A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu a continuidade das negociações entre Brasil e Estados Unidos após o anúncio de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, divulgado pelos norte-americanos na quinta-feira (23/07/2026). A medida amplia as barreiras comerciais impostas ao país e se soma à sobretaxa de 25%, que entrou em vigor na quarta-feira (22/07/2026).
O posicionamento foi apresentado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Segundo Alban, a prioridade do setor produtivo é manter abertas as negociações diplomáticas e comerciais entre os dois países como forma de reduzir os impactos sobre a indústria brasileira.
De acordo com o dirigente, a entidade continuará apoiando as iniciativas do governo federal para buscar uma solução negociada. Em entrevista coletiva, Alban afirmou que a continuidade do diálogo representa a principal estratégia diante do cenário criado pelas novas tarifas norte-americanas.
CNI propõe medidas emergenciais e nova missão para a política industrial
Além da negociação diplomática, a estratégia apresentada pela CNI prevê duas frentes de atuação: ações emergenciais para apoiar empresas afetadas e iniciativas estruturantes voltadas ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional.
No curto prazo, a proposta envolve uma atuação conjunta entre MDIC, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a própria CNI, por meio do Serviço Social da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Para o médio e longo prazo, a entidade propôs a criação de uma sétima missão do programa Nova Indústria Brasil (NIB). A iniciativa teria como foco ampliar a inserção internacional da indústria brasileira, fortalecer cadeias produtivas globais e desenvolver mecanismos permanentes de apoio às empresas exportadoras.
Nova missão pretende fortalecer cadeias produtivas internacionais
Atualmente, o programa Nova Indústria Brasil está estruturado em seis missões estratégicas, voltadas às cadeias agroindustriais sustentáveis, complexo econômico-industrial da saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e tecnologias para soberania e defesa.
A proposta da CNI prevê uma missão adicional, com caráter transitório, destinada aos segmentos industriais diretamente afetados pelas novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Segundo Ricardo Alban, será constituído um grupo de trabalho coordenado pela CNI, reunindo federações estaduais da indústria e representantes dos setores mais impactados pelo comércio exterior. O MDIC ficará responsável pela articulação entre os órgãos públicos participantes da iniciativa.
Tarifas atingem milhares de produtos brasileiros
As novas medidas comerciais foram adotadas após uma investigação conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em junho deste ano, o órgão concluiu que práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio norte-americano.
Com base nessa avaliação, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os itens mantidos fora da medida estão café, suco de laranja e carne.
Mesmo com essas exceções, a CNI estima que aproximadamente 4 mil produtos brasileiros foram atingidos, afetando cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações destinadas ao mercado norte-americano, um dos principais compradores de produtos manufaturados brasileiros.
CNI avalia impactos da nova tarifa e defende cooperação entre os países
Além da sobretaxa de 25%, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa adicional de 12,5%, sob a alegação de que o Brasil não combate de forma adequada o trabalho forçado. Segundo Ricardo Alban, a entidade ainda analisa os impactos econômicos dessa nova medida sobre os diferentes segmentos industriais.
O presidente da CNI afirmou que a perda de competitividade tende a afetar principalmente os produtos manufaturados e informou que a entidade encaminhou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a continuidade das negociações e a participação dos setores produtivos dos dois países na busca por soluções.
Dados apresentados pela CNI indicam que 60,3% das exportações brasileiras atingidas pela tarifa adicional de 25% correspondem a bens intermediários, utilizados pela própria indústria norte-americana como matérias-primas e componentes na fabricação de outros produtos. Segundo Alban, existem interesses econômicos convergentes entre Brasil e Estados Unidos em áreas como inteligência artificial, data centers, minerais críticos e agregação de valor industrial.








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