Brasil mantém diálogo com os EUA e avalia MP e Lei de Reciprocidade diante de possível tarifa de até 37,5%

O governo brasileiro reafirmou, na terça-feira (14/07/2026), que considera “injusta” a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A posição foi apresentada durante reunião de alto nível com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, realizada na véspera da decisão prevista pela administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas. Paralelamente, integrantes da equipe econômica informaram que o Executivo poderá editar uma Medida Provisória (MP) para apoiar os setores exportadores caso as medidas sejam efetivamente implementadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), este foi o quinto encontro entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde 7 de maio de 2026, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.

O governo brasileiro sustenta que as propostas de tarifas não possuem fundamento técnico e afirma que continuará priorizando as negociações diplomáticas para evitar novas barreiras comerciais.

Brasil contesta investigação do USTR e critica proposta de sobretaxas

Em comunicado oficial, o Mdic reiterou que as recomendações apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não justificam a adoção de novas restrições comerciais contra produtos brasileiros.

As críticas envolvem a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicada também a outras 59 economias.

Segundo o ministério, a adoção de qualquer sobretaxa não representa o caminho adequado para a construção de um acordo bilateral, reiterando que o Brasil continuará defendendo uma solução baseada no diálogo.

Governo mantém negociações e acompanha decisão americana

Além do Mdic, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

De acordo com o governo, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece voltada à manutenção das negociações com Washington. Nos bastidores, interlocutores avaliam que houve avanços nos primeiros meses de diálogo, mas que a posição norte-americana tornou-se mais rigorosa nas últimas semanas.

A investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, aponta supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro afirma que nenhuma dessas alegações justifica a aplicação das tarifas.

Governo poderá editar Medida Provisória para apoiar empresas exportadoras

Também na terça-feira (14/07/2026), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo poderá editar uma nova Medida Provisória caso as tarifas sejam confirmadas pelos Estados Unidos.

Segundo o ministro, a eventual medida seguiria modelo semelhante ao do programa Brasil Soberano, criado para reduzir impactos sobre empresas afetadas por barreiras comerciais.

Durigan afirmou que a decisão dependerá da avaliação dos efeitos das sobretaxas sobre os setores exportadores e destacou que o governo pretende agir com cautela antes de anunciar qualquer iniciativa.

Executivo também avalia aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica

Além da possibilidade de editar uma MP, o ministro informou que o governo considera retomar os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento aprovado para permitir respostas a barreiras comerciais impostas por outros países.

Segundo Durigan, o processo havia sido suspenso após a redução das tensões comerciais, mas poderá ser retomado após consulta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro acrescentou que, caso as tarifas sejam implementadas, o governo identificará os setores mais afetados e dialogará com representantes da indústria antes da definição de medidas de apoio.

Tarifas poderão alcançar até 37,5% sobre alguns produtos brasileiros

Os Estados Unidos analisam a aplicação de uma tarifa adicional de até 25% sobre produtos brasileiros após a investigação conduzida pelo USTR.

Além disso, autoridades norte-americanas discutem uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada a denúncias envolvendo condições de trabalho no Brasil. Caso ambas sejam adotadas, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas de até 37,5%.

Entre os setores citados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

CNI estima impacto sobre US$ 15 bilhões em exportações

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros poderão ser atingidos caso as novas tarifas sejam confirmadas.

Segundo a entidade, esses produtos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Entre os itens potencialmente afetados estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Enquanto aguarda a decisão final do governo dos Estados Unidos, o Executivo brasileiro afirma que manterá as negociações diplomáticas e acompanhará a consulta pública conduzida pelo USTR antes de definir eventuais medidas de resposta.

*Com informações da Agência Brasil.


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