O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, participou, nos dias 18 e 19 de agosto de 2026, em Goiânia (GO), do 16º Encontro dos Bispos das Grandes Cidades brasileiras. Promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Arquidiocese de Goiânia, o encontro teve como tema “Viver a Fé nas Grandes Cidades: Iniciação à Vida Cristã e Pequenas Comunidades”.
Realizado no Centro Pastoral Dom Fernando, o encontro reuniu bispos de diferentes regiões do país para discutir os desafios da evangelização em contextos urbanos. A edição marcou também uma mudança na organização da iniciativa, que passou a ser assumida diretamente pela CNBB, após proposta apresentada durante o encontro realizado em Curitiba, em 2025.
A programação incluiu exposições, trabalhos em pequenos grupos, plenárias, momentos de oração e celebrações. As discussões abordaram a Iniciação à Vida Cristã, a formação de pequenas comunidades e a necessidade de respostas pastorais diante de transformações culturais, novas formas de relacionamento, individualismo e enfraquecimento dos vínculos comunitários nas grandes cidades.
Iniciação à Vida Cristã e desafios urbanos
Entre os assuntos debatidos esteve o aumento da procura de adolescentes e adultos pelos sacramentos, além do acompanhamento dos fiéis após a iniciação sacramental. Os participantes também analisaram a influência dos meios de comunicação e das redes sociais na aproximação das pessoas com a Igreja e os desafios para a presença evangelizadora em territórios urbanos de maior complexidade.
As reflexões apontaram para uma compreensão da catequese como processo de formação permanente, e não apenas como transmissão de conteúdos ou preparação imediata para os sacramentos. Nesse entendimento, a Iniciação à Vida Cristã busca conduzir ao encontro com Jesus Cristo, ao amadurecimento da fé, à inserção na comunidade e à continuidade da formação dos batizados.
A formação de pequenas comunidades foi apresentada como uma das respostas pastorais discutidas durante o encontro. Os participantes avaliaram a importância de criar espaços de convivência nos quais os fiéis possam estabelecer vínculos, compartilhar experiências, rezar e aprofundar a Palavra de Deus, ampliando a participação comunitária diante do anonimato presente em grandes centros urbanos.
Participação de Dom Zanoni nas discussões
Dom Zanoni participou dos trabalhos em grupo e das plenárias, contribuindo para os debates a partir da realidade pastoral da Arquidiocese de Feira de Santana. Entre os pontos discutidos esteve a necessidade de ampliar a integração entre paróquias, pastorais, movimentos e novas comunidades, com o objetivo de evitar ações isoladas e favorecer maior articulação das iniciativas pastorais.
As partilhas também trataram da cooperação entre ministros ordenados e leigos e da distribuição de responsabilidades dentro das comunidades. O debate abordou a necessidade de superar formas de clericalismo que concentram no sacerdote atribuições que podem ser exercidas por outros integrantes da comunidade, valorizando a diversidade de ministérios, dons e serviços existentes no Povo de Deus.
A formação dos futuros presbíteros também integrou a pauta. Os participantes destacaram a necessidade de preparar os seminaristas para o acompanhamento de comunidades, a convivência pastoral e o trabalho conjunto com os leigos, aproximando a formação presbiteral dos desafios concretos encontrados na evangelização em ambientes urbanos.
Juventude, amizade e participação comunitária
A amizade foi apontada como uma dimensão da evangelização entre os jovens. A discussão destacou a importância de promover ambientes de convivência, acolhimento e construção de relações, nos quais o anúncio do Evangelho esteja relacionado à experiência cotidiana das pessoas, para além do simples convite para atividades religiosas.
Outro ponto abordado foi o papel dos conselhos pastorais como espaços de comunhão, discernimento e participação. A proposta discutida durante o encontro considera que esses organismos devem contribuir para o processo de decisão e articulação da vida comunitária, e não funcionar apenas como estruturas destinadas à organização de atividades e eventos.
A ministerialidade leiga e a articulação entre diferentes carismas também foram destacadas como elementos para uma ação pastoral integrada. A participação de leigos em diferentes serviços e ministérios foi relacionada à necessidade de ampliar a corresponsabilidade na vida das comunidades e fortalecer a cooperação entre os diversos segmentos da Igreja.
CNBB assume organização do encontro
A realização da 16ª edição do Encontro dos Bispos das Grandes Cidades consolidou a integração da iniciativa à dinâmica da CNBB. O encontro havia surgido a partir da articulação de bispos interessados em compartilhar experiências e discutir questões relacionadas à ação pastoral nas grandes cidades, inicialmente por meio de uma organização mais informal.
Durante a edição realizada em Curitiba, em 2025, foi apresentada a proposta de transferência da organização e continuidade do encontro para a Conferência. Em Goiânia, a iniciativa passou a integrar diretamente essa estrutura, estabelecendo um espaço de reflexão sobre os desafios comuns às Igrejas locais inseridas em contextos urbanos.
As discussões realizadas em Goiânia, nos dias 18 e 19 de agosto de 2026, reforçaram a necessidade de uma ação pastoral orientada pela conversão pastoral, missionária e sinodal, com atenção à formação de discípulos missionários, ao fortalecimento de pequenas comunidades e à renovação das formas de presença evangelizadora da Igreja nas cidades brasileiras.








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