A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino aprovaram, nesta segunda-feira (10/08/2026), um conjunto de 10 novas regras de arbitragem para as competições nacionais. Segundo a entidade, as mudanças entram em vigor imediatamente e têm como principal finalidade reduzir o tempo perdido com paralisações e aumentar o período de bola em jogo.
A decisão foi tomada durante reunião realizada em um hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. As novas determinações serão aplicadas nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro masculino, na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino e na Copa do Brasil.
As regras seguem determinações da International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por estabelecer, regulamentar e modificar as leis do futebol. Parte das medidas já havia sido utilizada na Copa do Mundo. De acordo com a CBF, a aplicação das normas busca padronizar procedimentos da arbitragem e diminuir interrupções durante as partidas.
Meta é ampliar o tempo de bola rolando
A Fifa estabeleceu como referência mínima 60 minutos de bola rolando por partida. Antes da pausa provocada pela Copa, o tempo médio registrado na Série A do Campeonato Brasileiro masculino era de 52 minutos e 54 segundos por jogo.
Entre as principais ligas europeias, França e Alemanha registravam média de 56 minutos e 17 segundos, segundo os dados apresentados pela CBF. O levantamento aponta que o futebol brasileiro ainda possui margem para ampliar o tempo efetivo de jogo.
O estudo “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, elaborado pela CBF com dados da empresa de estatísticas Opta, estima que as novas medidas possam acrescentar 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida. Em determinadas condições, o ganho pode chegar a 6 minutos e 22 segundos.
Regras estabelecem limites para ações durante o jogo
Uma das mudanças determina que o goleiro terá oito segundos para permanecer com a bola nas mãos. Se ultrapassar esse período, será marcado escanteio para a equipe adversária. A medida substitui a regra anterior, que previa punição por retardamento sem estabelecer esse mecanismo específico.
Também foram definidos prazos para cobranças. O jogador terá cinco segundos para executar um arremesso lateral, sob pena de a cobrança ser invertida para o adversário. No tiro de meta, o goleiro terá igualmente cinco segundos após o apito do árbitro. Caso ultrapasse o limite, o adversário receberá um escanteio.
As substituições também passam a ter um limite específico. O atleta substituído terá 10 segundos para deixar o campo. Se exceder esse período, o jogador que entrará deverá aguardar um minuto antes de participar da partida.
Atendimento médico e comunicação com a arbitragem
Outra mudança determina que o atleta atendido dentro do campo deverá permanecer fora da partida por pelo menos um minuto após o reinício do jogo. A regra busca evitar que atendimentos médicos sejam utilizados para interromper o andamento da partida sem consequência para o atleta atendido.
No caso de atendimento ao goleiro, o treinador ou o capitão deverá indicar um jogador de linha para cumprir o período de um minuto fora de campo após a retomada da partida. A determinação estabelece um procedimento específico para situações em que o goleiro precise de atendimento.
As novas regras também restringem a comunicação direta com o árbitro. Somente o capitão poderá falar com o árbitro em nome da equipe. Quando o capitão for o goleiro, um jogador de linha será designado para exercer essa função. O atleta que desrespeitar a determinação poderá receber cartão amarelo.
“Protocolo Vini Jr” prevê expulsão em discussão com adversário
Entre as medidas aprovadas está o chamado “Protocolo Vini Jr”, que prevê punição para o jogador que tapar intencionalmente a boca durante uma discussão com adversário com o objetivo de impedir a leitura labial. De acordo com a regra apresentada pela CBF, a conduta poderá resultar em expulsão, independentemente do conteúdo da fala.
A arbitragem também terá novas possibilidades de atuação por meio do VAR. Um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão poderá ser revisado pelo árbitro de vídeo. Caso a análise identifique um erro na aplicação da advertência, a decisão poderá ser anulada.
Outra alteração envolve os escanteios concedidos de forma equivocada. A decisão poderá ser revisada pelo VAR quando o lance resultar diretamente em gol ou pênalti. Essa é a única das dez mudanças que não terá aplicação imediata: a checagem de VAR para escanteios concedidos por engano passa a valer somente em 2027.
CBF prevê participação de árbitros, clubes e jogadores
O diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, afirmou que a implementação das mudanças dependerá da aplicação padronizada das regras e da participação dos envolvidos nas partidas.
Segundo o dirigente, a estratégia inclui aplicação das novas regras, padronização dos critérios e capacitação dos árbitros, além da colaboração de clubes e jogadores. A intenção declarada pela entidade é reduzir interrupções e aumentar o tempo efetivo de jogo.
Com a entrada imediata da maior parte das medidas, as novas regras passam a integrar os procedimentos de arbitragem das principais competições nacionais, enquanto a revisão de escanteios pelo VAR ficará para 2027.
Confira as 10 novas regras de arbitragem
- Oito segundos com a bola nas mãos: se o goleiro ultrapassar o limite, será marcado escanteio para o adversário.
- Cinco segundos para arremesso lateral: se o jogador exceder o tempo, a cobrança será concedida à equipe adversária.
- Cinco segundos para tiro de meta: a contagem começa após o apito do árbitro. O atraso resulta em escanteio para o adversário.
- Dez segundos para deixar o campo em substituições: se o jogador substituído demorar além do limite, o atleta que entrará deverá esperar um minuto.
- Um minuto fora após atendimento: jogador atendido dentro do campo deverá permanecer fora por pelo menos um minuto após o reinício.
- Atendimento ao goleiro: treinador ou capitão indicará um jogador de linha para cumprir o período de um minuto fora.
- Somente o capitão fala com o árbitro: se o capitão for o goleiro, um jogador de linha será designado. O descumprimento poderá resultar em cartão amarelo.
- Protocolo Vini Jr: tapar intencionalmente a boca durante discussão com adversário para impedir leitura labial poderá resultar em expulsão.
- VAR para segundo cartão amarelo: a advertência que resultar em expulsão poderá ser revisada e anulada em caso de erro.
- VAR para escanteio concedido por engano: a revisão será permitida quando o lance levar diretamente a gol ou pênalti. A regra entra em vigor em 2027.








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