Festival de Reggae do Vale do Capão retorna em outubro com três dias de programação gratuita na Chapada Diamantina

O Vale do Capão, na Chapada Diamantina, recebe de 9 a 11 de outubro de 2026, a terceira edição do Festival de Reggae do Vale do Capão. Com programação gratuita, o evento reúne apresentações musicais, oficinas, atividades de saúde e bem-estar e iniciativas relacionadas à valorização cultural e econômica do território.

Realizado de forma independente e comunitária, o festival tem entre suas propostas integrar música, cultura, turismo, sustentabilidade, saúde e desenvolvimento local. A iniciativa envolve artistas, produtores, pequenos empreendedores, meios de hospedagem, restaurantes, guias, transportadores e outros trabalhadores do Vale do Capão e do município de Palmeiras.

A programação é distribuída por diferentes espaços da região e mantém como uma de suas diretrizes o fortalecimento da produção cultural local. A organização também pretende ampliar a participação de novos artistas, criando oportunidades de apresentação e circulação para músicos e grupos da Chapada Diamantina e de outras regiões.

Artistas da Chapada Diamantina integram programação

Entre as atrações confirmadas estão DichavA, banda formada no Vale do Capão e influenciada pelo reggae do Recôncavo Baiano; Chapada Roots, grupo de Barra do Mendes que trabalha com reggae e referências sonoras da Chapada Diamantina desde 2000; e Conexão Ponte Velha, banda familiar formada por pai e filhos na zona rural de Palmeiras.

A Conexão Ponte Velha é composta por Maria, nos vocais, violão, percussão e composição; Gustavo, na guitarra, percussão, backing vocal, direção musical e arranjos; Kalu, na bateria e backing vocal; e Maná, no baixo e backing vocal. O grupo surgiu oficialmente em 2021, depois de a família se estabelecer na Chapada Diamantina.

A família havia deixado São Paulo e se mudado para a região em 2009. Com a música presente na rotina doméstica e o crescimento dos filhos, a experiência musical familiar passou a ser desenvolvida como uma banda autoral.

Conexão Ponte Velha apresenta álbum de estreia

O nome Conexão Ponte Velha faz referência a uma ponte histórica localizada no município de Palmeiras. Segundo a trajetória apresentada pelo grupo, o local representa a ligação entre comunidades e diferentes períodos, conceito que também é associado pela banda à função da música como elemento de conexão entre pessoas e gerações.

Com o lema “Som, montanha e resistência”, o grupo desenvolve repertório autoral de reggae roots em diálogo com matrizes afro-brasileiras e ritmos nordestinos. Entre os elementos incorporados estão ijexá, samba de roda, maracatu e forró pé de serra, além de referências relacionadas às experiências vividas na Chapada Diamantina.

Entre as referências musicais citadas pela banda estão Bob Marley, Peter Tosh, Edson Gomes, Ponto de Equilíbrio, Gilberto Gil, Djavan e Tim Maia, além de manifestações culturais como afoxé, maracatu, forró e samba. No festival, o grupo apresenta o álbum de estreia, “Da Chapada pro Mundo”, lançado em 2026.

Festival amplia espaço para novos artistas

A apresentação da Conexão Ponte Velha integra a proposta de ampliar a presença de artistas que desenvolvem suas trajetórias na própria região. Para o grupo, participar do festival também representa a possibilidade de apresentar o trabalho autoral no território onde seus integrantes vivem e construíram sua trajetória musical.

Gustavo Rocha, integrante e diretor musical da banda, destaca a relação entre o grupo e o público do Vale do Capão. Segundo ele, parte dos espectadores acompanha a trajetória dos músicos desde antes da formação da banda, estabelecendo uma relação direta entre a produção artística e a comunidade.

A programação também inclui a Jahmove Reggae Steps, que promove oficinas de dança reggae com Paty Crespí nos dias 9 e 10 de outubro. A organização informa que novas atrações, oficinas e atividades relacionadas à saúde e ao bem-estar serão anunciadas nas próximas semanas.

Festival tem origem em mobilização comunitária

A história do evento está relacionada ao coletivo Nós Somos o Mundo, cuja origem remonta a 2015, quando ocorreu a primeira edição. Em 2016, o encontro passou a receber público de outras regiões e ampliou sua atuação como iniciativa cultural construída a partir da mobilização de moradores e participantes do Vale do Capão.

A retomada do festival em 2026 é idealizada pelo artista circense e produtor cultural Dery Lima, à frente da Perna de Grilo. Sua trajetória inclui iniciativas relacionadas à ocupação cultural de espaços públicos, entre elas encontros de arte realizados na Praça Manuel Devoto, em Salvador, além das primeiras Convenções Baianas de Malabarismo, Circo e Arte de Rua.

Dery Lima também esteve à frente de seis edições do Encontro de Circo e Arte na Praça, realizado em Palmeiras. A iniciativa teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia e foi direcionada a crianças e estudantes.

Organização associa cultura e desenvolvimento local

Para o idealizador, a mobilização comunitária está entre os elementos centrais da realização do festival. A proposta apresentada pela organização relaciona a participação dos moradores e trabalhadores do Vale do Capão à construção da programação e à ocupação cultural do território.

Além da programação gratuita, o evento busca contribuir para a circulação de renda na economia local. A organização mantém em seu site oficial um guia com informações sobre hospedagens, restaurantes, transporte, comércio, guias turísticos e iniciativas culturais existentes na região.

A estratégia pretende estimular visitantes a permanecer no território e utilizar serviços oferecidos por empreendedores locais durante o período do festival. Dessa forma, a realização do evento é apresentada como uma atividade que envolve diferentes setores da economia da Chapada Diamantina.

Programação será divulgada gradualmente

A organização afirma que a iniciativa reúne artistas, produtores, empreendedores e outros profissionais ligados à cadeia cultural e turística do Vale do Capão. A participação de novos músicos também integra essa estratégia, com a criação de espaços para apresentação e divulgação de trabalhos autorais.

A proposta do festival combina, portanto, a realização de uma programação musical gratuita com ações relacionadas a cultura, turismo, bem-estar e economia local. A presença de artistas de diferentes trajetórias também busca ampliar a diversidade da programação e estabelecer conexões entre produtores da Chapada Diamantina e de outras regiões.

A programação completa da terceira edição do Festival de Reggae do Vale do Capão será divulgada gradualmente pela organização. O evento está previsto para ocorrer de 9 a 11 de outubro de 2026, no Vale do Capão, em Palmeiras, na Chapada Diamantina, com acesso gratuito às atividades anunciadas.


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