A Rússia realizou, na quinta-feira (30/07/2026), uma nova ofensiva aérea em larga escala contra a Ucrânia, deixando ao menos oito mortos, segundo autoridades ucranianas. O ataque combinou 74 mísseis e 284 drones, atingindo diversas regiões do país, enquanto um projétil abriu uma cratera em território polonês, próximo à fronteira ucraniana, levando a Polônia a iniciar uma investigação sobre sua origem.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia ampliou ataques de drones contra infraestruturas estratégicas dentro da Rússia, evidenciando uma nova etapa da guerra, caracterizada pelo aumento das operações aéreas de ambos os lados. O episódio elevou as preocupações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre possíveis impactos do conflito em países vizinhos.
Enquanto Kiev contabiliza vítimas e danos provocados pelos bombardeios, autoridades europeias acompanham o incidente ocorrido na Polônia e reforçam o monitoramento da fronteira oriental da aliança militar.
Bombardeios russos deixam mortos e atingem diversas regiões da Ucrânia
Segundo o governo ucraniano, a ofensiva russa utilizou 74 mísseis e 284 drones, direcionados contra diferentes regiões do país durante a madrugada de quinta-feira (30/07/2026).
O ataque mais grave ocorreu em um vilarejo próximo a Kryvyi Rih, no centro da Ucrânia, onde um míssil balístico atingiu uma residência, provocando a morte de seis integrantes de uma mesma família, sendo três adultos e três crianças.
Em Kiev, outra pessoa morreu e duas ficaram feridas. Durante a noite, moradores voltaram a buscar abrigo em estações de metrô após o acionamento dos alertas aéreos, cenário que permanece recorrente desde o início da guerra.
Zelensky volta a cobrar sistemas Patriot
Após os ataques, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a ofensiva evidencia a necessidade de reforçar os sistemas de defesa aérea do país.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, foram interceptados 55 dos 74 mísseis lançados pela Rússia e 265 dos 284 drones utilizados na operação.
Zelensky reiterou o pedido aos aliados ocidentais pelo envio de sistemas Patriot, afirmando que a Ucrânia enfrenta uma escassez de mísseis de defesa antiaérea.
Cratera na Polônia amplia preocupação da Otan
Enquanto a Ucrânia enfrentava os bombardeios, autoridades da Polônia anunciaram a descoberta de uma grande cratera na região de Tarnawa-Kolonia, na província de Lublin, a aproximadamente 80 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
Moradores relataram uma forte explosão antes das 4h da manhã. No local, a polícia encontrou uma cratera de cerca de dez metros de diâmetro e fragmentos de um objeto cuja origem ainda está sendo investigada.
O Comando Operacional das Forças Armadas da Polônia informou que um helicóptero militar localizou o provável ponto de impacto, enquanto a Justiça Militar abriu investigação para determinar a procedência do projétil.
Autoridades europeias acompanham investigação
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk, o ministro da Defesa Wladyslaw Kosiniak-Kamysz e o ministro do Interior Marcin Kierwinski anunciaram visitas à área atingida.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou os bombardeios russos contra a Ucrânia e afirmou que a violação do espaço aéreo polonês reforça os riscos do conflito para a segurança europeia.
O episódio remete a incidentes anteriores registrados durante a guerra. Em novembro de 2022, um míssil caiu no vilarejo de Przewodów, na Polônia, causando duas mortes. Já em setembro de 2025, drones russos foram interceptados após entrarem no espaço aéreo polonês.
Ucrânia amplia ataques de longa distância contra a Rússia
Paralelamente aos bombardeios russos, a Ucrânia intensificou operações com drones contra infraestruturas estratégicas em território russo.
Na noite de quarta-feira (29/07/2026), drones ucranianos atingiram refinarias de petróleo e centros logísticos em diferentes regiões da Rússia, incluindo Perm, localizada a mais de 2.000 quilômetros da linha de frente.
Segundo analistas militares citados pelas autoridades ucranianas, o objetivo é reduzir a capacidade logística russa e aumentar o impacto econômico das operações militares.
Estratégia busca afetar infraestrutura logística russa
De acordo com o especialista ucraniano Maksym Beznosiuk, a estratégia procura comprometer cadeias de abastecimento por meio de ataques sucessivos contra refinarias, depósitos de combustíveis e centros logísticos.
Segundo ele, a dimensão territorial da Rússia dificulta a proteção simultânea de todas as instalações estratégicas, obrigando Moscou a redistribuir continuamente seus sistemas de defesa aérea.
O especialista avalia, entretanto, que essa estratégia não indica uma aproximação de um cessar-fogo e pode provocar respostas militares ainda mais intensas por parte da Rússia.
Guerra entra em nova fase de escalada aérea
A sequência de bombardeios registrada nos últimos dias evidencia uma ampliação das operações de longa distância realizadas por ambos os lados.
Enquanto Moscou mantém ataques com grande volume de mísseis e drones contra cidades ucranianas, Kiev amplia ofensivas direcionadas a refinarias, centros logísticos e outras infraestruturas consideradas estratégicas dentro da Rússia.
Esse cenário aumenta os riscos para países vizinhos, mantém a Otan em estado de atenção e amplia as preocupações quanto à estabilidade da segurança europeia.
*Com informações da RFI.








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