Incêndios florestais na Espanha e Grécia mobilizam milhares, queimam mais de 210 mil hectares e mantêm sul da Europa em alerta

A Espanha e a Grécia enfrentam uma das temporadas de incêndios florestais mais severas dos últimos anos, impulsionada pela onda de calor, pela baixa umidade, pelos ventos fortes e pelo acúmulo de vegetação seca. Na quinta-feira (30/07/2026), autoridades espanholas concentravam esforços em focos ativos próximos à fronteira com Portugal, no noroeste do país e na costa mediterrânea, enquanto a Grécia mantinha operações de combate ao fogo na ilha de Creta, após a retirada preventiva de cerca de 8 mil pessoas.

Na Espanha, estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) indicam que aproximadamente 210 mil hectares já foram consumidos pelas chamas em 2026. O número corresponde a cerca de três vezes e meia a área do município de Madri e evidencia a dimensão da temporada de incêndios.

Além dos impactos ambientais, os incêndios provocaram evacuações, destruição de moradias, perdas agrícolas, mobilização militar e apoio internacional, enquanto os serviços meteorológicos alertam para a continuidade das condições favoráveis à propagação do fogo.

Espanha registra maior área queimada dos últimos anos

Segundo o EFFIS, cerca de 210 mil hectares foram queimados desde o início de 2026. Já o balanço provisório do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha (Miteco) contabilizava 173.651 hectares queimados até segunda-feira (28/07/2026).

Embora utilizem metodologias distintas e não possam ser comparados diretamente, os dois levantamentos apontam uma temporada significativamente superior à registrada no mesmo período de 2025.

Os maiores incêndios nas regiões de Ávila e Madri encontram-se tecnicamente estabilizados, mas equipes permanecem nos perímetros combatendo focos residuais para evitar novos avanços das chamas.

Focos ativos permanecem no noroeste e na costa mediterrânea

A principal preocupação das autoridades concentra-se atualmente nas províncias de León, Zamora e Castellón.

Na região de La Vall d’Uixó, em Castellón, aproximadamente 9.300 hectares foram queimados. Após dias de restrições, moradores de seis municípios puderam retornar às suas residências, embora o incêndio continue apresentando reativações.

Em León, mais de 300 pessoas precisaram deixar suas casas, enquanto em Zamora, próximo à fronteira com Portugal, cerca de 800 moradores foram retirados preventivamente devido ao avanço do fogo no Parque Natural de Arribes del Duero.

Onda de calor mantém risco extremo de incêndios

A Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet) mantém o alerta de onda de calor até domingo (02/08/2026).

Segundo os meteorologistas, temperaturas elevadas, baixa umidade, ventos intensos e a grande quantidade de vegetação seca favorecem a rápida propagação dos incêndios.

Especialistas também apontam que o abandono de atividades agrícolas e pecuárias contribui para o acúmulo de material combustível, aumentando a intensidade das queimadas.

Julho registra o incêndio mais letal da Espanha em 42 anos

O incêndio iniciado em Los Gallardos, na província de Almería, em 09/07/2026, tornou-se o mais letal registrado no país em 42 anos.

O fogo permaneceu ativo durante 16 dias, destruiu cerca de 5.200 hectares e provocou 14 mortes.

As investigações permanecem em andamento, e a principal hipótese considerada pelas autoridades é a queda de um cabo elétrico.

Ávila registra maior incêndio da história recente

Outro dos principais episódios ocorreu em Ávila, onde mais de 50 mil hectares foram queimados.

As investigações indicam que o incêndio pode ter sido iniciado pelo uso de uma escavadeira durante um período em que equipamentos capazes de gerar faíscas estavam proibidos devido ao risco extremo.

Na região de Madri, as estimativas apontam entre 27 mil e 34 mil hectares queimados, além da destruição de pelo menos 100 residências utilizadas como moradia principal.

Emergência nacional mobiliza milhares de profissionais

Diante da dimensão da crise, o governo espanhol declarou emergência de interesse nacional, mecanismo acionado pela primeira vez no país em razão de incêndios florestais.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, assumiu a coordenação da resposta, enquanto a Unidade Militar de Emergências (UME) passou a dirigir as operações em campo.

Mais de 3 mil profissionais foram mobilizados, com apoio de moradores, agricultores, voluntários e equipes internacionais enviadas por meio do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.

Grécia retira cerca de 8 mil pessoas da ilha de Creta

Na quinta-feira (30/07/2026), a Grécia manteve operações de combate ao incêndio que atingiu a região turística de Agia Galini, no sul da ilha de Creta.

Segundo autoridades locais, aproximadamente 8 mil pessoas, entre moradores, trabalhadores e turistas, foram retiradas da região como medida preventiva.

A evacuação foi realizada com apoio de ônibus disponibilizados pelos serviços de emergência e ocorreu sem registro de incidentes graves.

Ventos de até 120 km/h dificultam combate às chamas

O principal desafio enfrentado pelas equipes gregas continua sendo a intensidade dos ventos.

De acordo com autoridades locais, rajadas de até 120 km/h favoreceram sucessivos reacendimentos e limitaram a atuação de aviões e helicópteros utilizados no combate ao fogo.

Ao todo, 224 bombeiros, 53 veículos e dois helicópteros permaneciam mobilizados na operação.

Incêndios provocam mortes e mantêm alerta elevado

Durante as operações na Grécia, três bombeiros morreram em diferentes ocorrências relacionadas aos incêndios.

Dois morreram em Krya Vrysi, na ilha de Creta, enquanto um terceiro faleceu durante o combate às chamas próximo de Gytheio, no Peloponeso.

Apesar da melhora observada ao longo da quinta-feira, as autoridades mantiveram elevado o nível de alerta para diversas regiões do país.

Governo grego alerta para semanas de maior risco

O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis afirmou que a Grécia ainda enfrentará um período crítico durante o restante do verão europeu.

Segundo a Proteção Civil Grega, diversas regiões permanecem sob nível 4 de risco, em uma escala de cinco níveis, incluindo Creta, a região de Atenas, o leste do Peloponeso e grande parte das ilhas do Mar Egeu.

As autoridades continuam monitorando as condições meteorológicas diante da possibilidade de novos incêndios nas próximas semanas.

*Com informações da RFI.


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