Impedimento semiautomático estreia no Brasileirão com média de 47 segundos por checagem e cinco revisões na 20ª rodada

A tecnologia de impedimento semiautomático (SAOT) estreou oficialmente no Campeonato Brasileiro durante a 20ª rodada e foi utilizada em cinco lances, registrando tempo médio de checagem de 47 segundos. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o sistema proporcionou maior rapidez na validação dos impedimentos e passou a integrar a operação do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) nas partidas da competição.

As primeiras utilizações ocorreram no sábado (25/07/2026) e no domingo (26/07/2026), em partidas disputadas pelo Brasileirão. A tecnologia foi aplicada nos confrontos Santos x Chapecoense, Flamengo x São Paulo, Bahia x Corinthians e Remo x Vitória, validando ou anulando gols após análises automatizadas.

O objetivo do SAOT é reduzir o tempo de revisão dos lances, aumentar a precisão das decisões e oferecer maior transparência ao processo de arbitragem, por meio da identificação automática do momento do passe e do posicionamento dos jogadores.

Cinco checagens foram realizadas na primeira rodada de utilização

A primeira utilização ocorreu na partida entre Santos e Chapecoense, quando o gol de empate da equipe catarinense foi analisado em 48 segundos.

No domingo (26/07/2026), o sistema voltou a ser acionado em quatro oportunidades. No jogo entre Flamengo e São Paulo, o gol da equipe paulista foi confirmado após 33 segundos, enquanto um gol do Flamengo acabou anulado após 64 segundos de revisão.

Também houve análises em Bahia x Corinthians, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, onde o gol de empate do Bahia foi anulado em 32 segundos, e em Remo x Vitória, no Mangueirão, com confirmação do segundo gol da equipe paraense após 62 segundos.

CBF avalia estreia e destaca agilidade do sistema

O diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, afirmou que a primeira rodada de utilização oficial apresentou resultados compatíveis com o planejamento da entidade.

Segundo ele, a tecnologia proporcionou maior agilidade, precisão e segurança nas decisões, reduzindo o tempo de análise e contribuindo para a fluidez das partidas.

A CBF informou que a implementação do sistema foi desenvolvida em conjunto com Genius Sports, clubes, equipes de arbitragem e profissionais responsáveis pela operação tecnológica.

Estádios receberam estrutura dedicada ao impedimento semiautomático

Para viabilizar a operação do SAOT, cada estádio passou a contar com 28 a 32 câmeras exclusivas, conforme a infraestrutura disponível em cada arena.

O sistema utiliza cinco servidores locais, responsáveis pela conectividade e processamento das imagens, que são gravadas em resolução 4K a 100 quadros por segundo. A tecnologia permite a construção de uma réplica digital dos lances em tempo real.

As imagens captadas são enviadas para a Central de Operações do VAR da CBF, localizada no Rio de Janeiro, que dispõe de 10 salas de controle integradas aos sistemas VAR e SAOT.

Sistema identifica automaticamente o momento do passe

A CBF esclareceu que o sistema utilizado no Brasil registra automaticamente o chamado “kick point”, correspondente ao instante exato do último contato do jogador com a bola.

Além disso, a tecnologia identifica os atletas envolvidos no lance, reconhece os pontos corporais necessários para a análise e calcula automaticamente a posição de impedimento, sem necessidade de redesenho manual das linhas.

Segundo a entidade, a equipe do VAR atua apenas na validação da análise produzida pelo sistema, sem interferir na construção do cálculo realizado pelo software.

Validação humana ocorre apenas em situações excepcionais

De acordo com a CBF, apenas em situações específicas — como oclusão parcial das imagens, sobreposição de jogadores ou lances que exijam interpretação — o árbitro de vídeo pode avançar ou retroceder um quadro para confirmar o instante exato do passe.

A entidade informou que nenhuma ocorrência desse tipo foi registrada durante a 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Após a validação, o resultado é comunicado ao árbitro de campo e a animação tridimensional produzida pelo sistema é exibida tanto nos estádios quanto nas transmissões televisivas, apresentando ao público o resultado da análise automatizada.

Tecnologia busca ampliar transparência e reduzir margem de interpretação

Segundo a CBF, a adoção do impedimento semiautomático integra o processo de modernização da arbitragem brasileira.

Ao automatizar a identificação do momento do passe e do posicionamento dos atletas, o SAOT reduz a margem de interpretação humana, permitindo decisões mais rápidas e baseadas em parâmetros técnicos.

A entidade informou que continuará acompanhando o desempenho da ferramenta durante as próximas rodadas do Campeonato Brasileiro para aperfeiçoar os procedimentos operacionais.


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