Bia Vaz: Trajetória da ex-jogadora até a Seleção Brasileira mostra como respeito às individualidades e estudos moldaram sua carreira como treinadora

A trajetória de Beatriz Vaz e Silva (Bia Vaz) reúne experiências como atleta, estudante e treinadora, consolidando uma carreira voltada ao desenvolvimento do futebol feminino brasileiro. Após atuar por clubes nacionais, defender a Seleção Brasileira e conquistar títulos em competições nacionais e internacionais, a ex-meio-campista passou a exercer funções técnicas nas categorias de base da seleção, onde destaca que o respeito às individualidades, o conhecimento do perfil das atletas e a dedicação aos estudos são pilares do trabalho de liderança.

Atualmente, Bia atua como auxiliar técnica da Seleção Brasileira Feminina Sub-17 e treinadora da Seleção Sub-15, após uma transição planejada da carreira dentro do futebol. Segundo ela, compreender as características de cada atleta é um dos principais desafios de quem ocupa uma função de comando.

Ao refletir sobre liderança, a treinadora afirma que trabalhar com pessoas exige respeito às diferenças e reconhecimento das próprias limitações. Para ela, a experiência acumulada dentro e fora dos gramados contribuiu para desenvolver uma visão mais ampla sobre gestão de equipes e formação de atletas.

Infância no esporte e incentivo à educação

A relação de Bia Vaz com o esporte começou ainda na infância, na Zona Norte de São Paulo, onde cresceu praticando diversas modalidades esportivas. Incentivada pelo pai e pelo avô, Claudionor Pereira da Silva, ela participou de brincadeiras de rua, jogou futebol, vôlei, basquete e também treinou karatê antes de optar definitivamente pelo futebol.

Por volta dos 12 anos, a atleta decidiu concentrar sua dedicação ao futebol. Nesse período, recebeu incentivo do professor Luiz, que a estimulou tanto a buscar oportunidades em clubes quanto a investir na formação acadêmica em Educação Física, curso que concluiu anos depois.

A treinadora destaca que a combinação entre esporte e estudos foi determinante para sua formação profissional e continua sendo um princípio que procura transmitir às atletas das categorias de base.

Carreira como jogadora reúne passagens por grandes clubes

Ainda adolescente, Bia realizou testes em equipes femininas e iniciou sua trajetória em clubes paulistas. Durante a carreira, defendeu equipes como Juventus, Mackenzie, Foz Cataratas, Ferroviária, São José, Flamengo, Osasco Audax e outras agremiações.

Além da experiência no futebol brasileiro, ela teve duas passagens pelos Estados Unidos, sendo uma voltada aos estudos e outra para atuar profissionalmente pelo Boston Breakers, experiência que posteriormente avaliou como importante para seu amadurecimento.

Entre as principais conquistas da carreira como atleta estão:

  • Campeonato Brasileiro Feminino de 2014 e 2016;
  • Copa do Brasil Feminina de 2011 e 2014;
  • Campeonato Paulista Feminino de 2013;
  • Copa América Feminina de 2014 com a Seleção Brasileira, durante o período em que foi convocada entre 2013 e 2016.

Experiência internacional contribuiu para evolução profissional

Ao recordar a passagem pelo Boston Breakers, Bia reconhece que encontrou dificuldades para adaptação ao estilo de jogo adotado nos Estados Unidos. Segundo ela, a experiência revelou diferenças táticas importantes e evidenciou a necessidade de adaptação às características de cada equipe.

Apesar das dificuldades, considera que o período representou um aprendizado relevante para sua evolução profissional, especialmente em aspectos ligados à compreensão do jogo e à maturidade dentro do futebol.

As convocações para a Seleção Brasileira também são apontadas como momentos marcantes da carreira. Mesmo sem grande sequência em campo, a convivência com atletas experientes e membros da comissão técnica ampliou sua visão sobre trabalho coletivo, preparação esportiva e liderança.

Transição para a função de treinadora foi planejada

A mudança para a carreira de técnica ocorreu quando Bia tinha 31 anos. Diferentemente da decisão de se tornar jogadora profissional, a transição foi construída gradualmente, acompanhando mudanças físicas, emocionais e profissionais.

Antes de assumir funções técnicas, ela obteve a Licença B, destinada ao comando de equipes das categorias de base até o Sub-20, além de receber apoio de integrantes da comissão técnica da Seleção Brasileira Feminina, entre eles Vadão e Fabrício Maia.

Segundo Bia, o acolhimento recebido por atletas e profissionais durante esse período contribuiu para aumentar sua segurança na nova função.

Trabalho nas categorias de base da Seleção Brasileira

Após atuar durante as temporadas de 2024 e 2025 no comando da equipe Sub-20 do Corinthians, Bia retornou à Seleção Brasileira Feminina no início deste ano.

Hoje, exerce as funções de auxiliar técnica da Seleção Sub-17, ao lado de Rilany Silva, e de treinadora da Seleção Sub-15. Entre os resultados recentes da comissão técnica está a conquista do Campeonato Sul-Americano Feminino Sub-17.

Os próximos compromissos da equipe incluem a disputa da Liga Evolução Sub-15 da Conmebol, prevista para setembro, no Paraguai, e da Copa do Mundo Feminina Sub-17, programada para outubro, no Marrocos.

Ao longo de sua trajetória, Bia Vaz afirma que a experiência acumulada como atleta, aliada à formação acadêmica e ao trabalho com diferentes perfis de jogadoras, consolidou sua compreensão de que o desenvolvimento esportivo depende não apenas dos aspectos técnicos, mas também da capacidade de compreender e respeitar as características individuais de cada integrante da equipe.


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