Morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos: Produtor do Cinema Novo deixa legado de mais de 100 filmes e Governo decreta 3 dias de luto

O cinema brasileiro perdeu, na quarta-feira (22/07/2026), um de seus principais nomes com a morte do cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, aos 98 anos. Responsável por uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao audiovisual, Barreto participou da consolidação do Cinema Novo, produziu mais de 100 filmes e ajudou a estruturar a indústria cinematográfica brasileira. Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura nacional, o governo federal e a Prefeitura do Rio de Janeiro decretaram três dias de luto oficial.

Barreto estava internado desde segunda-feira (20/07/2026) no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para tratamento de uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. O velório foi marcado para quinta-feira (23/07/2026), no Palácio da Cidade, em Botafogo, enquanto a cremação ocorrerá no Memorial do Caju.

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem era casado desde 1954, fundou a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de atividades e se tornou uma das principais referências da cinematografia brasileira. A empresa foi responsável pela produção de obras que alcançaram reconhecimento nacional e internacional, contribuindo para ampliar a presença do cinema brasileiro em festivais e premiações.

A trajetória de Luiz Carlos Barreto e a construção do Cinema Novo

A história de Luiz Carlos Barreto está diretamente ligada ao desenvolvimento do Cinema Novo, movimento que transformou a linguagem cinematográfica brasileira a partir da década de 1960. Ainda jovem, trabalhou como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde atuou como repórter fotográfico e correspondente internacional, registrando acontecimentos históricos e personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

O contato com o cinema começou ainda na infância, quando acompanhou as filmagens de um documentário dirigido por Orson Welles no Ceará. Anos depois, o encontro com Glauber Rocha, durante a produção de Barravento, aproximou definitivamente Barreto do Cinema Novo.

Como diretor de fotografia, participou da construção visual de produções consideradas referências da cinematografia nacional, entre elas Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Posteriormente, consolidou sua atuação como produtor, ampliando a capacidade de produção do cinema brasileiro e fortalecendo sua presença internacional.

LC Barreto produziu clássicos e indicados ao Oscar

A LC Barreto tornou-se uma das produtoras mais importantes do país ao reunir obras que marcaram diferentes gerações. Entre os títulos produzidos estão Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?. Os dois últimos receberam indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A trajetória da produtora também se confunde com a da própria família Barreto. Os filhos Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto seguiram carreira no audiovisual e passaram a atuar na empresa. Em casa, foi instalada uma das primeiras moviolas do Brasil, onde foram montadas obras importantes do Cinema Novo.

A história familiar também foi marcada por dificuldades. Em 2009, o diretor Fábio Barreto sofreu um grave acidente automobilístico que o deixou em coma durante dez anos, falecendo em 2019.

Participação recente e reconhecimento do setor audiovisual

Em outubro de 2023, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto participaram de uma edição especial do programa Cine Resenha, da TV Brasil, dedicada à trajetória da LC Barreto. Durante a entrevista, o casal relembrou o início da carreira, a passagem pelo jornalismo, a criação da produtora e a evolução da indústria cinematográfica brasileira.

Após a confirmação da morte, representantes do setor audiovisual manifestaram pesar. O diretor Cavi Borges destacou a influência de Barreto sobre diferentes gerações de realizadores, ressaltando sua atuação tanto como fotógrafo quanto como produtor e articulador do Cinema Novo.

A produtora Glaucia Camargos, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio de Janeiro, afirmou que Barreto foi um dos principais defensores da cultura nacional. O produtor Nilson Rodrigues lembrou sua contribuição para a consolidação do cinema brasileiro, enquanto a cineasta Carla Camurati ressaltou sua dedicação de décadas à defesa da produção audiovisual do país.

Ministério da Cultura destaca legado e governos decretam luto oficial

Em nota oficial, o Ministério da Cultura classificou Luiz Carlos Barreto como um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, destacando sua atuação como fotógrafo, jornalista, produtor e participante do Cinema Novo. A pasta ressaltou ainda sua contribuição para a internacionalização da produção cinematográfica brasileira ao lado de Lucy Barreto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou três dias de luto oficial, afirmando que Barreto desempenhou papel central na consolidação do cinema nacional ao longo das últimas décadas. A Prefeitura do Rio de Janeiro também publicou decreto de luto oficial e destacou a relevância do produtor para a cultura brasileira.

Com uma carreira que atravessou mais de seis décadas e reuniu atividades no jornalismo, fotografia, direção de fotografia e produção cinematográfica, Luiz Carlos Barreto deixa um legado de mais de 100 produções, além de uma contribuição permanente para a estruturação da indústria audiovisual brasileira e para a projeção internacional do cinema produzido no país.

*Com informações da Agência Brasil.


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