O ex-governador da Bahia e pré-candidato ao Senado Rui Costa (PT) classificou, na segunda-feira (13/07/2026), como “medíocres” as administrações de ACM Neto e Bruno Reis em Salvador. A declaração foi feita durante uma reunião da chapa majoritária governista com pré-candidatos a deputado estadual e federal, realizada no Hotel Wyndham Hangar Aeroporto, na capital baiana. No discurso, o ex-ministro da Casa Civil criticou serviços municipais de saúde e educação, atribuiu aos governos petistas a execução das principais obras estruturantes da cidade e defendeu que a campanha eleitoral seja marcada pela comparação entre os resultados dos grupos políticos.
Rui Costa critica modelo administrativo de Salvador
“A gestão deles é medíocre.”
Com essa declaração, Rui Costa resumiu sua avaliação sobre o modelo administrativo implantado por ACM Neto, prefeito de Salvador entre 2013 e 2020, e mantido por Bruno Reis, que assumiu o comando do Executivo municipal em janeiro de 2021.
Segundo o ex-governador, os indicadores da Prefeitura contrariam o discurso de eficiência administrativa construído pelo grupo político que governa a capital baiana desde 2013. Rui defendeu que a disputa eleitoral de 2026 confronte os resultados das administrações municipais com os investimentos realizados pelos governos estaduais do PT.
O pré-candidato afirmou que os adversários procuram evitar uma comparação direta entre os modelos de gestão porque, em sua avaliação, os dados de áreas essenciais revelariam deficiências na prestação dos serviços públicos municipais.
Saúde, educação e creches estão entre as áreas criticadas
Durante o encontro, Rui Costa concentrou as críticas nos setores de saúde e educação. Ele citou a oferta de exames preventivos, o acompanhamento pré-natal, a disponibilidade de vagas em creches e a estrutura da rede municipal de atendimento.
O ex-ministro declarou que Salvador registra desempenhos insatisfatórios em áreas essenciais e afirmou que a situação dos serviços públicos precisa ocupar posição central no debate eleitoral.
Também foi questionado o modelo de funcionamento do Hospital Municipal de Salvador. Rui criticou o fato de a unidade não funcionar como hospital de porta aberta para todos os pacientes que procuram diretamente atendimento de urgência e emergência.
Na estrutura municipal, o acesso ao hospital ocorre principalmente por meio da regulação e do encaminhamento de pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento e em outros serviços da rede. A crítica apresentada pelo petista está relacionada ao modelo de entrada e à ausência de atendimento direto e irrestrito à população.
Rui reivindica legado de obras estruturantes
Governador da Bahia entre 2015 e 2022, Rui Costa também contestou o discurso da oposição sobre os investimentos realizados em Salvador. Ele afirmou que as intervenções responsáveis por mudanças estruturais na capital foram executadas pelos governos estaduais administrados pelo PT.
“O que tem de estruturante nessa cidade fomos nós que fizemos.”
Entre as áreas mencionadas estão as obras de macrodrenagem, contenção de encostas, mobilidade urbana e infraestrutura. Rui relacionou essas intervenções às administrações de Jaques Wagner, à sua própria gestão e ao governo de Jerônimo Rodrigues.
A declaração pretende estabelecer uma diferenciação entre as obras executadas pelo Governo do Estado e as ações realizadas pela Prefeitura. O argumento deverá integrar a estratégia eleitoral do PT em Salvador, principal colégio eleitoral da Bahia.
Ao reivindicar o legado das grandes intervenções urbanas, Rui Costa procura associar os governos petistas à ampliação da infraestrutura e à execução de projetos de maior impacto territorial e social na capital.
Comparação entre governos deverá orientar campanha
Rui Costa defendeu que a campanha de 2026 seja baseada na comparação entre os resultados dos governos do PT e o desempenho administrativo do grupo liderado por ACM Neto.
Segundo ele, a oposição procura concentrar o debate em temas locais e evitar que a disputa estadual seja influenciada pela presença política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém forte apoio eleitoral na Bahia.
O ex-governador afirmou que ACM Neto tenta afastar sua imagem do bolsonarismo e impedir a nacionalização da campanha. Na avaliação do petista, a associação da oposição baiana com setores da direita nacional poderá influenciar o comportamento dos eleitores, especialmente em Salvador.
A estratégia governista deverá aproximar a campanha estadual da disputa presidencial, apresentando Jerônimo Rodrigues e os demais candidatos da base como representantes do projeto político liderado por Lula.
Encontro reúne chapa majoritária e candidatos proporcionais
A reunião foi liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues e reuniu integrantes da chapa majoritária governista, dirigentes partidários e dezenas de pré-candidatos à Assembleia Legislativa da Bahia e à Câmara dos Deputados.
Participaram do encontro o senador Jaques Wagner, o vice-governador Geraldo Júnior e Rui Costa, além de lideranças políticas com atuação em Salvador.
Também estiveram presentes a deputada federal e ex-prefeita da capital Lídice da Mata, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, José Trindade, vereadores, ex-vereadores e representantes dos partidos que integram a base aliada.
O encontro teve como objetivo alinhar a estratégia eleitoral, fortalecer a atuação dos pré-candidatos nos bairros de Salvador e ampliar a integração entre a chapa majoritária e os postulantes aos cargos proporcionais.
Salvador ocupa posição estratégica na eleição de 2026
A capital baiana deverá ser um dos principais territórios da disputa estadual. Salvador concentra o maior eleitorado da Bahia e é administrada pelo grupo político de ACM Neto, principal adversário do PT na eleição para o Governo do Estado.
O campo governista pretende ampliar sua presença eleitoral na cidade por meio da defesa dos investimentos estaduais, da associação com o presidente Lula e das críticas aos serviços administrados pela Prefeitura.
A oposição, por sua vez, deverá apresentar a continuidade das administrações de ACM Neto e Bruno Reis como demonstração de capacidade de gestão e utilizar os resultados eleitorais obtidos na capital para fortalecer sua candidatura estadual.
As declarações de Rui Costa antecipam uma campanha marcada pelo confronto entre modelos administrativos, pela disputa sobre a autoria das obras públicas e pela avaliação dos serviços oferecidos à população de Salvador.








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