As forças de Israel ampliaram operações no sul do Líbano nesta segunda-feira (24/08/2026), com registros de bombardeios aéreos, disparos de artilharia e demolições em diferentes localidades da região. Relatos divulgados por agências de notícias indicam ações nas proximidades das colinas de Ali al-Taher, em Al-Qusayr, Haddatha, Mansouri e Houla.
Em Mansouri, na província do Sul, houve registro de disparos de artilharia. Em Houla, na província de Nabatieh, forças israelenses realizaram operações com tratores, enquanto em Haddatha foram registradas demolições. Também foram relatados ataques aéreos nas proximidades de Ali al-Taher e Al-Qusayr.
A escalada ocorre em uma área acompanhada pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A missão da ONU monitora a Linha Azul e registra violações da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que estabelece, entre outros pontos, o monitoramento da cessação das hostilidades e o apoio à estabilidade no sul do Líbano.
Operações militares avançam na fronteira do Líbano
A Linha Azul, estabelecida pela ONU em 2000 como referência para confirmar a retirada das forças israelenses do território libanês, não constitui uma fronteira internacional definitiva entre os dois países. A Unifil utiliza essa linha como referência para monitorar e comunicar violações ao Conselho de Segurança.
A missão da ONU informou nas últimas semanas que continua registrando violações relacionadas a atividades militares e ao espaço aéreo na região. Em 10 de agosto, a Unifil informou ter contabilizado 455 projéteis disparados contra o sul do Líbano e 97 violações do espaço aéreo israelense em um único fim de semana, segundo dados apresentados pela própria missão.
Em 24 de agosto, também foram relatadas mortes relacionadas a ataques no entorno de Nabatieh. Segundo o Ministério da Saúde libanês e informações de veículos locais, dois homens morreram em um ataque ocorrido no domingo (23/08/2026) na região de Dohat Kfarremmane, próxima à elevação de Ali Taher.
Gaza registra novos ataques durante trégua
Na Faixa de Gaza, ataques israelenses também foram registrados na segunda-feira. Segundo a Reuters, ataques aéreos e disparos provocaram a morte de pelo menos quatro palestinos, incluindo duas crianças, de acordo com autoridades de saúde locais. Um dos episódios ocorreu em uma tenda em Deir al-Balah.
No caso de Deir al-Balah, fontes médicas informaram que um ataque aéreo atingiu uma tenda e matou uma pessoa, além de ferir outra. O Exército israelense afirmou que o alvo era um integrante do Hamas. Organizações palestinas e fontes locais relataram que o local abrigava pessoas deslocadas.
Também foram registrados ataques em Khan Younis e no campo de refugiados de Bureij. A Reuters informou que uma menina de 10 anos morreu após ser atingida por disparos enquanto estava na tenda de sua família em Khan Younis, enquanto um menino de quatro anos morreu em um ataque aéreo no campo de Bureij. O Exército israelense declarou não ter conhecimento do episódio envolvendo a menina.
Situação humanitária permanece sob pressão
Os novos episódios ocorrem durante uma trégua estabelecida em outubro de 2025, que não eliminou os confrontos e ataques registrados na região. Segundo dados citados pela Reuters a partir de autoridades de saúde de Gaza, mais de 1.280 palestinos morreram desde o início do cessar-fogo, enquanto o Exército israelense informa quatro soldados mortos no mesmo período.
O Exército israelense afirmou que suas operações têm como objetivo atingir integrantes e estruturas do Hamas e evitar novos ataques. Em relação a operações realizadas em Gaza na segunda-feira, a força militar disse ter atingido locais que classificou como depósitos de armas, incluindo instalações próximas ou dentro de mesquitas.
O agravamento da situação também ocorre em meio a problemas de acesso à água e às condições de deslocamento da população. A Reuters relatou que uma instalação de dessalinização foi atingida em Gaza City, embora o Exército israelense tenha afirmado que a estrutura não era o alvo e que o objetivo era uma instalação de armas localizada nas proximidades.
Relatora da ONU pede força internacional de proteção
A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, pediu em 24 de agosto o envio urgente de uma força internacional de proteção para Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Albanese afirmou que a proteção internacional da população civil é urgente e vinculou seu posicionamento ao parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a ocupação israelense dos territórios palestinos. A manifestação foi divulgada em meio aos novos episódios de violência registrados em Gaza e na Cisjordânia.
A relatora também defendeu que a comunidade internacional adote medidas para enfrentar as causas políticas e jurídicas do conflito. A posição apresentada por Albanese é uma recomendação de uma especialista independente da ONU e não constitui, por si só, uma decisão vinculante do Conselho de Segurança.
Conflito mantém dois focos de tensão regional
Os acontecimentos de 24/08/2026 mostram a manutenção de dois focos de tensão relacionados ao conflito regional: a intensificação das operações militares no sul do Líbano, sob monitoramento da Unifil, e a continuidade de ataques na Faixa de Gaza, onde a população civil permanece exposta a novos deslocamentos e perdas.
No Líbano, a ONU mantém a missão de monitorar a Linha Azul e registrar violações da Resolução 1701. Em Gaza e na Cisjordânia, a relatora especial da ONU voltou a defender mecanismos internacionais de proteção da população civil.
A situação permanece em evolução, com versões distintas apresentadas pelas partes sobre os objetivos das operações e as circunstâncias de cada ataque. Os números de mortos e feridos também podem ser atualizados à medida que autoridades médicas e organizações internacionais consolidem as informações.
*Com informações da ONU News.








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