O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que concederá um prazo de um mês para que grupos criminosos entreguem as armas e se submetam ao Estado de Direito após assumir o cargo em 7 de agosto de 2026. Em seu primeiro discurso após a eleição, afirmou que seu governo adotará uma política de combate ao crime baseada na aplicação da lei, sem concessões a organizações ilegais. Especialistas ouvidos pela Sputnik analisam que a estratégia poderá representar mudanças significativas na política de segurança e nas negociações de paz conduzidas nos últimos anos.
De la Espriella declarou que aqueles que permanecerem atuando na ilegalidade serão enfrentados com “absoluta severidade”. Segundo o presidente eleito, todos os integrantes de grupos criminosos terão um mês para organizar sua submissão às autoridades.
Durante o pronunciamento, o futuro chefe do Executivo também criticou a política de segurança do governo do presidente Gustavo Petro, afirmando que sua administração não oferecerá benefícios considerados excessivos a organizações criminosas e que priorizará o cumprimento da legislação.
Analistas alertam para riscos da política de “mão firme”
Segundo o analista político colombiano Alejandro Blanco, o avanço eleitoral de De la Espriella ocorreu em meio ao aumento das preocupações da população com a segurança pública, incluindo o crescimento das áreas cultivadas com coca e a elevação de crimes como homicídios e extorsão.
Blanco destacou, entretanto, que a adoção de políticas de enfrentamento direto pode repetir problemas registrados em períodos anteriores da história colombiana, como os chamados “falsos positivos”, casos de execuções extrajudiciais investigados pela Justiça.
O especialista afirmou ainda que operações militares contra grupos armados como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Clã do Golfo frequentemente atingem populações civis residentes nas regiões de conflito. Segundo ele, bombardeios realizados durante o atual governo também provocaram mortes de crianças em algumas áreas do país.
Proposta prevê fortalecimento da cooperação com Estados Unidos e Israel
Entre as principais propostas apresentadas pelo presidente eleito está a criação de um “Plano Colômbia 2.0”. A iniciativa prevê ampliar o combate ao narcotráfico com cooperação dos Estados Unidos e de Israel.
De la Espriella afirmou que pretende determinar a fumigação dos aproximadamente 330 mil hectares de plantações de coca existentes no país e autorizar bombardeios contra acampamentos de grupos classificados por seu governo como organizações narcoterroristas.
O especialista em segurança Luis Trejos avalia que Estados Unidos e Israel poderão fornecer principalmente informações de inteligência ao novo governo, retomando níveis de cooperação reduzidos durante a administração de Gustavo Petro em razão de divergências diplomáticas.
Especialistas apontam limitações orçamentárias
Alejandro Blanco considera possível que a cooperação internacional também envolva apoio operacional, incluindo aeronaves, pilotos e participação de agentes estrangeiros em determinadas operações.
Já Luis Trejos observa que as restrições orçamentárias enfrentadas atualmente pelo setor de defesa colombiano poderão limitar a implementação simultânea de diversas ofensivas militares previstas pelo novo governo.
Segundo o especialista, a administração de De la Espriella deverá estabelecer prioridades estratégicas para a utilização dos recursos disponíveis, concentrando esforços nas áreas consideradas mais críticas.
Nomeações serão determinantes para política de segurança e paz
Trejos afirma que a escolha do futuro ministro da Defesa e do alto comissário para a Paz será decisiva para definir a condução das políticas de segurança e das negociações com grupos armados.
As indicações também deverão sinalizar se o novo governo manterá, revisará ou encerrará parte dos processos de diálogo iniciados após o Acordo de Paz de 2016 e ampliados durante a política denominada Paz Total.
Segundo o especialista, parte do apoio político conquistado por De la Espriella decorre da percepção de parcela do eleitorado de que a estratégia adotada pelo atual governo não produziu os resultados esperados na área de segurança.
Futuro da Jurisdição Especial para a Paz gera debate
Durante a campanha eleitoral, Abelardo de la Espriella defendeu a extinção da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), sistema criado pelo Acordo de Paz de 2016 para julgar crimes relacionados ao conflito armado colombiano.
O presidente eleito argumenta que o mecanismo beneficiou integrantes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e foi utilizado para investigar o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez.
Para Alejandro Blanco, entretanto, a extinção da JEP enfrenta obstáculos jurídicos, uma vez que o tribunal possui status constitucional, exigindo alterações na Constituição colombiana para sua eventual eliminação.
Independentemente do futuro da JEP, especialistas avaliam que a política de segurança do novo governo deverá provocar mudanças relevantes na condução do combate ao crime organizado, nas relações internacionais da Colômbia e na continuidade das negociações de paz iniciadas na última década.
*Com informações da Sputnik News.









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