A campanha eleitoral para a Presidência da República começou no domingo (16/08/2026), com os candidatos autorizados a realizar atos de campanha e pedir votos dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. A disputa reúne nomes de diferentes partidos, com propostas que abrangem segurança pública, economia, políticas sociais, saúde, educação, defesa nacional e organização do Estado.
Entre os candidatos com maior presença nas pesquisas de intenção de voto citadas no texto estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Também concorrem Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Samara Martins (UP), Wilson Grassi Júnior (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO).
A eleição de 2026 ocorre em um cenário de disputa entre diferentes projetos políticos. Os candidatos precisam cumprir as exigências legais de registro e observar as regras de propaganda, financiamento e participação eleitoral definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula busca o quarto mandato presidencial
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem 80 anos e disputa em 2026 sua sétima eleição presidencial. O partido oficializou sua candidatura em 02/08/2026 e confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente na chapa.
Lula governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou à Presidência em 2023. Ao longo de sua trajetória política, construiu sua atuação a partir do movimento sindical e posteriormente ocupou cargos eletivos e a Presidência da República. Em 2026, sua campanha deverá abordar temas como política externa, relação com os Estados Unidos, defesa e soberania nacional.
O atual presidente também enfrenta questionamentos relacionados à idade durante a campanha. Segundo o texto, Lula já indicou que não pretende disputar uma nova eleição presidencial em 2030. Sua trajetória eleitoral inclui a candidatura de 2018, quando ficou impedido de concorrer após condenações no âmbito da Operação Lava Jato, posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro representa o PL
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é o candidato do Partido Liberal (PL) e representa a continuidade da família Bolsonaro na disputa presidencial. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele ocupa uma cadeira no Senado Federal desde 2019 e iniciou sua carreira política como deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2003.
A campanha de Flávio tem entre seus principais temas o combate ao crime organizado, o conservadorismo, o apoio ao agronegócio e críticas ao Supremo Tribunal Federal. O candidato também declara alinhamento político com lideranças estrangeiras de direita, entre elas Javier Milei, presidente da Argentina, e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.
Outro elemento da campanha é a referência a Jair Bolsonaro, que está inelegível e cumpre prisão domiciliar. Flávio afirmou que recebeu do pai a missão de dar continuidade ao projeto político do grupo. O candidato também declarou que pretende respeitar o resultado das urnas, independentemente do resultado eleitoral.
Ronaldo Caiado disputa pelo PSD
Ronaldo Caiado, de 76 anos, concorre pelo Partido Social Democrático (PSD). Médico e ex-governador de Goiás, ele tem como candidato a vice-presidente Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro.
Caiado tenta se apresentar como alternativa tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro e busca alcançar eleitores que não pretendem votar nos dois nomes. A estratégia inclui a defesa de políticas de segurança pública e a apresentação de sua experiência administrativa em Goiás.
O candidato também defende punições mais rigorosas para crimes de violência contra a mulher e já declarou apoio à classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Durante a campanha, também se manifestou favoravelmente a ações de segurança realizadas no Rio de Janeiro.
Renan Santos estreia pelo partido Missão
O empresário e ativista político Renan Santos, de 42 anos, é o candidato do Missão, partido que participa pela primeira vez de uma eleição presidencial. A legenda tem origem no Movimento Brasil Livre (MBL), criado em 2014.
Santos foi um dos fundadores do MBL e ganhou projeção por sua atuação política e digital. Ele iniciou o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação.
A principal bandeira apresentada pelo candidato é o combate ao crime organizado, com referências ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O programa também aborda habitação, urbanização, educação e emprego, além de defender mudanças em programas sociais e no sistema de cotas educacionais.
Romeu Zema tenta chegar ao Planalto
Romeu Zema, de 61 anos, concorre pelo Partido Novo após dois mandatos consecutivos como governador de Minas Gerais. Empresário, ele busca espaço no eleitorado conservador e apresenta como temas de campanha a redução do tamanho do Estado e o combate à corrupção.
O candidato também critica o PT e defende medidas associadas ao campo político de direita. Entre as posições apresentadas estão a possibilidade de conceder indulto a Jair Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além da defesa de mudanças no Supremo Tribunal Federal.
Em Minas Gerais, uma pesquisa Quaest citada no texto apontou, no fim de julho, 52% de aprovação e 41% de desaprovação à gestão de Zema. O desempenho estadual é utilizado pela campanha como parte do argumento sobre sua experiência administrativa.
Augusto Cury apresenta proposta de semipresidencialismo
O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, de 67 anos, concorre pelo Avante. A candidatura foi lançada com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Entre suas principais propostas está a mudança do sistema presidencialista para o semipresidencialismo. Na proposta apresentada por Cury, o presidente teria atribuições relacionadas à política externa e às Forças Armadas, enquanto um primeiro-ministro ficaria responsável pela condução da política doméstica.
O candidato também destaca educação, saúde mental, atenção às pessoas neurodivergentes e combate à fome. Cury afirma que sua trajetória profissional deve contribuir para uma atuação voltada à mediação de conflitos e à redução da polarização política.
Outros candidatos à Presidência
Além dos nomes que aparecem com maior frequência nas pesquisas mencionadas no texto, a eleição reúne candidatos de partidos com menor representação no Congresso Nacional.
Clariana Barão (DC)
Clariana Barão, advogada natural de Mato Grosso, é candidata pelo Democracia Cristã (DC). Sua atuação política inclui propostas relacionadas aos direitos das mulheres e ao combate à violência doméstica.
A candidata a vice é Fabiana Torquato, advogada que atuou na área de regularização fundiária e ocupou cargos relacionados à gestão de terras públicas no Distrito Federal.
Edmilson Costa (PCB)
Edmilson Costa, economista e natural do Maranhão, é o candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele participou de movimentos estudantis e da sociedade civil durante a ditadura militar e possui doutorado em Economia pela Unicamp.
Entre as propostas da chapa estão estatização do sistema financeiro, suspensão do pagamento da dívida pública, reestatização de empresas estratégicas, redução da jornada de trabalho e fim do Senado.
Hertz Dias (PSTU)
O professor de História e ativista do movimento negro Hertz Dias concorre pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). A candidata a vice é Vanessa Portugal, professora da rede municipal de Belo Horizonte.
A chapa defende a revogação das reformas Trabalhista e da Previdência, mudanças na tributação, direitos trabalhistas para trabalhadores de aplicativos, reforma agrária, demarcação de terras indígenas e quilombolas, descriminalização das drogas e desmilitarização das polícias militares.
Leonardo Avalanche (PRTB)
Leonardo Avalanche, empresário de Goiás e presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), concorre à Presidência. Ele também coordenou a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024.
Sua campanha apresenta propostas associadas ao conservadorismo, empreendedorismo e soberania nacional. Entre as ideias divulgadas está a oferta de equipamentos e conexão de internet a pessoas que concluírem cursos de empreendedorismo.
A candidata a vice é Tenente Dalma, oficial da Polícia Militar de Goiás.
Samara Martins (UP)
Samara Martins, dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), é candidata pelo Unidade Popular (UP). Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benario, organização voltada à pauta de moradia e à atuação política de mulheres.
Entre as propostas estão o combate à violência contra a mulher, reestatização de empresas privatizadas, nacionalização de riquezas, ampliação do orçamento social e auditoria da dívida pública.
A candidata a vice é Raquel Bricio, guarda portuária e sindicalista. Em 2022, Samara disputou a vice-presidência pela mesma legenda.
Wilson Grassi Júnior (Democrata)
O veterinário Wilson Grassi Júnior é candidato pelo Democrata. Natural de São Paulo, ele se apresenta como ativista das causas animal e ambiental.
O candidato também cita segurança, saúde e educação como prioridades, associando essas áreas à proteção animal. Até o momento descrito no texto, o partido ainda não havia anunciado o candidato a vice-presidente.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), também disputa a Presidência. Jornalista, escritor e palestrante, ele possui orientação política marxista-trotskista.
Entre suas propostas estão a reindustrialização do Brasil, mudanças na política econômica e energética e a realização de referendo sobre normas adotadas durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O candidato a vice é Antônio Carlos Silva, dirigente do PCO e professor da rede pública paulista. A oficialização da chapa estava prevista para 08/08/2026.
Como está organizada a disputa presidencial
A eleição presidencial de 2026 reúne candidaturas com diferentes propostas econômicas, sociais e institucionais. Entre os principais temas apresentados pelas chapas estão segurança pública, combate ao crime organizado, políticas sociais, redução ou ampliação da atuação estatal, reformas institucionais, direitos trabalhistas, meio ambiente e política externa.
O cenário também é marcado pela presença de candidatos com trajetórias distintas, incluindo presidente da República, senador, ex-governador, empresários, médicos, escritores, professores, advogados e ativistas políticos.
A campanha começou oficialmente em 16/08/2026, mas a situação jurídica das candidaturas permanece submetida à análise da Justiça Eleitoral. O registro partidário, o deferimento das candidaturas e o cumprimento das regras de propaganda são etapas distintas dentro do processo eleitoral.
Eleição ocorre em outubro
O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 04/10/2026. Os eleitores escolherão presidente e vice-presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Caso nenhum candidato à Presidência ou ao governo estadual obtenha mais de 50% dos votos válidos, haverá segundo turno em 25/10/2026. Votos brancos e nulos não são considerados para o cálculo da maioria absoluta.
A disputa presidencial, portanto, reúne diferentes candidaturas e projetos políticos, mas o resultado será definido pelos eleitores no processo de votação. Até a conclusão da eleição, candidaturas, decisões judiciais e demais informações eleitorais permanecem sujeitas às regras e aos procedimentos da Justiça Eleitoral.
*Com informações da DW.








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