O Festival de Jazz do Capão (FJC) realiza sua 13ª edição nos dias 18 e 19 de setembro de 2026, no Circo do Capão, em Palmeiras, na Chapada Diamantina, a cerca de 440 quilômetros de Salvador. Com programação gratuita, o evento reúne artistas da música instrumental brasileira, produção do Vale do Capão e um projeto selecionado pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A programação começa na sexta-feira (18/09/2026), às 19h, e prossegue no sábado (19/09/2026), a partir das 18h. Além dos shows, o festival promove dois workshops gratuitos no Coreto da Vila, ambos às 14h, e mantém ações relacionadas à coleta seletiva, educação ambiental e valorização de iniciativas comunitárias.
Em sua trajetória, o FJC acumula 16 anos de atividade e 12 edições realizadas, com interrupções em determinados períodos. A edição de 2026 tem como eixo artístico a realização de encontros entre músicos, reunindo diferentes formações, repertórios autorais e experiências ligadas à música instrumental e à canção brasileira.
Festival amplia proposta de encontros musicais
A curadoria artística é conduzida pelo músico Rowney Scott, diretor artístico do festival. Segundo ele, a realização de encontros entre artistas vem sendo experimentada em diferentes edições, incluindo participações de músicos locais e colaborações entre artistas de diferentes trajetórias.
Em 2026, essa proposta aparece em apresentações como Tiago Nunes e Alana Gabriela em Orí Mejí, Daniel Santiago Convida e o encontro entre Nilton Azevedo e Lucas Decliê. O programa também inclui o Quarteto Emmbra e o projeto Atlântico Negro, apresentado pela cantora, compositora e pesquisadora musical Ilessi.
Scott relaciona a proposta dos encontros à valorização da coletividade, diversidade e empatia. A programação, segundo o diretor artístico, busca estimular novas criações e ampliar as possibilidades de interação entre músicos e públicos.
Mostra UFBA abre programação de sexta-feira
A primeira noite do festival começa com a Mostra UFBA, que apresenta o baterista Victor Brasil, selecionado por meio de edital interno da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. O músico realiza seu primeiro show solo no FJC, acompanhado por Davi Ribeiro, no trompete; Nino Bezerra, no baixo; e Jorge Solovera, na guitarra.
Na sequência, o Quarteto Emmbra apresenta um repertório autoral formado pelas instrumentistas Aline Gonçalves, no clarinete e flauta; Louise Woolley, no piano; Camila Rocha, no contrabaixo; e Julia Rodrigues, na bateria.
O grupo está relacionado ao projeto Emmbra – Escritas Musicais de Mulheres Brasileiras, idealizado por Aline Gonçalves. A iniciativa reuniu partituras de compositoras brasileiras e recebeu o Prêmio Profissionais da Música de 2021, na categoria Livros Musicais.
Orí Mejí encerra a primeira noite
A sexta-feira (18/09/2026) será encerrada com Tiago Nunes e Alana Gabriela em Orí Mejí. Os dois percussionistas baianos apresentam uma proposta construída a partir de pesquisas, referências e experiências relacionadas às matrizes afro-brasileiras, à música instrumental e à criação contemporânea.
O nome Orí Mejí faz referência, na descrição do projeto, a uma pessoa cuja cabeça é regida por duas divindades, associando dois caminhos em uma direção. A apresentação reúne composições autorais e releituras, com diferentes timbres, texturas e dinâmicas.
A programação de sexta-feira também inclui o primeiro workshop do festival. Às 14h, no Coreto da Vila, Tiago Nunes e Alana Gabriela conduzem a atividade “UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres Leite”, com introdução aos conceitos do Universo Percussivo Baiano e uma etapa prática com participação do público.
Mostra Capão destaca músicos do território
No sábado (19/09/2026), a partir das 18h, a programação começa com a Mostra Capão, espaço destinado à produção musical local. As apresentações de Ari Vinícius Quinteto e Isa fLautaro têm a flauta como elemento central e apresentam propostas distintas de composição e improvisação.
Ari Vinícius apresenta composições autorais relacionadas ao seu primeiro álbum, atualmente em fase de gravação. O quinteto reúne Ari Vinícius, Arian Pinho, Kiko Dorea, Estevam Dantas e Mauricio Sprovieri, em uma formação que trabalha com improvisação e diferentes combinações rítmicas.
Isa fLautaro apresenta adaptações do álbum What’s Next, composições inéditas e obras de Gustavo Rocha. O músico será acompanhado por Bruno Lavorini, Guilherme Luz, Gustavo Rocha e Leandro Mendes.
Daniel Santiago apresenta encontro criado para o festival
Ainda no sábado, o público poderá acompanhar Daniel Santiago Convida, apresentação criada especificamente para o Festival de Jazz do Capão. O músico reúne Guto Wirtti, no contrabaixo; Bruno Aranha, nos teclados; e Reinaldo Boaventura, na percussão.
O repertório combina composições autorais de Daniel Santiago com releituras de obras de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso. A apresentação foi estruturada como um encontro entre músicos e diferentes referências da música brasileira.
A programação segue com Nilton Azevedo e Lucas Decliê, dois saxofonistas que apresentam trabalhos autorais e uma proposta de duo baseada na improvisação. Eles serão acompanhados por Alexandre Vieira, no baixo; Jordi Amorim, na guitarra; e Beto Martins, na bateria.
Ilessi encerra a edição de 2026
A última apresentação da 13ª edição será Ilessi em Atlântico Negro. Cantora, compositora e pesquisadora musical, Ilessi é doutoranda em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestra em Música pelo Proemus, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
O espetáculo reúne composições autorais, recriações de obras de compositores brasileiros e cantos de tradição oral, articulando elementos da música brasileira contemporânea e do jazz.
No palco, Ilessi estará acompanhada por Marcelo Galter, no piano e teclados e responsável pela direção musical e pelos arranjos; Ldson Galter, no contrabaixo; e Reinaldo Boaventura, na percussão.
Workshops abordam música e composição
Além dos shows, o festival realiza duas atividades formativas gratuitas no Coreto da Vila. A primeira ocorre na sexta-feira (18/09/2026), às 14h, com Tiago Nunes e Alana Gabriela, e apresenta conceitos do método Universo Percussivo Baiano (UPB) criado e desenvolvido pelo músico Letieres Leite.
A atividade também prevê uma etapa prática utilizando o próprio corpo como instrumento. A proposta é apresentar relações entre os conceitos do UPB e as pesquisas desenvolvidas pelos dois percussionistas.
No sábado (19/09/2026), às 14h, as integrantes do Quarteto Emmbra conduzem o workshop “Mulheres compositoras”. A atividade aborda questões de gênero na música e na composição, além dos processos criativos das participantes e da apresentação de composições das próprias artistas.
Festival mantém ações ambientais no Vale do Capão
A relação com o território é incorporada à organização do evento por meio de ações ambientais e de articulação com moradores e empreendedores locais. Para a coordenadora de produção Fabiana Carvalho, a realização do festival envolve uma rede formada por pousadas, restaurantes, empresas de transporte, prestadores de serviços, produtores e comerciantes da região.
Em 2026, o FJC mantém a coleta seletiva de resíduos, em parceria com o Recicla Capão, além do uso de utensílios biodegradáveis ou retornáveis pelos fornecedores da Praça de Alimentação. O ordenamento do trânsito também integra a organização, em parceria com a Secretaria de Infraestrutura de Palmeiras.
A Campanha Ambiental de 2026 é direcionada às Unidades de Conservação do município de Palmeiras, com divulgação de informações para moradores e visitantes sobre a importância dessas áreas e os cuidados necessários para sua preservação.
Ações comunitárias integram programação
O festival também disponibiliza espaço para a Comissão de Festeiros de São Sebastião comercializar alimentos. A iniciativa integra a articulação do evento com organizações do Vale do Capão.
Outra ação prevê a comercialização de produtos do festival, como camisas e canecas, com reversão de 100% do lucro para a Escola Comunitária Brilho do Cristal.
Segundo o produtor executivo e sócio da CulturaTAO, Tiago TAO, a organização busca ampliar o festival nas próximas edições e manter a articulação com patrocinadores, apoiadores e parceiros envolvidos na realização do evento.
Histórico reúne artistas brasileiros e estrangeiros
Idealizado pelo músico Rowney Scott e realizado pela CulturaTAO, o Festival de Jazz do Capão teve sua primeira edição em 2010. O evento foi realizado novamente em 2011 e passou por períodos de interrupção relacionados à ausência de patrocínio e à pandemia de Covid-19.
Em 2016 e 2023, o festival não foi realizado por falta de patrocínio. Em 2020, a edição foi suspensa em razão da pandemia. Em 2021, o evento ocorreu em formato online, com financiamento da Secretaria de Cultura da Bahia e da Paulo Coelho and Christina Oiticica Foundation.
Desde 2017, o FJC é considerado evento calendarizado, com apoio financeiro do Estado da Bahia por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura, além de complementação pela Lei Rouanet. As edições de 2024 e 2025 retornaram ao Circo do Capão.








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