O artista plástico baiano André Moreno desenvolve esculturas inspiradas em Santa Dulce dos Pobres, traduzindo em latão, bronze e fibra de vidro elementos associados à trajetória, à dedicação aos mais pobres e à dimensão humana da religiosa. As peças são produzidas em diferentes escalas e têm sido procuradas por devotos interessados em manter uma representação da santa em residências e ambientes profissionais.
A produção ocorre em um contexto de expansão da visitação ao Santuário de Santa Dulce dos Pobres, localizado no Largo de Roma, em Salvador. Segundo dados atribuídos à Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) no material divulgado, o número de visitantes teria passado de 60 mil para 600 mil por ano desde a canonização de Santa Dulce, em 2019, o que representa aumento de dez vezes.
A procura por produtos relacionados à santa também alcança artigos religiosos, souvenirs, terços, camisas e obras de arte. Nesse cenário, as esculturas de André Moreno são apresentadas como peças artísticas produzidas em diferentes materiais e dimensões, estabelecendo uma relação entre a representação de Santa Dulce e a devoção de quem adquire as obras.
Esculturas são produzidas em diferentes materiais e tamanhos
As peças desenvolvidas por André Moreno variam entre 24 centímetros e 1,5 metro de altura. Entre os materiais utilizados estão latão, bronze e fibra de vidro, que exigem diferentes procedimentos técnicos para a construção das esculturas.
Segundo o artista, o processo procura preservar características associadas à representação de Santa Dulce, especialmente a delicadeza e a postura corporal. As mãos próximas ao peito aparecem como um dos elementos utilizados para representar a relação da religiosa com a compaixão e o cuidado com o próximo.
Moreno afirma que as obras não seguem um único formato. A escala e a configuração das esculturas podem variar de acordo com o espaço destinado à peça, incluindo residências, locais de trabalho e empresas. Para o artista, a procura está relacionada ao desejo dos devotos de manter uma representação de Santa Dulce associada a conceitos como proteção, bênção, cuidado, força e luz.
André Moreno busca representar a dimensão humana de Santa Dulce
Para desenvolver as esculturas, o artista afirma considerar a história de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, conhecida como Santa Dulce dos Pobres, e sua atuação junto à população em situação de vulnerabilidade. A construção das peças procura relacionar a representação física da religiosa aos aspectos de sua trajetória.
“Procuro expressar a sua delicadeza e o seu cuidado com o próximo”, afirma André Moreno. Segundo ele, os traços e a proporção das esculturas são utilizados para representar uma mulher de baixa estatura e aparência delicada, mas cuja atuação é associada à força e à dedicação.
O artista também destaca as mãos posicionadas junto ao peito como elemento de composição. A intenção, segundo Moreno, é utilizar a postura e os detalhes da escultura para representar compaixão, devoção, dedicação e cuidado, aspectos que ele considera relacionados à trajetória de Santa Dulce.
Arte sacra se aproxima de espaços de convivência
As esculturas são apresentadas por Moreno como obras de arte sacra, e não apenas como imagens religiosas. A produção em diferentes escalas permite que as peças sejam destinadas a espaços com características distintas, conforme o projeto e a finalidade estabelecida pelo proprietário.
O artista afirma que a relação entre a obra e o espaço é considerada durante a definição do formato. Dessa maneira, uma mesma referência pode resultar em esculturas com dimensões diferentes, mantendo elementos de identificação da santa.
A proposta também estabelece uma relação entre arte, memória e religiosidade, utilizando materiais de natureza distinta para representar uma personagem cuja trajetória permanece associada à história social e religiosa da Bahia.
Trajetória artística inclui obras públicas no Brasil e no exterior
André Moreno é apresentado como artista plástico contemporâneo, com produção voltada à transformação de materiais e à abordagem de temas relacionados à identidade, ao tempo e às relações entre o ser humano e o ambiente.
Entre os trabalhos atribuídos ao artista estão obras realizadas em parceria, incluindo a Arena da Capoeira, no Mercado Modelo, em Salvador, e os Orixás do Dique, no Dique do Tororó, também na capital baiana.
Sua produção também inclui trabalhos fora do Brasil, como o Cristo do Pacífico, em Lima, no Peru, além do Largo da Gente Sergipana, em Aracaju. A trajetória reúne projetos de diferentes escalas e linguagens, com utilização de materiais e referências relacionados aos contextos de cada obra.
Santa Dulce permanece como referência religiosa na Bahia
Canonizada em 2019, Santa Dulce dos Pobres tornou-se a primeira santa brasileira nascida no Brasil a ser reconhecida oficialmente pela Igreja Católica. Sua trajetória está associada à assistência aos pobres e à criação e expansão de iniciativas de atendimento social e de saúde em Salvador.
O Santuário de Santa Dulce dos Pobres, no Largo de Roma, concentra parte da devoção à religiosa e recebe visitantes de diferentes regiões. O aumento da visitação informado no material reforça a presença da santa no circuito religioso e turístico da Bahia.
Nesse contexto, as esculturas produzidas por André Moreno representam uma das formas pelas quais a imagem de Santa Dulce é incorporada a espaços particulares e institucionais. A produção combina referências religiosas, técnicas escultóricas e elementos da trajetória da santa, mantendo como eixo a representação de sua dimensão humana e de sua atuação em favor dos mais pobres.








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