Donald Trump registra pior índice de popularidade antes das eleições de meio de mandato; 25 estados processam Casa Branca por novas tarifas comerciais

A três meses das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta o menor índice de aprovação de seu mandato, segundo pesquisas divulgadas nas últimas semanas. O cenário ocorre após cinco meses de guerra entre Estados Unidos e Irã e em meio ao aumento das contestações à política comercial da Casa Branca. Paralelamente, uma coalizão formada por 25 estados americanos ingressou com uma ação judicial para contestar novas tarifas impostas pelo governo, medida que também motivou questionamentos do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Levantamentos divulgados por diferentes institutos indicam queda na avaliação do presidente. Pesquisa da CNN aponta 34% de aprovação, enquanto levantamento da Universidade Quinnipiac registra 32%, percentual apontado como o menor de sua trajetória política.

Trump voltou a questionar publicamente os resultados das pesquisas, afirmando que os índices reais seriam superiores aos divulgados. Entretanto, os levantamentos publicados nas últimas semanas mostram redução consistente da aprovação presidencial.

Pesquisas mostram queda na aprovação presidencial

Segundo os dados divulgados, Donald Trump apresenta índices inferiores aos registrados por outros presidentes americanos no mesmo período de seus segundos mandatos.

De acordo com os levantamentos citados, George W. Bush possuía 37% de aprovação, Barack Obama registrava 43%, enquanto Bill Clinton alcançava 64%. O único presidente com desempenho inferior no período comparado foi Richard Nixon, que registrava 24% durante o escândalo de Watergate, antes de sua renúncia em 08/08/1974.

A queda na popularidade ocorre durante o conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado em fevereiro. O governo americano mantém a justificativa de conter o programa nuclear iraniano, enquanto enfrenta impactos internos relacionados à economia e ao aumento dos preços.

Guerra e economia influenciam cenário político

Segundo o texto-base, o apoio à guerra diminuiu inclusive entre parte do eleitorado republicano, enquanto preocupações com o custo de vida e o poder de compra passaram a ocupar espaço central no debate político.

Além disso, pesquisas apontam que eleitores republicanos demonstram menor disposição para comparecer às urnas nas eleições legislativas de novembro quando comparados aos eleitores democratas.

As eleições de meio de mandato renovarão a composição do Congresso dos Estados Unidos e são consideradas estratégicas para a continuidade da agenda legislativa da Casa Branca.

Coalizão de 25 estados contesta política tarifária de Trump

Enquanto enfrenta queda de popularidade, o governo Trump passou a responder a uma nova disputa judicial envolvendo sua política comercial.

Na segunda-feira (03/08/2026), 25 estados governados pelo Partido Democrata protocolaram uma ação no Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, contestando a utilização da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para restabelecer tarifas de importação.

Os autores sustentam que a legislação permite medidas contra práticas comerciais específicas de outros países, mas não autoriza a adoção de tarifas amplas aplicadas simultaneamente a diversos parceiros comerciais.

Estados alegam uso indevido da Seção 301

A ação reúne estados como Nova York, Califórnia, Illinois, Arizona, Carolina do Norte, Colorado, Connecticut, Delaware, Havaí, Kentucky, Massachusetts, Maryland, Maine, Michigan, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Virgínia, Vermont, Washington e Wisconsin.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que o governo federal tenta impor novos custos a consumidores e empresas após derrotas anteriores na Justiça.

Além da ação movida pelos estados, empresas americanas também questionam judicialmente as tarifas, argumentando que o governo não demonstrou individualmente como cada país teria causado prejuízos ao comércio dos Estados Unidos, requisito previsto na legislação utilizada pela Casa Branca.

Brasil questiona tarifas na Organização Mundial do Comércio

A política tarifária americana também provocou reação do governo brasileiro.

Segundo o texto-base, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

O Itamaraty argumenta que o pedido questiona tanto a tarifa de 25% aplicada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) quanto a sobretaxa adicional de 12,5%, relacionada a alegações de combate ao trabalho forçado.

De acordo com o governo brasileiro, as medidas violam regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da OMC.

Disputas políticas e comerciais marcam período pré-eleitoral

A combinação entre queda na popularidade presidencial, conflito internacional, desafios econômicos e disputas comerciais amplia o ambiente político às vésperas das eleições legislativas americanas.

Enquanto pesquisas indicam redução do apoio ao presidente, ações judiciais movidas por governos estaduais, empresas e parceiros comerciais ampliam o debate sobre os efeitos da política externa e comercial da administração Trump no cenário interno e internacional.

*Com informações da RFI e Sputnik News.


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