Flávio Bolsonaro propõe acordo de livre comércio nas Américas inspirado no NAFTA, mas iniciativa enfrenta regras do Mercosul

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante transmissão ao vivo realizada na quarta-feira (08/07/2026), que pretende propor a criação de uma área de livre comércio entre Brasil, Estados Unidos, México e Canadá, caso seja eleito presidente da República. Segundo o parlamentar, a iniciativa seria inspirada no antigo Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (NAFTA) e poderia evoluir para um Acordo de Livre Comércio das Américas (AFTA).

A declaração foi feita durante viagem oficial do senador a Washington, nos Estados Unidos, onde participou de compromissos relacionados à investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre produtos brasileiros. O órgão avalia a possibilidade de recomendar a aplicação de tarifa de 25% sobre importações provenientes do Brasil.

Ao apresentar a proposta, Flávio Bolsonaro afirmou que as economias brasileira e norte-americana possuem características complementares e defendeu uma maior integração comercial entre os países do continente.

Proposta prevê ampliação do livre comércio nas Américas

Durante a transmissão, o senador afirmou que a ideia consiste em transformar o conceito do antigo NAFTA em um acordo mais amplo, incluindo o Brasil e, futuramente, outros países do continente.

Segundo Flávio Bolsonaro, a iniciativa poderia receber o nome de AFTA (Acordo de Livre Comércio das Américas), reunindo inicialmente Brasil, Estados Unidos, México e Canadá.

O parlamentar também mencionou a possibilidade de participação da Argentina, citando o recente acordo comercial firmado entre o governo do presidente Javier Milei e os Estados Unidos, que, segundo ele, reduziu tarifas sobre diversos produtos comercializados entre os dois países.

Regras do Mercosul representam principal desafio

A proposta, entretanto, encontra um obstáculo jurídico e diplomático relacionado às normas do Mercosul.

Atualmente, o bloco adota uma política comercial comum, estabelecendo que acordos de livre comércio com países ou blocos externos sejam negociados de forma conjunta pelos Estados-membros.

Embora existam debates sobre maior flexibilização dessas regras — defendida principalmente por Argentina e Uruguai —, o Brasil permanece vinculado aos compromissos firmados no âmbito do Mercosul, o que pode limitar negociações comerciais unilaterais.

Agenda em Washington inclui investigação comercial dos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro está em Washington desde domingo (05/07/2026). Na terça-feira (07/07/2026), participou de audiência pública promovida pelo USTR, órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.

O procedimento analisa possíveis medidas comerciais envolvendo produtos brasileiros, incluindo a eventual aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre determinadas exportações.

Segundo o senador, informações obtidas durante a viagem indicariam que o órgão norte-americano poderá recomendar a adoção da tarifa. A conclusão da investigação deverá ser apresentada até 15 de julho de 2026.

Integração comercial permanece em debate

A discussão sobre acordos de livre comércio integra o debate sobre a inserção internacional da economia brasileira e sobre o futuro das relações comerciais do Mercosul.

Nos últimos anos, países integrantes do bloco passaram a defender diferentes níveis de flexibilização para permitir negociações individuais com parceiros externos. Entretanto, qualquer alteração nas regras depende de entendimento entre os membros do Mercosul.

Caso a proposta de criação de um AFTA venha a ser formalmente apresentada no futuro, sua implementação dependeria de negociações diplomáticas multilaterais e da compatibilização com os compromissos internacionais já assumidos pelo Brasil.

*Com informações da Sputnik News.


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