O governador Jerônimo Rodrigues afirmou nesta quinta-feira (30/07/2026) que o Governo Federal pretende publicar, entre agosto e setembro, o edital da nova concessão das rodovias BR-324 e BR-116, no trecho entre Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e a divisa da Bahia com Minas Gerais. Denominado Rota 2 de Julho, o projeto permanece sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU), prevê contrato de 30 anos e estima R$ 15,7 bilhões em investimentos ao longo de aproximadamente 663 quilômetros.
Jerônimo cobra celeridade para publicação do edital
Durante entrevista à Rádio Excelsior, Jerônimo Rodrigues informou que esteve em Brasília na quarta-feira (29/07) para acompanhar a tramitação da concessão e cobrar a aceleração das etapas necessárias à realização do leilão.
“Ontem eu estava em Brasília tratando, cobrando celeridade para que a gente possa acelerar o leilão para que uma empresa ganhe a 324, que é Salvador–Feira de Santana, mas também a BR-116, saindo de Feira, sentido Conquista, até a divisa com Minas Gerais.”
O governador reuniu-se com o ministro dos Transportes, George Santoro, responsável pela pasta federal desde 2026. Segundo Jerônimo, o projeto será encaminhado à fase de licitação depois que o TCU concluir a avaliação dos estudos, das minutas contratuais e das condições econômico-financeiras da concessão.
A expectativa apresentada pelo chefe do Executivo baiano é de que o edital seja publicado e o processo de leilão avance entre agosto e setembro. Até o momento, entretanto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres não divulgou oficialmente uma data definitiva para a sessão pública.
“A expectativa nossa é que ainda esse mês de agosto, ou, no máximo, setembro, a gente tenha um processo de leilão sendo realizado.”
Rota 2 de Julho prevê concessão por 30 anos
A nova concessão recebeu o nome de Rota 2 de Julho e abrange o principal corredor rodoviário entre Salvador, Feira de Santana, o centro-sul da Bahia e a divisa com Minas Gerais.
Segundo os dados atualizados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, o projeto compreende cerca de 663 quilômetros, com previsão de R$ 15,7 bilhões em despesas de capital, destinadas a obras, recuperação e ampliação da infraestrutura. Outros R$ 7,99 bilhões são estimados para operação, manutenção e conservação do sistema durante o contrato.
A modelagem estabelece prazo de 30 anos e adota como critério de julgamento uma combinação entre a menor tarifa de pedágio oferecida e uma curva de aportes financeiros. Os valores referenciais apresentados nos estudos correspondem a R$ 0,1641 por quilômetro em pista simples e R$ 0,2134 por quilômetro em pista dupla, com data-base de outubro de 2024.
Esses números ainda poderão ser ajustados no processo de análise do TCU e na versão definitiva do edital. A tarifa efetivamente cobrada também dependerá da proposta vencedora, dos descontos apresentados no leilão e das regras de atualização previstas no futuro contrato.
Trechos incluídos na concessão
O sistema rodoviário projetado contempla:
- a BR-324, entre Salvador e o acesso ao Contorno de Feira de Santana;
- a ligação da BR-324 com a BR-116, na região de Feira de Santana;
- a BR-116 Sul, entre o Contorno de Feira de Santana e a divisa da Bahia com Minas Gerais;
- segmentos complementares do Anel Rodoviário de Vitória da Conquista.
A extensão integra áreas metropolitanas, centros industriais, polos comerciais e regiões de produção agropecuária. A BR-324 constitui a principal ligação terrestre entre Salvador e Feira de Santana, enquanto a BR-116 conecta a Bahia aos mercados do Sudeste e a outros corredores nacionais de transporte.
O projeto federal também prevê intervenções destinadas à ampliação da capacidade, implantação de faixas adicionais, recuperação do pavimento, melhorias em acessos urbanos, construção e adequação de estruturas viárias, atendimento aos usuários e modernização dos mecanismos de cobrança.
Nova concessão substitui contrato encerrado com a ViaBahia
A nova modelagem foi estruturada após o encerramento do contrato firmado com a ViaBahia Concessionária de Rodovias S.A., responsável desde 2009 pela administração de trechos das BRs 116 e 324 e das rodovias estaduais BA-526 e BA-528.
O contrato original abrangia aproximadamente 681 quilômetros e previa recuperação, manutenção, conservação, monitoramento, duplicação e ampliação da capacidade das vias. Ao longo dos anos, entretanto, a execução contratual foi marcada por disputas administrativas, judiciais e arbitrais envolvendo a concessionária, a ANTT e a União.
Em fevereiro de 2025, o TCU aprovou uma solução consensual para encerrar a concessão. Como parte do acordo, a ViaBahia renunciou a disputas judiciais e arbitrais que, em valores atualizados à época, somavam aproximadamente R$ 9 bilhões.
O Tribunal registrou que, desde outubro de 2019, uma decisão judicial havia suspendido obrigações de investimentos da concessionária e limitado a capacidade da ANTT de aplicar multas, promover revisões contratuais ou avançar com procedimentos de caducidade. De acordo com o TCU, a paralisação dos investimentos contribuiu para a deterioração das rodovias e para o aumento dos riscos de acidentes.
O contrato foi formalmente encerrado à zero hora de 15/05/2025. Desde então, os trechos federais passaram a ser administrados provisoriamente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), sem cobrança de pedágio, até que uma nova concessionária assuma o sistema.
Jerônimo atribui retomada à parceria com o Governo Lula
Na entrevista, Jerônimo Rodrigues relacionou a retomada do processo à articulação institucional mantida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o governador, o Governo Federal optou por encerrar o modelo anterior e iniciar uma nova estruturação da concessão.
“Assim que o Lula chegou, o Lula desmontou o contrato e abriu um novo processo.”
Do ponto de vista administrativo, o encerramento não ocorreu por decisão isolada do Executivo. A medida resultou de uma solução consensual construída entre o Ministério dos Transportes, a ANTT, a ViaBahia e o TCU, posteriormente formalizada por meio dos procedimentos regulatórios e contratuais necessários.
Após a saída da antiga concessionária, a Infra S.A. e a ANTT conduziram os estudos técnicos, econômicos, ambientais e jurídicos da Rota 2 de Julho. A modelagem passou por audiências públicas em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Brasília, além de consulta eletrônica.
Foram analisadas 69 contribuições apresentadas entre abril e maio de 2025. O relatório final da audiência pública foi aprovado pela diretoria da ANTT em 29/01/2026, permitindo o encaminhamento do projeto ao Tribunal de Contas da União.
Projeto deve ser diferenciado da Rota dos Sertões
A Rota 2 de Julho não deve ser confundida com a Rota dos Sertões, concessão que envolve trechos das BRs 116 e 324 entre Feira de Santana e Salgueiro, em Pernambuco.
A Rota dos Sertões possui aproximadamente 502 quilômetros e foi leiloada em 28/05/2026. O Consórcio 116 Sertões venceu a disputa ao oferecer desconto de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio. O resultado foi homologado pela ANTT em julho, e o processo avançou para a assinatura do contrato.
A Rota dos Sertões é uma concessão rodoviária federal de 502 quilômetros das BRs 116 e 324, ligando Salgueiro, em Pernambuco, ao anel rodoviário de Feira de Santana, na Bahia, corredor estratégico para o transporte de passageiros e o escoamento da produção nordestina. Com duração prevista de 30 anos, o projeto reúne cerca de R$ 8,5 bilhões em investimentos, operação e manutenção, incluindo 96 quilômetros de duplicações, vias marginais, acostamentos, passarelas, bases de atendimento aos usuários e o contorno rodoviário de Serrinha. O leilão foi vencido, em 28 de maio de 2026, pelo Consórcio 116 Sertões, que ofereceu desconto de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio; o resultado foi homologado pela ANTT em julho e segue para a assinatura do contrato.
Já a Rota 2 de Julho é o projeto de nova concessão de aproximadamente 663 quilômetros das BRs 116 e 324 na Bahia, abrangendo o corredor entre Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e a divisa com Minas Gerais, anteriormente administrado pela ViaBahia. Estruturada para um contrato de 30 anos, a concessão prevê cerca de R$ 15,7 bilhões em investimentos e R$ 7,99 bilhões em custos operacionais, destinados à recuperação do pavimento, duplicações, ampliação da capacidade, melhoria da sinalização, construção de passarelas, manutenção e atendimento aos usuários. O projeto estabelece ainda um plano emergencial de 100 dias para corrigir problemas críticos após o início da operação e, após a aprovação dos estudos e documentos pela ANTT, encontra-se em análise pelo Tribunal de Contas da União antes da publicação do edital e da realização do leilão.
A distinção é necessária porque os dois projetos incluem segmentos das mesmas rodovias, mas possuem extensões, destinos, contratos e cronogramas diferentes. Feira de Santana funciona como ponto de conexão entre os dois sistemas, reforçando sua posição como principal entroncamento rodoviário da Bahia.
Feira de Santana terá intervenções vinculadas ao novo sistema
A estruturação da Rota 2 de Julho também incorporou demandas relacionadas à mobilidade urbana de Feira de Santana. Entre as intervenções discutidas estão a criação de uma ligação entre os bairros Viveiros e Feira X, a reorganização do tráfego na rotatória do Cajueiro e a construção da segunda alça do viaduto da Avenida Nóide Cerqueira.
As obras foram apresentadas em reuniões realizadas em 2025 entre representantes do Governo Federal, Governo da Bahia, DNIT, ANTT, parlamentares e autoridades municipais. O objetivo é reduzir gargalos nos acessos à BR-324 e melhorar a distribuição do fluxo de veículos na entrada e na saída da cidade.
O projeto inclui ainda asfaltamento, manutenção periódica e adequações de acessos em áreas urbanas. A definição final do cronograma, das responsabilidades e dos prazos dependerá da versão do Programa de Exploração da Rodovia que acompanhará o edital definitivo.
Outras obras rodoviárias entram na agenda federal
Além da concessão das BRs 324 e 116, Jerônimo Rodrigues informou que discutiu com o ministro George Santoro outras intervenções consideradas prioritárias para a Bahia.
A pauta incluiu a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, a continuidade das obras do Anel de Contorno de Feira de Santana e intervenções na BR-242, eixo que atravessa a Bahia no sentido leste-oeste e conecta diferentes regiões produtivas do estado.
O Anel de Contorno de Feira de Santana possui importância estratégica para a separação dos fluxos urbanos e rodoviários. A conclusão da duplicação é considerada necessária para reduzir congestionamentos, ampliar a segurança e reorganizar o trânsito de veículos pesados que circulam entre as BRs 324, 116 e 101.
Aeroportos, saúde e Rio São Francisco foram discutidos em Brasília
Na agenda em Brasília, o governador também se reuniu com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, para discutir a navegabilidade do Rio São Francisco e investimentos nos aeroportos de Jequié, Jaguaquara, Itiruçu, Ilhéus e Irecê.
Com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Jerônimo tratou da conclusão e entrega da Policlínica Regional de Remanso e do Hospital Regional de Jacobina. A previsão apresentada é de que as unidades sejam entregues até o final de 2026, além do envio de equipamentos para outras estruturas do sistema estadual de saúde.
Os encontros integram a articulação do Governo da Bahia com diferentes ministérios para viabilizar investimentos federais em infraestrutura logística, mobilidade, transporte aéreo, navegação e atendimento regional de saúde.
Linha do tempo da concessão das BRs 324 e 116
- Outubro de 2009: início do contrato de concessão com a ViaBahia para administrar aproximadamente 681 quilômetros das BRs 116 e 324 e das BAs 526 e 528.
- 19/10/2019: decisão judicial suspende parte das obrigações de investimento da concessionária e limita a aplicação de sanções pela ANTT.
- 05/02/2025: TCU aprova solução consensual para encerramento do contrato entre a ANTT e a ViaBahia.
- Abril e maio de 2025: ANTT realiza audiências públicas e recebe 69 contribuições sobre a nova concessão denominada Rota 2 de Julho.
- 15/05/2025: contrato da ViaBahia é encerrado; DNIT assume provisoriamente os trechos federais e a cobrança de pedágio é suspensa.
- 29/01/2026: diretoria da ANTT aprova o relatório final da audiência pública e autoriza o encaminhamento da modelagem ao TCU.
- 29/07/2026: Jerônimo Rodrigues reúne-se com o ministro George Santoro, em Brasília, e cobra celeridade na análise e na realização do leilão.
- 30/07/2026: governador declara que espera a publicação do edital e o avanço do leilão entre agosto e setembro de 2026.








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