O pianista baiano Marcelo Galter lança, em 27 de agosto de 2026, o álbum Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi, pela Gravadora Rocinante. O trabalho estará disponível em vinil e nas principais plataformas de streaming e estabelece uma relação entre os processos criativos do músico e a obra de Dorival Caymmi, a partir de elementos da cultura musical da Bahia.
O projeto amplia uma pesquisa desenvolvida por Galter ao longo de sua trajetória: a transposição de linguagens e características de outros instrumentos para o piano. No novo álbum, essa investigação incorpora referências à viola de machete do Recôncavo, ao berimbau e aos tambores afro-baianos, além de elementos relacionados à oralidade e às formas de transmissão musical.
Segundo Galter, a pesquisa sobre essas linguagens contribuiu para a construção de sua maneira de tocar piano. O músico relaciona esse processo à trajetória de Caymmi, que incorporou experiências vividas na Bahia, incluindo referências ao samba de roda e aos pregões de rua, à composição, ao canto e à execução do violão.
Voz e piano ampliam a pesquisa musical
Uma das características do novo álbum é a utilização da voz de Marcelo Galter como instrumento em diversas faixas. O recurso amplia a relação entre música instrumental e música cantada e integra a voz à pesquisa sonora desenvolvida pelo pianista.
Galter afirma que o projeto funciona como uma oportunidade para investigar diferentes possibilidades criativas relacionadas à síntese musical associada a Caymmi. A proposta envolve atuação como pianista, pesquisador, compositor e intérprete, sem limitar o álbum à reprodução de repertórios anteriores.
A relação com Caymmi, portanto, aparece no disco a partir de seus métodos e processos criativos, e não apenas pela interpretação de canções. O projeto busca estabelecer uma continuidade entre tradições musicais baianas e novas formas de elaboração instrumental.
“Águas” conduz o encontro com Caymmi
O conceito de água ocupa posição central no álbum. O trabalho apresenta diferentes referências aquáticas relacionadas à obra de Caymmi e à pesquisa musical de Galter, que descreve o processo como um “piano marítimo”.
Entre as participações está o músico Mû Mbana, da Guiné-Bissau, que participa da faixa “Lagoa do Abaeté” com voz e flauta fulani. A participação estabelece uma conexão entre diferentes tradições musicais de matriz africana e o universo cultural associado à Bahia.
O disco também reúne músicos que mantêm relações de longa duração com Galter. O pianista define o grupo como formado por artistas baianos que conhecem diretamente as tradições presentes no trabalho e participam de sua continuidade por meio da criação musical.
Instrumentos e tradições afro-baianas integram o álbum
A presença da musicalidade do candomblé aparece no trabalho por meio da participação de Luizinho do Jêje, que utiliza instrumentos sagrados e objetos não convencionais na construção das sonoridades do álbum.
O contrabaixista Ldson Galter participa das faixas integrando o instrumento à trama dos tambores. A proposta sonora busca aproximar diferentes elementos instrumentais, criando uma formação em que o contrabaixo dialoga diretamente com a percussão.
Reinaldo Boaventura também integra o projeto e incorpora referências à tradição do samba. Sua relação com esse universo musical está associada à influência das mulheres de sua família, originárias do Recôncavo baiano.
Pesquisa parte da oralidade e da experiência corporal
A oralidade é outro elemento destacado por Marcelo Galter na construção do álbum. Para o pianista, a transmissão de conhecimento musical ocorre por meio do corpo, da voz e da convivência, além dos registros formais.
Essa perspectiva é relacionada por Galter à forma como Caymmi desenvolveu sua produção a partir de experiências vividas na Bahia. O processo envolve a transformação de referências culturais em uma linguagem própria de composição, canto e execução instrumental.
A pesquisa também reforça a relação do álbum com diferentes territórios e manifestações musicais da Bahia. Recôncavo, samba de roda, candomblé, instrumentos tradicionais e sonoridades afro-baianas aparecem como elementos incorporados à elaboração musical do projeto.
Álbum estabelece diálogo entre tradição e criação contemporânea
O trabalho não se apresenta apenas como uma coleção de interpretações da obra de Caymmi. A proposta de Galter é investigar os procedimentos criativos que marcaram a produção do compositor e utilizá-los como ponto de partida para novas construções musicais.
A pesquisa sobre instrumentos e linguagens sonoras é aplicada ao piano, enquanto a utilização da voz amplia o campo de atuação do músico. O conjunto de procedimentos procura aproximar composição, pesquisa, interpretação e experimentação.
Nesse contexto, a obra de Caymmi funciona como referência para uma investigação sobre identidade musical, oralidade, território e transformação de linguagens instrumentais. O resultado reúne músicos de diferentes formações em torno de uma pesquisa vinculada às tradições da Bahia.
Lançamento ocorre em 27 de agosto
O álbum Marcelo Galter investiga a beleza sem fim de Dorival Caymmi será lançado pela Gravadora Rocinante em 27/08/2026, com edição em vinil e disponibilização nas principais plataformas de streaming.
O projeto reúne Marcelo Galter e seus colaboradores em uma pesquisa que parte da obra de Dorival Caymmi para explorar outras possibilidades de interpretação e composição. Entre os elementos destacados estão o piano, a voz, a percussão, o contrabaixo, a flauta fulani e instrumentos ligados às tradições afro-baianas.
O lançamento apresenta, assim, uma abordagem baseada na investigação dos processos musicais de Caymmi e na continuidade de referências culturais baianas por meio de novas construções sonoras.








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