capacidade, apresentando limitações relacionadas à privacidade, saneamento e proteção.
Saberton afirmou que o deslocamento em massa amplia a vulnerabilidade feminina e exige ações específicas para garantir segurança e acesso aos serviços de apoio.
Sistema de saúde opera sob pressão crescente
Além dos riscos relacionados à violência de gênero, o Unfpa alertou para as dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde libanês. Segundo a agência, hospitais e centros de saúde primários foram atingidos ou interromperam suas atividades em decorrência dos confrontos.
O órgão estima que o país registre aproximadamente 1,8 mil partos por mês, o que exige a manutenção contínua dos serviços de saúde materna e neonatal.
De acordo com Saberton, a redução da capacidade operacional das unidades médicas tem dificultado o acesso das mulheres aos cuidados essenciais durante a gestação e o período pós-parto. O representante ressaltou que a continuidade dos ataques compromete a prestação desses serviços e amplia os desafios humanitários no país.
ONU reforça necessidade de apoio internacional
As Nações Unidas afirmam que a ampliação dos recursos financeiros é necessária para garantir a continuidade das operações humanitárias em todo o território libanês. O novo apelo busca mobilizar governos, organismos internacionais e doadores para responder ao crescimento das demandas provocadas pelo conflito.
Segundo Imran Riza, fornecer assistência em um cenário de violência contínua representa um desafio operacional significativo. Ainda assim, a ONU considera essencial ampliar o apoio às populações mais vulneráveis enquanto persistirem os confrontos e seus impactos sobre a população civil.
*Com informações da ONU News.









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