FLIFS 2026 reúne Manoel Cavalcante e Bule-Bule em Feira de Santana e conecta cordel, repente e formação de leitores

A 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS) dedicou parte da programação da quarta-feira (26/08/2026) ao cordel e ao repente, duas formas de expressão reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. Pela manhã, o potiguar Manoel Cavalcante participou, às 10h, da conversa sobre o Concurso de Literatura de Cordel Zoordel/UEFS, na Praça do Cordel; às 15h, o baiano Mestre Bule-Bule apresentou “Poesia cantada”. Realizado pela primeira vez no Centro de Convenções de Feira de Santana, o festival reuniu ainda escolas, quadrinistas, pesquisadores, escritores e músicos, dentro de uma edição que prossegue até domingo (30/08/2026).

Manoel Cavalcante estreia na FLIFS em atividade dedicada ao cordel

A participação de Manoel Cavalcante ocorreu na manhã do segundo dia do festival, na Praça do Cordel, durante a atividade “Conversa de poetas: o Concurso de Literatura de Cordel Zoordel/UEFS”. O escritor dividiu o encontro com a poeta cordelista sergipana Izabel Nascimento, conforme a programação divulgada para a edição de 2026.

Natural de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, Cavalcante construiu sua trajetória entre poesia popular, cordel, atividades educacionais e projetos de formação de leitores. O material divulgado durante a FLIFS registra que ele escreve cordel desde os sete anos, possui 20 livros de cordel e poesia popular, mais de 25 folhetos e acumula mais de 150 premiações em concursos literários.

Registros anteriores da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte confirmam a evolução dessa produção ao longo dos anos. O perfil institucional do artista já contabilizava 15 livros, mais de 25 folhetos e mais de 150 premiações, além de informar sua participação na Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel, na Academia de Trovas do Rio Grande do Norte e no Clube dos Trovadores do Seridó.

Literatura, escola e circulação nacional marcam trajetória do cordelista

Além da produção autoral, a trajetória de Manoel Cavalcante mantém relação direta com o ambiente educacional. Obras suas são adotadas ou trabalhadas em escolas de diferentes estados e utilizadas em atividades destinadas ao incentivo à leitura e à abordagem de questões sociais.

Em 25/07/2019, por exemplo, a Escola Municipal Francisca Avelino, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, inaugurou a Biblioteca Escolar Manoel Cavalcante em homenagem ao escritor. Na mesma ocasião, ele lançou a obra “O Menino Livro”.

Sua participação na FLIFS ocorreu poucos dias depois de uma agenda em Caruaru, Pernambuco, onde, na quinta-feira (20/08/2026), foram anunciados os lançamentos de “Se eu não fosse nordestino, o que diacho eu ia ser?” e “Rimas Políticas”, acompanhados de sarau dedicado à literatura de cordel.

Na atividade em Feira de Santana, Cavalcante relacionou a própria formação à convivência familiar com a cantoria.

“Minha identidade como cordelista nasceu na infância, quando meu avô fazia cantoria na casa dele. Isso me fez apaixonar pelo cordel. É uma linguagem acessível, que gera identificação e fala com toda a comunidade. Com ele, posso contar histórias de pessoas reais, da vida real”, afirmou Manoel Cavalcante.

Bule-Bule volta à FLIFS com quase seis décadas de trajetória cultural

Às 15h de quarta-feira (26/08), a Praça do Cordel recebeu “Poesia cantada com Mestre Bule Bule”. A programação identificou o artista como participante vindo de Camaçari, município onde mantém vínculos de atuação cultural.

Bule-Bule é o nome artístico de Antônio Ribeiro da Conceição, nascido em 22/10/1947, no município baiano de Antônio Cardoso, localizado na região de transição cultural entre o Recôncavo e o sertão. Sua produção reúne repente, cordel, música, samba, cantoria e poesia. A Fundação Pedro Calmon registra mais de 100 títulos publicados, oito discos e dois DVDs, além de uma trajetória próxima de seis décadas.

A relação de Bule-Bule com Feira de Santana antecede em várias décadas a própria criação da FLIFS. Pesquisa acadêmica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) registra que sua trajetória artística ganhou projeção nas feiras livres e que, em 1967, ele realizou em Feira de Santana seu primeiro duelo de repentes, ao lado do pernambucano Canarinho do Pajeú.

Esse antecedente acrescenta dimensão histórica à apresentação de 2026. Bule-Bule retorna, quase seis décadas depois daquele registro inicial, a uma cidade vinculada à sua formação como repentista, agora dentro de um festival literário institucionalizado.

Reconhecimentos públicos acompanham trajetória de Bule-Bule

A atuação de Bule-Bule recebeu diferentes reconhecimentos ao longo das últimas décadas. Em 1993, o artista recebeu o título de cidadão honorário de Salvador. Em 2008, foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, concedida no âmbito do Ministério da Cultura.

Em 24/10/2017, dois dias depois de completar 70 anos, tornou-se o primeiro homenageado pela Câmara Municipal de Salvador com a Medalha do Mérito Cultural. Em abril de 2024, também foi escolhido pelo Governo da Bahia para uma homenagem durante a Bienal do Livro Bahia, em reconhecimento à trajetória dedicada à cultura popular.

A participação de 2026 tampouco representa a primeira passagem recente do mestre pela FLIFS. Na 17ª edição, realizada em agosto de 2024, Bule-Bule esteve na Praça do Cordel apresentando aspectos de sua trajetória, dos processos de transmissão do conhecimento popular e de sua produção poética.

No segundo dia da edição atual, o repentista voltou a relacionar improvisação, cultura popular e formação das novas gerações.

“Fazer repente é preservar a cultura, o Nordeste e valorizar a cultura popular. O repente representa também o diálogo com as novas gerações, para que conheçam as diversas formas de literatura”, afirmou Bule-Bule.

Cordel é Patrimônio Cultural do Brasil desde 2018

A presença do cordel e do repente em uma feira literária também se insere em um processo mais amplo de reconhecimento institucional dessas manifestações.

A Literatura de Cordel foi inscrita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Livro de Registro das Formas de Expressão, em setembro de 2018, tornando-se oficialmente Patrimônio Cultural do Brasil. O reconhecimento abrange o gênero literário, seus processos de transmissão e sua relação histórica com oralidade, cantoria, repente, declamação e xilogravura.

Segundo o Iphan, o cordel consolidou-se no Brasil a partir do final do século XIX e combina influências de diferentes matrizes culturais. A estrutura tradicional trabalha elementos como métrica, rima e oração, enquanto os folhetos se transformaram historicamente em meios de comunicação, registro de acontecimentos, circulação de narrativas e atividade econômica para seus autores.

Em 06/02/2026, sete anos após o reconhecimento oficial, o próprio Iphan realizou em Brasília a Jornada do Cordel — Patrimônio Cultural do Brasil, reunindo cordelistas, pesquisadores, professores e gestores para discutir os desafios contemporâneos de salvaguarda da manifestação.

Repente recebeu reconhecimento nacional em novembro de 2021

O Repente seguiu caminho semelhante. A manifestação foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil em novembro de 2021, durante a 98ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, e passou a integrar o conjunto de bens registrados pelo Iphan.

A manifestação combina poesia, musicalidade, memória, domínio de estruturas métricas e capacidade de improvisação. Cordel e repente desenvolveram-se especialmente no Nordeste a partir da segunda metade do século XIX e mantêm relações históricas, embora possuam formas próprias de elaboração e apresentação.

A presença conjunta dessas expressões na FLIFS estabelece, portanto, uma ligação entre programação literária e políticas de patrimônio imaterial. O desafio de transmissão para públicos mais jovens mencionado por Manoel Cavalcante e Bule-Bule coincide com o conceito de salvaguarda utilizado pelo Iphan, que considera a continuidade dos saberes, sua recriação pelas comunidades e sua transmissão entre gerações como elementos centrais do patrimônio cultural imaterial.

Escolas, quadrinhos, Rosa e cultura popular integram segundo dia

A programação de 26/08/2026 foi mais ampla do que as atividades voltadas ao cordel e ao repente. Desde as 9h, escolas ocuparam o Palco Márcia Porto com coral de flautas, teatro, cordel, percussão, manifestações ligadas ao cangaço, xaxado e cultura nordestina.

Às 10h, simultaneamente à conversa com Manoel Cavalcante, ocorreu o encontro “Conexão HQ: bate-papo com quadrinistas da Bahia”, com Anderson Shon, Dan Borges e Isabella Ismile. No mesmo horário, pesquisadores da UEFS participaram da mesa dedicada aos 70 anos de “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa.

À tarde, a programação ainda reuniu debate sobre capoeira e currículo escolar, contação de histórias, lançamentos de livros, atividades cênicas e apresentações escolares. Duas mesas de lançamentos realizadas naquele dia reuniram 24 títulos — 13 às 16h30 e 11 às 18h.

Asa Filho e Dionorina encerram programação da quarta-feira

A noite foi estruturada em torno da produção cultural de Feira de Santana. Às 18h30, Asa Filho e convidados participaram da chamada “Noite Feirense”, no Teatro Carlos Pitta.

Às 19h, o Coral do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA/UEFS) apresentou-se no Palco Márcia Porto. Às 20h, Dionorina e convidados encerraram a programação musical do dia no mesmo palco.

A sequência articulou manifestações literárias, produção escolar, quadrinhos, pesquisa universitária, teatro e música dentro de uma mesma jornada, reforçando o caráter multidisciplinar assumido pelo festival ao longo de sua trajetória.

FLIFS começou a ser articulada em 2007 e teve primeira edição em 2008

A história do festival remonta a articulações iniciadas em 2007 para a criação de uma iniciativa permanente de estímulo ao livro e à leitura. A primeira Feira do Livro de Feira de Santana foi realizada entre sexta-feira (30/05/2008) e domingo (01/06/2008), na Praça Monsenhor Renato Galvão, conhecida como Praça da Matriz.

Registro publicado pelo Jornal Grande Bahia em 30/05/2008 mostra que aquela primeira edição já incluía palestras, recitais, oficinas, teatro, contação de histórias, lançamentos e literatura de cordel. Entre as oficinas previstas estava uma atividade de cordel ministrada por Franklin Maxado.

A iniciativa reuniu desde a origem instituições religiosas, educacionais, culturais e públicas. O propósito declarado era utilizar a leitura como instrumento de formação cidadã e ampliar o acesso da população ao livro, às artes e ao entretenimento cultural.

Lei estadual reconheceu festival como patrimônio em maio de 2018

Uma década depois da primeira edição, o festival alcançou reconhecimento formal do Estado da Bahia. Em 11/05/2018, foi sancionada a Lei Estadual nº 13.934/2018, que declarou o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana — então também identificado como Feira do Livro — Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia. A norma foi publicada no Diário Oficial estadual em 12/05/2018.

Naquele mesmo ano, durante a 11ª edição, o evento passou a adotar a sigla FLIFS, marcando uma nova etapa de sua identidade pública. A edição de 2018 também representou o retorno à Praça Padre Ovídio, espaço associado historicamente à feira.

O reconhecimento estadual do festival ocorreu poucos meses antes de o Iphan registrar nacionalmente a própria Literatura de Cordel como patrimônio cultural, criando uma coincidência temporal entre a institucionalização do evento feirense e a ampliação das políticas nacionais de preservação das formas populares de expressão.

Edição de 2026 marca mudança para o Centro de Convenções

A 19ª FLIFS representa outra mudança estrutural. Pela primeira vez, o festival deixou a área da Praça Padre Ovídio e passou a ocupar o Centro de Convenções de Feira de Santana, na Rua Tupinambás, bairro São João. A edição ocorre entre 25 e 30/08/2026, sob o tema “Feira é o Mundo”, com entrada gratuita.

A mudança ocorre após uma edição de grande circulação. Segundo a Fundação Pedro Calmon, a FLIFS de 2025, realizada entre 23 e 28 de setembro, recebeu 60 mil pessoas e distribuiu 10 mil vales-livro. Ao final daquele festival, uma carta com 1.242 assinaturas reivindicou a consolidação das feiras e festas literárias como política pública estadual.

Em 2026, o site oficial registra mais de 31 expositores, seis dias de atividades e participação gratuita. Já no primeiro dia, terça-feira (25/08), mais de 10 mil estudantes participaram da programação, segundo informações divulgadas pela organização e registradas pelo Jornal Grande Bahia.

Prefeitura destina R$ 172,4 mil a vales-livro

A participação escolar também possui dimensão orçamentária. A Prefeitura de Feira de Santana destinou R$ 172.450,50, por meio do Fundo Municipal de Educação, à distribuição de vales-livro para estudantes e profissionais da rede municipal durante a edição de 2026.

O edital municipal divulgado em 20/07/2026 previu participação de 99 escolas, das quais 63 situadas na sede e 36 nos distritos, com possibilidade de inscrição de até 30 estudantes por unidade. Alunos receberam vales de R$ 50, enquanto professores, especialistas em educação e docentes aposentados tiveram direito a R$ 80. Vinte e uma escolas também foram selecionadas para apresentações artístico-culturais.

As visitas organizadas pela rede municipal foram programadas entre 25 e 28/08, período que inclui o segundo dia do festival. A política de vale-livro associa a presença dos estudantes à aquisição direta de publicações, criando uma dimensão econômica e pedagógica para a participação escolar.

Transporte gratuito busca compensar mudança de endereço

A transferência da FLIFS para o bairro São João também criou a necessidade de reorganizar o acesso de quem anteriormente encontrava o festival em uma praça da região central.

Durante os seis dias do evento, foi estabelecido transporte gratuito entre o Terminal Central e o Centro de Convenções. A operação foi solicitada pela UEFS e implementada com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana. Os veículos são operados pela empresa São João.

Na sexta-feira (28/08) e no sábado (29/08), as partidas do Terminal Central estão programadas para 16h, 17h, 18h, 19h, 20h e 21h, com retornos do Centro de Convenções até 22h. No domingo (30/08), último dia da FLIFS, haverá viagens entre 14h e 18h.

FLIFS segue até domingo com literatura, música e cultura popular

Nesta sexta-feira (28/08/2026), quarto dia da edição, a programação prossegue no Centro de Convenções. Entre as atividades previstas estão, às 10h, uma mesa sobre Feira de Santana no cinema de Olney São Paulo; às 16h, uma conversa com o sociólogo Jessé Souza; e, às 20h, apresentação musical de Agnes Nunes.

No sábado (29/08), a agenda inclui Luiz Antonio Simas, Tia Má, Thalita Rebouças, Ryane Leão, atividades de cordel, programação infantil e o primeiro concurso cosplay do festival. No domingo (30/08), a programação prevê atividades literárias e culturais antes do encerramento da 19ª edição e do show de Armandinho, marcado para as 17h.

A continuidade da programação permite avaliar a FLIFS não apenas pelo volume de atrações, mas também pela capacidade de articular formação de leitores, circulação editorial, patrimônio imaterial, produção universitária, escolas públicas e manifestações culturais de diferentes gerações.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2007 — Articulações para criação da Feira do Livro: educadores e instituições de Feira de Santana iniciam a construção de um projeto voltado à formação de leitores e à democratização do acesso ao livro.
  • 30/05 a 01/06/2008 — Primeira edição: a 1ª Feira do Livro de Feira de Santana ocorre na Praça Monsenhor Renato Galvão, com oficinas, palestras, recitais, teatro, cordel, lançamentos e atividades culturais.
  • 1967 — Antecedente da trajetória de Bule-Bule em Feira de Santana: décadas antes da criação da feira, Bule-Bule realiza na cidade seu primeiro duelo de repentes, segundo pesquisa acadêmica da UFRB.
  • 11/05/2018 — Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia: é sancionada a Lei nº 13.934/2018, reconhecendo o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana como patrimônio cultural imaterial estadual.
  • Setembro de 2018 — Cordel torna-se Patrimônio Cultural do Brasil: o Iphan registra a Literatura de Cordel no Livro das Formas de Expressão.
  • 2018 — Adoção da sigla FLIFS: durante a 11ª edição, o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana passa a utilizar a sigla que identifica atualmente o evento.
  • Novembro de 2021 — Repente recebe reconhecimento nacional: o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprova o registro do Repente como Patrimônio Cultural do Brasil.
  • Agosto de 2024 — Bule-Bule participa da 17ª FLIFS: o mestre volta a discutir sua trajetória e cultura popular na Praça do Cordel do festival.
  • 23 a 28/09/2025 — 18ª edição: a FLIFS registra 60 mil visitantes, segundo a Fundação Pedro Calmon, e distribui 10 mil vales-livro.
  • 08/07/2026 — Lançamento da 19ª edição: a edição de 2026 é apresentada oficialmente, já com a confirmação da mudança para o Centro de Convenções de Feira de Santana.
  • 25/08/2026 — Abertura da FLIFS 2026: o festival começa no Centro de Convenções e registra mais de 10 mil estudantes no primeiro dia.
  • 26/08/2026 — Cordel e repente no segundo dia: Manoel Cavalcante participa às 10h de conversa sobre o concurso Zoordel/UEFS; Bule-Bule apresenta “Poesia cantada” às 15h. Escolas, quadrinistas, pesquisadores, escritores e músicos completam a programação.
  • 28/08/2026 — Quarto dia do festival: a programação prevê atividades sobre Olney São Paulo, encontro com Jessé Souza e show de Agnes Nunes.
  • 30/08/2026 — Encerramento previsto: a 19ª FLIFS termina no Centro de Convenções, com programação cultural e show de encerramento de Armandinho.

A programação de 26/08/2026 adquire significado adicional quando observada à luz dos processos formais de reconhecimento cultural ocorridos nas últimas décadas. Cordel e repente não estão presentes na FLIFS apenas como formas de entretenimento: ambos são bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, o que coloca sua transmissão, documentação e circulação entre novas gerações dentro de uma agenda pública de salvaguarda.

A trajetória de Bule-Bule estabelece uma ligação particularmente relevante com Feira de Santana. O registro de seu primeiro duelo de repentes na cidade, em 1967, antecede em mais de quatro décadas a institucionalização da FLIFS. Sua participação atual permite observar como manifestações antes fortemente associadas a feiras livres, mercados, encontros comunitários e circuitos informais passaram a ocupar também teatros, universidades, bienais e festivais literários, sem que a preservação de suas características dependa apenas desses espaços institucionais.

A edição de 2026 introduz ainda um desafio administrativo. A mudança da Praça Padre Ovídio para o Centro de Convenções amplia a infraestrutura disponível, mas desloca o festival de um espaço central e integrado à circulação cotidiana da cidade. A implantação de transporte gratuito, os vales-livro e a participação organizada de escolas são mecanismos concretos para reduzir eventuais barreiras de acesso. A avaliação da mudança deverá considerar público efetivamente alcançado, circulação nos diferentes espaços, participação estudantil, acessibilidade e impacto sobre o mercado editorial.

O segundo dia da FLIFS 2026 sintetiza, portanto, três dimensões de interesse público: preservação do patrimônio cultural, formação de leitores e democratização do acesso à produção literária. A continuidade do festival até 30/08 permitirá medir os efeitos da primeira edição no Centro de Convenções. À UEFS, ao Sesc, à Prefeitura, aos órgãos estaduais, às instituições educacionais e aos demais parceiros caberá avaliar os resultados da mudança de sede e garantir que a expansão física do evento permaneça acompanhada por acesso público, formação cultural e condições para a transmissão das manifestações que sustentaram historicamente sua identidade.

A FLIFS 2026 reuniu Manoel Cavalcante e Mestre Bule-Bule na quarta-feira (26/08), no Centro de Convenções de Feira de Santana. Cordel e repente, reconhecidos pelo Iphan como patrimônios culturais do Brasil em 2018 e 2021, integraram uma programação com escolas, quadrinhos, livros e música. Criado a partir de articulações iniciadas em 2007, o festival segue até 30/08/2026, em sua primeira edição no novo espaço.
FLIFS 2026 reúne Manoel Cavalcante e Bule-Bule em Feira de Santana e conecta cordel, repente, patrimônio cultural, escolas e formação de leitores no segundo dia do festival.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading