A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira (22/07/2026), um projeto da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) que prevê um orçamento recorde de US$ 1,15 trilhão (R$ 5,82 trilhões) para o Pentágono. A proposta segue agora para análise do Senado e foi aprovada em um contexto de escalada das tensões no Oriente Médio e de ampliação do conflito envolvendo o Irã.
O texto foi aprovado por 216 votos favoráveis e 212 contrários, evidenciando a divisão entre republicanos e democratas. O orçamento representa um aumento de aproximadamente US$ 250 bilhões em relação ao exercício anterior e contempla reajustes salariais entre 5% e 7% para integrantes das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Segundo o presidente da Câmara, Mike Johnson, o projeto busca ampliar a capacidade de defesa do país diante do cenário internacional. Entre as medidas previstas estão investimentos na modernização do arsenal nuclear, no fortalecimento dos sistemas de defesa antimísseis e em outras áreas estratégicas da estrutura militar norte-americana.
Defesa do aumento de recursos e justificativas apresentadas pelos republicanos
O presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, Jodey Arrington, afirmou que os recursos permitirão ampliar a prontidão operacional das tropas, garantir o fornecimento de munições e fortalecer a capacidade militar dos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, o objetivo é assegurar condições para que as forças armadas cumpram suas missões e retornem em segurança.
Integrantes republicanos da Comissão de Serviços Armados também defenderam a proposta, argumentando que parte significativa dos estoques de armamentos foi utilizada durante as operações militares relacionadas ao conflito com o Irã. Para os parlamentares, o projeto permitirá a recomposição dessas reservas.
Além dos investimentos em equipamentos militares, o texto mantém recursos destinados à atualização tecnológica das estruturas de defesa, considerados prioritários pela liderança republicana durante a tramitação da proposta.
Democratas criticam gastos militares e inclusão de proposta eleitoral
Apesar da aprovação, o projeto enfrentou resistência entre parlamentares democratas. Embora seis deputados democratas tenham votado favoravelmente, representantes da ala progressista criticaram o volume de recursos destinados ao setor militar e o direcionamento das políticas de defesa.
O deputado Jerry Nadler afirmou que a proposta amplia despesas consideradas excessivas e acusou o governo do presidente Donald Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, de promoverem uma política de gastos militares sem controle. Em sua avaliação, a medida financia ações militares e compromete princípios democráticos.
Outro ponto de contestação foi a inclusão do Save America Act no texto da NDAA de 2027. A proposta, apoiada por Donald Trump, estabelece restrições a modalidades de votação em âmbito nacional. Parlamentares democratas argumentaram que a inclusão ocorreu por meio de um procedimento legislativo inadequado e afirmaram que a medida poderá restringir o direito de voto de milhões de eleitores.
Cooperação militar com Israel amplia debate no Congresso
Entre os dispositivos mais discutidos está a previsão de ampliação da cooperação entre as Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel. O tema provocou debates durante a tramitação do projeto e gerou críticas de parlamentares da ala progressista.
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez afirmou que a medida pode ampliar o grau de integração entre os exércitos dos dois países e levantou preocupações sobre seus impactos para a soberania americana.
A líder democrata na área orçamentária da Câmara, Rosa DeLauro, declarou que a Lei de Autorização de Defesa Nacional historicamente era construída com amplo apoio entre os partidos, mas avaliou que a atual versão se tornou um projeto marcado pela polarização política. Segundo a parlamentar, a proposta deixou de representar um consenso bipartidário sobre a política de defesa nacional.
*Com informações da RFI.







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