O BAVI terá torcida mista em João Pessoa, na Paraíba, durante o confronto entre Bahia e Vitória pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, no domingo (23/08/2026). A iniciativa reunirá integrantes da Nêgo Jampa, representação de torcedores do Vitória, e da Jampa de Aço, grupo ligado ao Bahia, em um mesmo espaço para acompanhar a partida.
A reunião ocorrerá no Restaurante do Baiano, apontado pelos organizadores como ponto de encontro da torcida tricolor na capital paraibana. A proposta contrasta com o modelo adotado nos clássicos realizados em Salvador, onde a torcida única passou a ser determinada judicialmente a partir de 2017.
Em João Pessoa, os organizadores pretendem reproduzir uma experiência de convivência entre torcedores rivais. A proposta recupera uma tradição associada à antiga Fonte Nova, onde torcedores de Bahia e Vitória ocupavam o mesmo estádio durante os clássicos, antes da adoção do modelo de torcida única.
Nêgo Jampa e Jampa de Aço dividem espaço
A Nêgo Jampa possui 21 anos de existência e é apresentada pelos integrantes como a mais antiga torcida do Vitória fora da Bahia. O grupo também possui atualmente o status de Embaixada Oficial do Esporte Clube Vitória na Paraíba.
A relação entre as duas torcidas na capital paraibana começou antes mesmo da formação da Jampa de Aço. Segundo o relato dos organizadores, a convivência com integrantes da Nêgo Jampa contribuiu para que Leandro, posteriormente fundador e líder da torcida tricolor, reunisse torcedores do Bahia em João Pessoa.
A Jampa de Aço está em atividade desde 2016, agregando torcedores do Bahia residentes ou presentes na capital paraibana. A formação do grupo contou, inclusive, com indicações de torcedores do Vitória que ajudaram na identificação de tricolores interessados em participar da organização.
Primeiro BAVI da Nêgo Jampa ocorreu em 2015
A história da Nêgo Jampa também está relacionada a um BAVI realizado em 2015, quando o grupo promoveu uma confraternização em João Pessoa durante a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, segundo o relato de seus integrantes, o Vitória venceu o Bahia por 4 a 1.
O resultado foi celebrado pelos torcedores do Vitória em uma programação que incluiu elementos da cultura baiana, como axé, afoxé e acarajé. O encontro marcou também uma celebração pelos dez anos de existência da Nêgo Jampa.
Atualmente, com 21 anos de atividade, a torcida rubro-negra mantém presença na Paraíba e pretende participar novamente de uma programação conjunta em torno do clássico. Do lado tricolor, o Restaurante do Baiano será utilizado como ponto de concentração dos torcedores.
Programação terá música e referências à Bahia
Além da transmissão do BAVI, a programação preparada para o domingo terá atrações relacionadas à cultura baiana. A música ficará sob responsabilidade do artista baiano Dan Spencer, que apresentará repertório ligado ao cancioneiro da Bahia.
Os organizadores afirmam que o encontro pretende ir além da reunião de torcedores baianos que vivem ou estão na Paraíba. A proposta é utilizar o clássico como oportunidade para recuperar uma forma de convivência entre torcedores de clubes rivais.
A programação também será marcada pela tradicional rivalidade entre Bahia e Vitória, com provocações e brincadeiras entre os integrantes das duas torcidas. Os organizadores, contudo, apresentam a iniciativa como uma experiência de convivência pacífica entre os grupos.
Torcida mista é apresentada como alternativa ao modelo de torcida única
Desde 2017, os clássicos entre Bahia e Vitória disputados em Salvador são realizados com torcida única, conforme determinação judicial mencionada no texto. A medida foi adotada no contexto de episódios de violência relacionados às torcidas.
Os organizadores da iniciativa em João Pessoa questionam a possibilidade de convivência entre torcedores rivais quando o modelo adotado nos estádios estabelece a separação das torcidas. Na avaliação apresentada por eles, a experiência paraibana pode demonstrar que é possível compartilhar o mesmo espaço durante uma partida.
A discussão também envolve a responsabilidade individual por atos de violência. Os organizadores defendem que episódios registrados entre torcidas organizadas não deveriam necessariamente impedir a convivência de torcedores que desejam acompanhar o futebol em ambiente compartilhado e sem conflitos.
Experiência em João Pessoa recupera tradição dos clássicos baianos
A realização do BAVI com torcedores dos dois clubes no mesmo espaço pretende recuperar uma característica histórica dos clássicos disputados na Bahia: a presença simultânea de rubro-negros e tricolores.
A experiência organizada pelas duas representações em João Pessoa também evidencia a presença de comunidades de torcedores baianos fora do estado. Nêgo Jampa e Jampa de Aço mantêm atividades na capital paraibana e transformaram a relação entre torcedores rivais em uma convivência que antecede a realização do encontro.
Para os organizadores, o principal objetivo é reforçar a ideia de que rivalidade esportiva não significa necessariamente hostilidade. A iniciativa coloca em discussão a possibilidade de torcedores de Bahia e Vitória acompanharem juntos uma partida, preservando a rivalidade dentro dos limites da competição esportiva.
O BAVI em João Pessoa, portanto, será acompanhado por uma programação que combina futebol, cultura baiana e convivência entre torcedores. A experiência pretende ampliar a discussão sobre formas de acompanhamento dos clássicos e sobre a possibilidade de coexistência entre torcidas rivais em espaços compartilhados.








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