Os Estados Unidos intensificaram a campanha militar contra o Irã, ampliando os bombardeios para novas regiões do país, enquanto Teerã respondeu com ataques a aliados de Washington no Oriente Médio. Apesar da escalada do conflito, o governo iraniano afirmou nesta segunda-feira (20/07/2026) que as negociações indiretas para um cessar-fogo permanecem em andamento, com mediação de países da região.
Desde a retomada das hostilidades, em 07/07/2026, os ataques americanos deixaram de se concentrar apenas no sul iraniano, próximo ao Golfo Pérsico, passando a atingir áreas do centro e do noroeste do país. Segundo autoridades iranianas, os bombardeios alcançaram cidades e instalações estratégicas, ampliando o alcance da ofensiva.
Enquanto Washington afirma que os ataques têm como alvo estruturas militares, o governo iraniano sustenta que áreas urbanas e instalações civis também foram atingidas, incluindo locais ligados ao programa nuclear do país.
Bombardeios atingem novas regiões e instalações nucleares
De acordo com autoridades iranianas, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em bombardeios americanos contra a cidade de Tabriz, no noroeste do Irã. Outros ataques também atingiram Orumieh, localizada na província vizinha.
Teerã informou ainda que a usina nuclear de Bushehr, única central nuclear em operação no país, foi atingida durante a ofensiva. Segundo o governo iraniano, a central de Darkhovin, ainda em construção, também sofreu bombardeios no domingo (19/07/2026).
Em resposta, o governo iraniano solicitou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condene os ataques às instalações nucleares. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaïl Baghaï, afirmou que espera uma manifestação formal do Conselho de Governadores da agência e de seu diretor-geral, Rafael Grossi.
Irã amplia resposta militar e mantém negociações diplomáticas
Como reação à ofensiva americana, o Irã realizou ataques contra Kuwait e Bahrein, países considerados aliados estratégicos dos Estados Unidos na região do Golfo.
Segundo o governo iraniano, entretanto, os canais diplomáticos permanecem abertos. Paquistão, Catar e Omã participam das negociações indiretas entre Teerã e Washington com o objetivo de buscar uma solução para o conflito.
O Exército do Kuwait informou ter enfrentado uma nova ofensiva de drones iranianos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter realizado operações militares contra instalações americanas em Aqaba, na Jordânia, e em Al-Tanf, na Síria.
Conflito registra novas baixas militares
Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas, três militares dos Estados Unidos morreram recentemente em operações relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Dois soldados morreram em ataques registrados na Jordânia, enquanto outro militar faleceu no Iraque durante uma operação para destruição de munições inimigas. Outro integrante das forças americanas continua desaparecido.
O presidente Donald Trump declarou que os recentes bombardeios americanos foram realizados em homenagem aos militares mortos. Segundo o governo dos Estados Unidos, 17 militares americanos morreram desde o início da guerra, em 28/02/2026.
Do lado iraniano, o último balanço oficial divulgado pelas autoridades registra 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates.
Estreito de Ormuz permanece no centro da crise
Outro foco da escalada militar é o Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo e derivados.
A Guarda Revolucionária informou ter interceptado dois petroleiros que sofreram explosões durante a travessia da região, além de manter sob controle outras embarcações.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um navio foi atingido por um projétil e incendiado próximo à costa de Kumzar, em Omã.
O governo iraniano afirmou que pretende manter o controle da passagem estratégica para proteger seus interesses nacionais e sua soberania.
Estados Unidos ampliam presença militar na região
Segundo informações publicadas pelo jornal The Washington Post, os Estados Unidos estão deslocando novas aeronaves de combate e aviões-tanque da Europa para o Oriente Médio, ampliando a capacidade operacional das forças americanas na região.
A movimentação ocorre após o aumento das baixas militares e da intensificação dos ataques registrados nas últimas semanas.
Embora o Irã e os Estados Unidos tenham firmado anteriormente um memorando voltado ao encerramento do conflito, Teerã acusa Washington de ter violado o entendimento ao retomar as operações militares a partir de 08/07/2026.
Enquanto isso, os esforços diplomáticos prosseguem paralelamente à escalada militar, mantendo aberto um canal de negociação entre as partes envolvidas.
*Com informações da RFI e Sputnik News.







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