TotalEnergies dobra lucro com alta do petróleo impulsionada pela guerra no Oriente Médio e expansão no Brasil

A companhia francesa de petróleo e gás TotalEnergies informou, na quinta-feira (23/07/2026), que dobrou seu lucro líquido no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela valorização dos preços do petróleo e do gás em meio à guerra no Oriente Médio. A empresa também atribuiu o desempenho ao crescimento da produção em projetos desenvolvidos no Brasil, nos Estados Unidos e na Líbia, que compensaram parte das perdas operacionais registradas na região do conflito.

No período entre abril e junho, o lucro líquido alcançou US$ 5,4 bilhões, ante US$ 2,7 bilhões registrados no mesmo trimestre do ano anterior. Segundo o diretor-presidente (CEO) da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, o resultado reflete o modelo de negócios da companhia e sua estratégia de diversificação geográfica e operacional.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o lucro líquido atingiu US$ 11,2 bilhões, superando os US$ 10,6 bilhões registrados no mesmo período de 2022, ano marcado pelo início da guerra na Ucrânia. Em abril deste ano, a empresa já havia divulgado crescimento de 51% no lucro do primeiro trimestre, impulsionado pela volatilidade dos preços da energia decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Projetos no Brasil ampliam produção e reduzem impacto das perdas no Oriente Médio

A TotalEnergies, presente em mais de 120 países, informou que sua produção de petróleo e gás cresceu mais de 4% em relação ao ano anterior, resultado atribuído à entrada em operação de novos projetos desenvolvidos no Brasil, nos Estados Unidos e na Líbia.

Segundo a companhia, essa expansão compensou parcialmente as perdas de produção registradas no Oriente Médio, estimadas em 210 mil barris equivalentes de petróleo por dia, em média, durante o segundo trimestre.

A empresa também informou que parte da produção não pôde ser escoada em razão das dificuldades de acesso ao Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio internacional de petróleo. Apesar desse cenário, a divisão de exploração e produção manteve crescimento ao longo do período.

Conflito no Oriente Médio influencia mercado internacional de energia

O avanço da guerra no Oriente Médio provocou nova valorização dos preços internacionais dos hidrocarbonetos, beneficiando empresas com grande participação na produção mundial de petróleo e gás.

A elevação das cotações ocorreu em meio às preocupações do mercado sobre possíveis restrições ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa parcela significativa das exportações globais de petróleo.

Segundo a TotalEnergies, a diversificação geográfica de seus ativos permitiu reduzir os impactos operacionais provocados pela instabilidade na região, preservando o crescimento da produção e dos resultados financeiros.

Resultado financeiro gera críticas de partidos da esquerda francesa

Os resultados divulgados pela companhia provocaram reações de representantes da esquerda francesa, que defenderam a criação de mecanismos para ampliar a tributação sobre grandes empresas do setor energético.

O presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional da França, Eric Coquerel, integrante do partido França Insubmissa, afirmou que os resultados representam lucros obtidos em um cenário de guerra e voltou a defender a criação de um imposto sobre superlucros e limites às margens das refinarias.

O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, também criticou a distribuição de dividendos aos acionistas, enquanto a deputada ecologista Sandrine Rousseau defendeu maior tributação sobre empresas do setor de energia.

Governo francês mantém defesa da tributação de grandes empresas

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, declarou que o Executivo mantém a posição favorável à tributação das grandes empresas, mas afirmou que não participa das críticas direcionadas especificamente à TotalEnergies.

Segundo Bregeon, a empresa exerce papel relevante no abastecimento energético da França, ao mesmo tempo em que reconheceu que os elevados resultados financeiros despertam questionamentos por parte da população.

O debate ocorre em meio às discussões sobre políticas fiscais, segurança energética e os impactos econômicos da guerra sobre consumidores e empresas do setor.

Repsol também registra crescimento expressivo dos lucros

A espanhola Repsol também apresentou aumento significativo de seus resultados financeiros durante o primeiro semestre de 2026.

A companhia informou lucro líquido de 2,2 bilhões de euros, valor que representa crescimento de 265% em relação ao mesmo período de 2025.

Somente no segundo trimestre, o lucro da empresa alcançou 1,27 bilhão de euros, acima dos 929 milhões de euros registrados entre janeiro e março. Embora não possua ativos no Oriente Médio, a Repsol mantém operações em mais de 20 países, incluindo participação de 50% no campo de gás offshore Perla, na Venezuela, além de projetos desenvolvidos em parceria com a estatal PDVSA.

*Com informações da RFI.


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