As remessas enviadas por migrantes para seus países de origem alcançaram US$ 653 bilhões no último ano, beneficiando mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, segundo dados divulgados no contexto do Dia Internacional das Remessas Familiares, celebrado pelas Nações Unidas desde 2018.
A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU com o objetivo de incentivar governos, instituições financeiras e organizações internacionais a ampliar a cooperação para tornar os serviços de transferência de recursos mais acessíveis e eficientes para milhões de famílias.
A campanha conta com o apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad) e da Presidência francesa do G7, destacando o papel das remessas no fortalecimento das economias locais, no empreendedorismo, na geração de empregos e no desenvolvimento de comunidades rurais.
Remessas fortalecem segurança alimentar e renda familiar
Segundo o Ifad, os recursos enviados por trabalhadores migrantes representam uma fonte complementar de renda para milhões de famílias, contribuindo diretamente para a segurança alimentar, a nutrição e o acesso a serviços essenciais.
Dos US$ 653 bilhões transferidos, cerca de US$ 22 bilhões foram investidos diretamente em sistemas agroalimentares nas comunidades receptoras, fortalecendo atividades ligadas à produção, distribuição e comercialização de alimentos.
A maior parte dos recursos é destinada a países de renda média e baixa, onde as remessas desempenham papel relevante na redução da vulnerabilidade econômica de famílias e comunidades.
Impacto econômico alcança dezenas de países
De acordo com os dados apresentados pela ONU, o volume de recursos enviados por migrantes representa mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 80 países.
O impacto das remessas vai além do consumo familiar, influenciando setores econômicos locais, ampliando a circulação de recursos financeiros e contribuindo para investimentos em pequenos negócios e atividades produtivas.
A ONU destaca que esse fluxo financeiro se tornou um dos principais mecanismos de apoio econômico para diversas regiões, especialmente em países que dependem significativamente da renda proveniente de cidadãos que vivem e trabalham no exterior.
Digitalização transforma o envio de recursos
O avanço das tecnologias digitais também vem alterando a dinâmica do setor. Segundo o Ifad, metade das transações globais de remessas já é realizada por canais digitais, reduzindo custos operacionais e facilitando o acesso aos serviços financeiros.
A expansão dos pagamentos eletrônicos tem contribuído para a inclusão financeira de milhões de pessoas, permitindo transferências mais rápidas e ampliando o acesso a ferramentas bancárias e de pagamento digital.
A ONU avalia que a transformação digital pode desempenhar papel relevante na ampliação do alcance das remessas, especialmente em áreas rurais e localidades com infraestrutura financeira limitada.
Mulheres migrantes ganham protagonismo no fluxo de remessas
O relatório também destaca a relação entre as remessas internacionais e a migração feminina. Atualmente, cerca de 91 milhões de mulheres vivem e trabalham fora de seus países de origem em regiões menos desenvolvidas, segundo estimativas do Ifad.
Essas trabalhadoras participam ativamente do envio de recursos para familiares, contribuindo para o sustento de lares, educação de crianças, acesso à saúde e desenvolvimento econômico local.
A organização ressalta que políticas voltadas à inclusão financeira e digital podem ampliar as oportunidades econômicas para mulheres migrantes e para as comunidades que recebem esses recursos.
ONU relaciona remessas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
O Dia Internacional das Remessas Familiares busca destacar a contribuição dos migrantes para o desenvolvimento econômico e social em escala global.
Segundo a ONU, a ampliação da inclusão financeira e digital pode fortalecer a capacidade das famílias migrantes de alcançar metas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo redução da pobreza, promoção da igualdade de gênero, geração de trabalho decente e fortalecimento da segurança alimentar.
A campanha deste ano reforça a necessidade de ações conjuntas entre governos, instituições financeiras e organismos internacionais para ampliar oportunidades econômicas, especialmente em áreas rurais e entre mulheres e jovens.
*Com informações da ONU News.









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