O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o regime de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã não está mais em vigor, indicando que não considera necessária a continuidade das negociações com Teerã. A declaração ocorreu durante encontro com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, à margem da cúpula da organização realizada em Ancara, na Turquia, na terça-feira (07/07/2026).
Segundo Trump, representantes norte-americanos ainda podem manter contatos diplomáticos com o governo iraniano, porém, na avaliação do presidente, essas conversas não deverão produzir resultados concretos. Durante a agenda, o chefe da Casa Branca também criticou aliados da OTAN, mencionando insatisfação com a posição da aliança sobre a Groenlândia e com o apoio relacionado ao conflito envolvendo o Irã.
Ao comentar o governo iraniano, Trump utilizou declarações de forte teor ofensivo contra as lideranças de Teerã, afirmando que não possui interesse em manter diálogo político com o país.
EUA ampliam operações militares contra o Irã
As declarações de Trump ocorreram após uma nova ofensiva militar norte-americana. As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra alvos iranianos na terça-feira (07/07/2026).
De acordo com o governo norte-americano, a operação teve como objetivo impor “altos custos” ao Irã em resposta aos supostos ataques contra embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas utilizadas para o transporte internacional de petróleo e gás natural.
A escalada militar ocorre em um momento de crescente instabilidade na região, poucos dias após a retomada parcial da navegação no estreito, anteriormente interrompida em razão do conflito entre Washington e Teerã.
Novos ataques atingem embarcações no Estreito de Ormuz
A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que três embarcações foram alvo de ataques em um intervalo de aproximadamente 24 horas no Estreito de Ormuz.
Segundo a agência britânica de segurança marítima, um terceiro navio foi atingido por um projétil de origem ainda não identificada na terça-feira (07/07/2026). No mesmo dia, outra embarcação também foi atingida em circunstâncias semelhantes, enquanto um terceiro incidente envolveu um ataque realizado por um drone de origem desconhecida.
A UKMTO informou que não houve registro de vítimas nem de danos ambientais em nenhum dos episódios.
O governo do Catar identificou a primeira embarcação atingida como o Al-Rakayyat, utilizado para transporte de gás natural liquefeito (GNL). O país atribuiu a responsabilidade pelo ataque ao Irã e classificou a ação como um “ataque inaceitável“.
Mercado reage à escalada da tensão
Os novos episódios elevaram novamente as preocupações do mercado internacional em relação ao abastecimento de energia.
Após a divulgação dos ataques, o contrato do petróleo Brent, referência internacional, subiu 2,44%, encerrando o dia cotado a US$ 73,75 por barril.
Já o West Texas Intermediate (WTI) avançou 2,38%, fechando a US$ 70,18 por barril.
Apesar da alta, analistas observam que os preços permanecem próximos dos menores níveis registrados desde fevereiro, refletindo expectativas de aumento da oferta mundial de petróleo.
Segundo o analista Axel Rudolph, da IG, os ataques renovaram as preocupações sobre a segurança da navegação comercial e colocaram em dúvida a continuidade dos entendimentos firmados entre Washington e Teerã.
A analista Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote, afirmou que fatores como a liberação de reservas estratégicas, a demanda mais fraca da China e o aumento da oferta internacional continuam limitando uma valorização mais intensa da commodity.
Estreito de Ormuz permanece como ponto estratégico
O Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais focos da crise geopolítica no Oriente Médio.
A navegação comercial havia sido interrompida em 1º de março, quando o Irã anunciou o fechamento da passagem marítima em resposta aos ataques realizados por Estados Unidos e Israel, enquanto Washington mantinha restrições aos portos iranianos.
Posteriormente, o tráfego marítimo foi retomado após a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã em 17 de junho, buscando reduzir as hostilidades.
Mesmo após a reabertura da rota, autoridades iranianas informaram que não pretendem restabelecer integralmente as condições anteriores ao conflito, especialmente no que se refere ao modelo de utilização da passagem por embarcações internacionais.
*Com informações da RFI.







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