Presidente do PT Bahia diz que vinda de Flávio Bolsonaro expõe aliança entre ACM Neto e bolsonarismo

O presidente estadual do PT Bahia, Tássio Brito, afirmou nesta quinta-feira (04/06/2026) que a presença do senador Flávio Bolsonaro na Bahia deverá ampliar a pressão política sobre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, apontado pelo dirigente petista como aliado do bolsonarismo no estado. A declaração ocorre no contexto da pré-campanha eleitoral de 2026, em meio à disputa pela reorganização das forças políticas na Bahia e à tentativa de vincular o campo oposicionista estadual ao projeto nacional representado pelo Partido Liberal.

PT Bahia acusa ACM Neto de tentar ocultar apoio a Flávio Bolsonaro

Segundo Tássio Brito, a visita de Flávio Bolsonaro à Bahia tende a tornar mais explícita a relação política entre ACM Neto e o grupo bolsonarista. O dirigente do PT afirmou que o ex-prefeito de Salvador não poderá mais evitar a associação com o senador, tratado por setores da direita como pré-candidato à Presidência da República.

Em sua manifestação, o presidente estadual do PT declarou que a imprensa nacional já teria registrado a chegada de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de “emparedar” ACM Neto. A expressão foi usada pelo petista para sustentar a tese de que o ex-prefeito estaria sendo pressionado a assumir publicamente o alinhamento com o projeto político do PL.

A avaliação de Tássio Brito faz parte da estratégia do PT de vincular a oposição baiana ao bolsonarismo nacional. No plano eleitoral, a associação busca enquadrar ACM Neto como representante, na Bahia, do campo adversário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao grupo político que governa o estado desde 2007.

Dirigente petista relaciona disputa baiana ao cenário nacional

Tássio Brito também questionou como ACM Neto responderá à aproximação com Flávio Bolsonaro diante de temas nacionais sensíveis, especialmente aqueles relacionados à política externa, à soberania econômica e à relação do Brasil com os Estados Unidos.

O presidente do PT Bahia afirmou que Flávio Bolsonaro teria defendido interesses norte-americanos em detrimento dos brasileiros. No mesmo contexto, citou declarações e episódios atribuídos ao campo bolsonarista envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o chamado tarifaço contra o Brasil e críticas ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX.

As declarações de Tássio Brito refletem a tentativa de nacionalizar o debate político na Bahia. Ao relacionar ACM Neto a Flávio Bolsonaro, o PT busca deslocar a disputa estadual para um eixo mais amplo, marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo.

Apoio político, tempo de televisão e fundo partidário entram no debate

Na avaliação do dirigente petista, eventual apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro não se limitaria a uma aproximação eleitoral circunstancial. Tássio afirmou que o ex-prefeito de Salvador, ao se beneficiar de alianças com o PL, do tempo de televisão e do fundo partidário, estaria também assumindo corresponsabilidade política pelo programa nacional defendido pelo grupo bolsonarista.

A fala do presidente estadual do PT utiliza um argumento recorrente em disputas eleitorais: a associação entre alianças partidárias, recursos de campanha e identidade programática. Para o petista, o eventual usufruto da estrutura política do PL aproximaria ACM Neto das posições defendidas por Flávio Bolsonaro.

No trecho mais duro da declaração, Tássio Brito classificou Flávio Bolsonaro como “traidor da pátria” e afirmou que o senador buscaria entregar a soberania brasileira aos Estados Unidos. Por se tratar de uma acusação política, a afirmação deve ser compreendida como posicionamento do dirigente partidário no contexto da disputa eleitoral.

ACM Neto é apresentado pelo PT como candidato anti-Lula na Bahia

O presidente do PT Bahia afirmou ainda que ACM Neto desempenharia, no cenário baiano, papel equivalente ao de Flávio Bolsonaro no plano nacional. Para Tássio Brito, o ex-prefeito de Salvador seria o candidato anti-Lula na Bahia, enquanto o senador assumiria a função de principal representante do campo bolsonarista na disputa presidencial.

A estratégia discursiva procura reforçar a divisão entre dois blocos: de um lado, o grupo governista liderado nacionalmente por Lula e, na Bahia, por aliados do PT; de outro, a oposição estadual, que o partido busca associar ao bolsonarismo e ao PL.

Ao fazer essa leitura, Tássio Brito também tenta mobilizar símbolos históricos da política baiana. Ele citou o 2 de Julho de 1823, data da Independência da Bahia, para comparar a disputa atual à defesa da autonomia nacional diante de forças externas. A referência histórica foi usada como instrumento retórico para vincular soberania, identidade baiana e enfrentamento eleitoral.

Disputa antecipa embate eleitoral de 2026

A fala do dirigente petista ocorre em um ambiente de pré-campanha, no qual partidos e lideranças buscam definir alianças, consolidar narrativas e disputar o eleitorado antes do início formal do calendário eleitoral. Na Bahia, a polarização nacional tende a influenciar diretamente a composição das chapas e a comunicação política dos principais grupos.

Para o PT, a associação de ACM Neto ao bolsonarismo pode ser explorada como fator de desgaste em um estado onde o partido mantém forte presença institucional. Para a oposição, por outro lado, a aproximação com forças nacionais de direita pode representar acesso a estrutura partidária, capilaridade eleitoral e tempo de exposição.

O embate também revela a importância estratégica da Bahia no cenário nacional. Como um dos maiores colégios eleitorais do país, o estado tem peso relevante na eleição presidencial e costuma ocupar posição central nas articulações entre partidos, governadores, senadores, deputados federais e lideranças municipais.


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